A dúvida que fica cada vez que nos surge um destes exercícios de nostalgia como “Streets of Rage 4” é a quem está destinado tudo isto. A tendência natural será dizer que a capacidade de desfrutar este jogo estará diretamente ligada a ter nascido por volta da década de 80, que está aqui uma carta de amor às tardes com amigos de volta da Mega Drive em que este género de beat ‘em up assumiu o expoente máximo da arte algo desaparecida do multiplayer de sofá. Em inglês o termo é gatekeeping: a vontade de decidir quem tem o direito ou não a apreciar uma particular avenida da vida. Ou seja, “tinhas de ter lá estado para entender”, “és demasiado novo” e “já não se fazem jogos assim”. E com a reverência que esta sequela tem pelos antecessores, parece ser o meio ideal para este tipo de conversa.

E depois pegamos em “Streets of Rage 4” e é só um jogo incrivelmente divertido, que mantém a intensidade dos originais num pacote mais apelativo às plataformas atuais e a importância desta conversa desvanece assim que esbofeteamos o primeiro de vários inimigos. Cada rufia tem um nome próprio que, de forma algo surpreendente, conseguimos sempre ligar à personagem. E o Dylan, com a insistência no ar de jagunço que nunca tira as mãos dos bolsos, ganha o prémio altamente contestado de criatura mais esmurrável neste jogo. Com mais ou menos mortes pelo meio, as cerca de três horas que demora a terminar a campanha principal passam a correr e só aí já contamos isso como tempo bem passado.

[o trailer da versão Nintendo Switch de “Streets of Rage 4”:]

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