“Sabias que a atual número 1 do ranking feminino no ténis fez da Eslováquia a sua casa nos últimos seis anos?”. A questão foi deixada por Peter Pellegrini, presidente do país, numa mensagem que acompanhava o vídeo de uma espécie de receção/condecoração à recente vencedora do US Open, Elena Rybakina. “Apesar de representar o Cazaquistão no plano internacional, a Eslováquia é a sua segunda casa. Ela passa parte de cada ano a treinar e a preparar os principais torneios aqui, fazendo do país uma parte importante do seu caminho. Por isso, foi com enorme prazer que a recebi no Palácio Presidencial para lhe dar os parabéns pelo sucesso que teve”, acrescentou na mensagem. Rybakina esboçou um leve sorriso quando recebeu um ramo de flores, agradeceu e manteve a cara de sempre. Tranquila, sóbria, sem grandes expressões. É assim em tudo.
Até mesmo depois de conquistar o terceiro Grand Slam da carreira, segundo no ano de 2026 após a vitória no Open da Austrália, Rybakina não mudou. Não muda. Provavelmente nunca mudará. Quando fez o 12.º ás da final, o dobro de Aryna Sabalenka, confirmou o triunfo por 6-4, 5-7 e 6-2 mas poderia ter acabado de vencer uma partida da primeira ronda de um torneio WTA 250: levantou os braços, teve um tímido sorriso, andou em passo acelerado até à rede para cumprimentar a bielorrussa que ainda estava a tentar partir a raquete, falou ao árbitro do encontro, deixou as coisas no seu banco enquanto Sabalenka destruía mais um pouco a raquete, foi à box onde estavam as pessoas mais próximas no Arthur Ashe Stadium: o treinador Stefano Vukov, o cotreinador Stanislav Khmarskyi e o preparador físico que esteve em Nova Iorque. Ah, ainda deu um passo atrás para um high five a alguém que estava por ali e ia ficando pendurado na imagem.
Isto é o máximo de celebração que Rybakina pode ter em termos públicos. Nos bastidores, sobretudo quando tem a irmã por perto, torna-se um pouco mais expansiva – mas não muito. A “Rainha do Gelo” é assim.
TOP OF THE WORLD ????
Elena Rybakina defeats Sabalenka 6-4, 5-7, 6-2 to claim her first US Open title! pic.twitter.com/7XA520vTei
— US Open Tennis (@usopen) September 12, 2026
Aos 27 anos, com mais de uma década de profissionalismo, a jogadora nascida na Rússia com nacionalidade do Cazaquistão chegou ao topo de uma carreira que apenas pendeu para o ténis pela altura que iria dificultar o caminho naquilo que mais gostava: ginástica e patinagem artística. Hoje, é o nome que todos querem ter a oportunidade de conhecer melhor. Ainda hoje, é a figura da qual menos se conhece. Por feitio. Pela forma de ser. Por vontade própria. Por se ter fechado ainda mais depois do caso que a envolveu com o Vukov, o treinador que chegou a estar suspenso pela WTA com acusações de abuso psicológico à própria jogadora. O tempo acabou por dar-lhe razão: foi com ele que cresceu em court, é com ele que se sente melhor em court.
Com 14 títulos no circuito WTA, incluindo três Grand Slams, dois Masters 1.000 e uma WTA Finals, Elena Rybakina apresentou-se ao mundo em 2020, dois anos depois de ter trocado a Rússia pelo Cazaquistão (e já bateu todos os registos históricos do país na modalidade), ganhou Wimbledon em 2022, passou depois por uma fase menos conseguida e com vários problemas físicos à mistura, voltou para conquistar tudo e todos. Sempre com Stefano Vukov, o controverso treinador que voltou a não tirar os óculos escuros ao longo da final do US Open mas que consegue comunicar com um simples olhar com Rybakina. É essa ligação que está na génese de todos os seus feitos históricos, é essa a ligação que está na génese de todas as polémicas.
