Os organizadores do prémio literário Oceanos, direcionado para a produção literária em língua portuguesa, informaram esta quinta-feira que 1.872 livros de autores de 11 países foram inscritos na primeira fase do concurso, realizado anualmente no Brasil. O número de editoras inscritas este ano totalizou 450, o maior nos últimos anos. Este ano, as edições de próprio autor somam 162 livros, representando 8,6% do total das inscrições.

Num comunicado, os organizadores do Oceanos anunciaram a seleção de obras produzidas por escritores de 11 países: Angola (11), Argentina (2), Áustria (1), Benin (1), Brasil (1.574), Cabo Verde (7), Espanha (4), Moçambique (10), Peru (1), Portugal (156) e Uruguai (2), além de dois luso-angolanos e dois luso-brasileiros. Todos escrevem e publicam originalmente em língua portuguesa, principal critério do prémio.

Entre as categorias avaliadas pelo Oceanos estão a poesia (849 livros), romances (588), livros de contos (289), livros de crónicas (109) e 37 obras de dramaturgia. Todos os livros concorrem entre si, uma vez que o Prémio Oceanos elegerá as três melhores obras publicadas em 2019 sem distinção de género literário.

Entre as selecionadas três obras foram editadas em mais de um país, o livro de crónicas O Universo num Grão de Areia, do moçambicano Mia Couto, publicado em Moçambique pela Fundação Fernando Leite Couto e em Portugal pela Caminho. Também estão nesta categoria o romance Torto Arado, do brasileiro Itamar Vieira Júnior, publicado em Portugal pela Leya e no Brasil pela Todavia, e o livro de poemas Um Objeto Cortante, da brasileira Alexandra Maia, publicado em Portugal pela Gato Bravo e no Brasil pela Numa Editora.

Itamar Vieira Junior: “A falta de educação é estruturalmente planeada pelo estado brasileiro”

Como nos anos anteriores, o processo de avaliação do concurso será realizado em três etapas. Primeiro, um júri composto por 88 professores de literatura, críticos literários, escritores, poetas e jornalistas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal vão ler e avaliar as obras inscritas para escolher as 50 semifinalistas, que serão divulgadas em agosto. Os jurados também elegem, entre si, os 14 membros dos júris das etapas subsequentes.

Na segunda etapa, um júri intermediário será responsável por escolher os dez finalistas. Na última etapa, o júri será encarregue da decisão relativa aos três vencedores.

A curadoria desta edição é formada pela linguista Adelaide Monteiro, de Cabo Verde, pela escritora e jornalista Isabel Lucas, de Portugal, e pelo jornalista Manuel da Costa Pinto, do Brasil, com a coordenação da gestora cultural Selma Caetano. O valor total do Prémio Oceanos soma 250 mil reais (cerca de 44 mil euros). O autor do livro vencedor receberá 120 mil reais, o segundo 80 mil reais e o terceiro 50 mil reais.

O Prémio Oceanos conta com os patrocínios do Banco Itaú e da República de Portugal, o apoio do Itaú Cultural, responsável também pelo prémio, e do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, além do apoio institucional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.