▲ Elena Rybakina teve um 2026 após ter ganho o WTA Finals: ganhou o Open da Austrália e o US Open e chegou pela primeira vez a número 1 do ranking mundial
Das 15 universidades dos EUA ao Cazaquistão no ténis depois da ginástica e da patinagem
Nascida a 17 de junho de 1999 em Moscovo, Elena Rybakina não teve propriamente qualquer ligação familiar mais direta ao desporto. O pai, Andrey, originário de Almaty, era produtor do canal televisivo NTV Plus mas, como atleta, teve apenas passagem por equipas de voleibol amador. A mãe, Ekaterina, fez questão de fugir sempre a todos os holofotes mediáticos, sendo o grande apoio de toda a família em casa. Os primeiros anos foram virados para a ginástica e para a patinagem artística como a irmã mais velha, Anna. Aos seis, o pai sugeriu-lhe que experimentasse o ténis, desporto que gostava mas apenas como mero adepto. Foi e ficou.
Houve um motivo paralelo para essa “viragem” de Andrey, o grande impulsionador da prática desportiva nas filhas. Os técnicos com quem Anna e Elena iam trabalhando, fosse na ginástica, fosse na patinagem artística, deixaram alertas sobre o padrão de crescimento anormal das filhas, com tudo o que isso podia condicionar os seus futuros nas modalidades. Anna fez um par de treinos e não demorou a perceber que o ténis não era para si. No caso de Elena, bastou um para considerar que nascera para aquilo. Foi por isso que mudou depois do Dynamo Sports Club para o Spartak Tennis Club. Tinha melhores condições, tinha outra margem para ir crescendo, tinha alguns dos melhores técnicos locais que podia encontrar na altura como os ex-jogadores Andrey Chesnokov e Evgenia Kulikovskaya ou Irina Kiseleva, antiga campeã mundial do pentatlo moderno.
A partir de certa altura, o entrave ao desenvolvimento era outro: condições financeiras. Para perseguir esse sonho de ser jogadora profissional era necessário um “investimento” incomportável para a família naquela fase. Como contaria anos mais tarde, recebeu 15 convites com bolsas de estudo de universidades dos Estados Unidos, o que lhe permitiria não só manter o percurso académico como jogar e evoluir a um outro nível. No entanto, numa decisão tomada com a mulher, Ekaterina, Andrey olhava para o futuro de maneira diferente – e quando apareceu a Federação de Ténis do Cazaquistão na equação, com promessas de investir na filha com pagamento de viagens, inscrições, treinos e demais condições, todas as ofertas acabaram por cair. Aos 19 anos, Elena mudava de país e ficava também com nacionalidade cazaque entre críticas à Rússia.
Rybakina nunca quis deixar o país mas sabia que era a única forma de poder aspirar a ter uma carreira como profissional. Em paralelo, sabia que o american dream traria benefícios pessoais mas só permitia a entrada no circuito profissional a médio prazo, mesmo que noutras condições. Arriscou, mudou, ganhou.
▲ Elena Rybakina conta em muitos torneios com o apoio da irmã, Anna. Também ela deixou a ginástica e a patinagem quando era mais nova mas não gostou da experiência no ténis
Um dos pontos que queria mudar passava pelos treinadores à disposição. Ao contrário de outras jogadoras vistas como maiores “promessas”, que tinham um mentor apenas para si, Rybakina foi trabalhando num grupo de oito jogadoras até aos 15 anos e noutro de quatro jogadores até aos 18 anos, podendo apenas treinar duas horas por dia por frequentar uma escola que não tinha regime especial para atletas como havia noutros pontos de Moscovo. Mas havia mais razões de queixa nesses anos em que começava a experimentar Majors de juniores. Um dos exemplos aconteceu no US Open de 2016, quando desmaiou no jogo da primeira ronda devido aos baixos níveis de hemoglobina e não teve ajuda da Federação Russa de Ténis, que estava presente no torneio. A partir daí, ficou decidido que Elena não voltaria a ir para provas fora sozinha.
Esse episódio acabou por ser o turning point do trajeto de Rybakina no ténis. Como os recursos familiares existiam mas não eram infinitos, a possibilidade de rumar aos Estados Unidos ou mesmo ao Canadá, outra hipótese que chegou a estar em cima da mesa, foi vista de outra forma. Quando apareceu o Cazaquistão, essa escolha ficou até facilitada. A primeira experiência num Grand Slam como cazaque nem correu da melhor forma, com a eliminação no qualifying do US Open de 2018, mas a grande mudança estava a chegar.
Andrey Chesnokov ainda trabalhou em 2018 como treinador privado de Rybakina em Moscovo, não viajando depois para os torneios. Em fevereiro de 2019, apostou em Stefano Vukov, antigo jogador croata que tinha competido no circuito ITF Futures tendo como melhor ranking ATP a 1.122.ª posição antes de passar apenas a técnico em 2011, dois anos após terminar a carreira, num complexo na Flórida. Primeira diferença: Vukov acompanhava a jogadora nos torneios que ia fazendo, o que funcionou como rampa de lançamento para a progressão no estilo de jogo, na hierarquia mundial e na capacidade de lutar por vitórias em torneios WTA. Num ano, a cazaque passou do top 200 para o top 30, ganhando o primeiro título em Bucareste no ano de 2019 antes do triunfo em Hobart, em 2020. Mas isso era tudo menos um ponto de chegada. Longe disso.
Depois de ter ficado próxima de conquistar uma medalha olímpica em Tóquio, perdendo com a suíça Belinda Bencic nas meias-finais e com a ucraniana Elina Svitolina na luta pelo bronze, Rybakina conquistou o seu primeiro Grand Slam em 2022, batendo na final de Wimbledon a tunisina Ons Jabeur após ser a mais nova a chegar à decisão desde a espanhola Garbiñe Muguruza em 2015 e a ganhar desde a checa Petra Kvitova em 2011. Foi também nesse ano que a questão da nacionalidade se tornou mais falada, com dúvidas a propósito da nacionalidade cazaque tendo nascido na Rússia numa edição onde todos os atletas russos e bielorrussos foram proibidos de participar na competição – e que acabou com meios de comunicação russos a falar da vitória de Rybakina como se fosse um triunfo da Rússia, apesar de representar o Cazaquistão…
▲ Rybakina passou a jogar pelo Cazaquistão em 2018. Um ano depois, contratou o técnico que ainda hoje a acompanha: Stefano Vukov
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Nos anos seguintes, Elena continuou a ganhar. Estreou-se em triunfos em Masters 1.000, com Indian Wells e Roma em 2023, ganhou Brisbane, Abu Dhabi e Estugarda em 2024 (todos torneios WTA 500), fechou o ano de 2025 com a vitória no WTA Finals após ter vencido antes em Estrasburgo e Ningbo. Pelo meio, entre vários problemas físicos que lhe foram retirando períodos de competição, foi tentando outras soluções no plano técnico. Primeiro, por opção própria – em novembro de 2024, dispensou Vukov e apostou no ex-vencedor de Wimbledon, Goran Ivanisevic, numa parceria que terminou pouco depois na sequência da eliminação do Open da Austrália de 2025. Depois, sem ter opção – pouco depois de ter passado a contar de novo com Vukov, o técnico foi suspenso durante um ano por abusos psicológicos à jogadora, o que fez com que contratasse o antigo jogador italiano Davide Sanguinetti. Em agosto, o castigo acabou e Vukov voltou, numa parceria que não mais foi desfeita mas que passou a contar também com Stanislav Khmarskyi.
Foi com a dupla de técnicos que Rybakina conseguiu o melhor ano da carreira no circuito WTA, ganhando o US Open frente a Aryna Sabalenka (que levava duas finais ganhas e 19 triunfos consecutivos em Nova Iorque) e chegando pela primeira vez a número 1 mundial já depois de ganhar o Open da Austrália diante da mesma jogadora bielorrussa. Antes, de acordo com uma investigação do The Athletic, a cazaque terá confidenciado a várias pessoas que a relação com Vukov se tinha tornado “pessoal e romântica”, tendo partilhado o quarto no Open da Austrália de 2025, numa fase em que o técnico estava suspenso pela WTA e não tinha acesso a credenciais do Grand Slam, aos locais de alojamento das jogadoras e outras instalações oficiais.
Se Rybakina é conhecida pela forma gélida com que enfrenta momentos chave entre a personalidade tímida e calma, como se voltou a ver agora no US Open, Vukov é descrito como alguém com sangue a ferver e reações intempestivas. É certo que a presença da irmã Anna – que se tornou criadora de conteúdos digitais sem ter uma ligação ao desporto na prática – em muitos torneios dá uma enorme estabilidade mas é o trabalho desenvolvido com Stefano Vukov nos últimos anos que está na base de tudo (no bom e no mau). Tudo ou quase tudo, tendo em conta a importância que outro nome menos mediático teve nesta história.
Bulat Utemuratov, um conhecido bilionário cazaque ligado à indústria que já esteve também na política, não tem registo oficial enquanto jogador de ténis mas é um adepto fervoroso da modalidade. Por isso, em 2007, decidiu montar um sistema que permitisse desenvolver o desporto no país desde a base, sem cair naquele erro habitual de começar a construir o edifício pelo telhado. Criou primeiro as infraestruturas, procurou de seguida os melhores para usufruírem das mesmas. Alexander Bublik foi um exemplo, Elena Rybakina outro. Aquilo que tinham a menos na Rússia encontraram quase a mais no Cazaquistão, sendo que, no caso da jogadora nascida em Moscovo, foi esse contacto do empresário que impediu que rumasse aos EUA.
Agora, colocando tudo em perspetiva, essa chamada mudou não só a história de Rybakina mas também do ténis mundial. Exemplo prático: se não tivesse nacionalidade cazaque, não podia sequer ter jogado a edição de 2022 de Wimbledon, onde venceu o primeiro Grand Slam da carreira. Aí, tudo estava ligado à questão do país que representava. Mais tarde, o problema foi o treinador com quem trabalhava. “Definitivamente, nunca abusei de ninguém”, assegurou Vukov. “Nunca fui maltratada por ele”, defendeu Elena Rybakina. A suspensão de um ano iniciada em 2025 pode ter sido reduzida para oito meses, com regresso em agosto do último ano, mas as marcas da polémica não mais foram apagadas – tanto que, quando venceu o WTA Finals de 2025, deu uns passos para o lado apenas para não surgir na foto com a CEO da organização, Portia Archer.
Mas como é que tudo isso começou? De onde surgiu um processo a Stefano Vukov se a própria “visada” era a principal defensora do treinador? É aqui que o caminho da Rainha do Gelo se torna um pouco mais fino.
▲ Rybakina conquistou o primeiro Grand Slam em 2022, vencendo Ons Jabeur na final de Wimbledon
ADAM VAUGHAN/EPA
Da “relação tóxica” ao desafio à suspensão de Vukov antes do melhor ano da carreira
O The Athletic teve acesso a uma carta confidencial escrita por Portia Archer a resumir toda a investigação ao croata. “Abusar da autoridade e ter conduta abusiva contra a jogadora da WTA, incluindo comprometer ou tentar comprometer o bem-estar psicológico, físico ou emocional da jogadora; praticar abuso físico e verbal contra a jogadora; explorar a sua relação com a jogadora para obter interesses pessoais e/ou comerciais em detrimento do melhor interesse da jogadora”, dizia. Tudo com uma série de provas: a recusa em deixar o hotel em Nova Iorque no US Open de 2024 após ser informado por um representante da jogadora que estava dispensado, as mais de 100 chamadas e mensagens enviadas para o telefone de Rybakina, uma frase dita à atleta que foi o gatilho para a sanção: “Estúpida, sem mim estarias na Rússia a apanhar batatas…”.
“A WTA confirma que Stefano Vukov está atualmente sob suspensão provisória, enquanto se aguarda uma investigação independente sobre uma possível violação do Código de Conduta da WTA. Como parte da suspensão provisória, o Sr. Vukov não é elegível para obter uma credencial da WTA neste momento. Embora a WTA normalmente não comente investigações em curso, acreditamos ser necessário esclarecer este assunto devido a declarações públicas recentes que distorcem a situação. Não forneceremos mais detalhes neste momento”, anunciou a WTA no final de 2024. “Estou muito feliz por anunciar que o Stefano [Vukov] se vai juntar à equipa para a temporada de 2025. Obrigada a todos pelo vosso apoio. Desejo-vos um grande 2025”, escreveu nas redes sociais Elena Rybakina, quando já estava a trabalhar com Ivanisevic.
Apesar das críticas que entretanto se tinham tornado públicas de outras jogadoras ou treinadores, a cazaque continuou a “defender” Vukov – a ponto de desafiar a própria WTA e as suas proibições. De acordo com o The Athletic, Rybakina foi estando em contacto durante meses com os responsáveis do circuito, mantendo sempre a versão de que todas as acusações feitas eram infundadas (e também o contacto com o croata, com quem ia falando sempre antes e depois dos encontros). Por mais voltas que se tentasse dar, incluindo um novo Código de Conduta que apontava muito para as relações jogador-treinador, as coisas não mudavam. Nem as denúncias anónimas que teriam sido feitas antes por observadores sobre Vukov mexiam no “guião”. Nem mesmo as alegações da WTA que apontavam para as “doenças físicas e outros sintomas” que seriam “provocados” pelo treinador pela forma como tratava a discípula nos treinos. “Falso”, assegurou Rybakina.
Archer escreveu também que “havia cada vez mais indícios de que está envolvida numa relação romântica”. Mais: utilizou a palavra que muitos pensavam mas ninguém queria dizer, “tóxico”. “Para mim, é claro que a relação que criaste com a jogadora não é saudável”, disse a CEO da WTA em carta dirigida à jogadora. “É muito dececionante a forma como tudo foi conduzido, o resultado em si”, respondeu, em fevereiro de 2025, Rybakina, numa conferência de imprensa no Masters do Dubai. “Estou desapontada com a situação e com a forma como o processo se desenrolou”, admitira uma semana antes, no Masters do Qatar, em Doha.
▲ Atitudes de Stefano Vukov foram o gatilho para a suspensão da WTA mas já existiam queixas (negadas por Rybakina) dois anos antes
As queixas vinham de trás, neste caso apuradas pelo The Athletic antes de serem “acrescentadas” pela WTA. Um exemplo, dado por uma fonte que preferiu manter o anonimato, recorda o que se passou durante uma sessão de treinos no Masters de Miami, quando Vukov questionou de forma repetida a inteligência de Elena Rybakina tendo em conta que não conseguia assimilar instruções básicas que lhe estavam a ser passadas. “Não gostaria que ninguém falasse com ele ou com uma filha sua dessa forma”, apontou. A queixa avançou, nesse caso num email para o então líder da WTA, Steve Simon. “Às vezes acho que quando se está com um treinador, ele torna-se quase como um irmão, passa-se muito tempo com ele. É realmente muito triste saber o que aconteceu”, respondeu à publicação Renata Zarazua, antiga jogadora do croata.
“Depois de um grande Open da Austrália, vi alguns comentários perturbadores nas redes sociais sobre o comportamento do meu treinador, Stefano Vukov. Quero esclarecer quaisquer mal-entendidos. O Stefano acreditou em mim durante muitos anos, antes de qualquer outra pessoa. Traçámos juntos uma estratégia para que pudesse alcançar grandes feitos e o seu método reflete-se no meu sucesso em Grand Slams até ao momento. É um treinador apaixonado, com muito conhecimento sobre ténis. Ao contrário das pessoas que estão a fazer estes comentários, ele conhece-me muito bem como pessoa e como atleta. Quem me conhece bem sabe que nunca aceitaria um treinador que não me respeitasse e não valorizasse todo o nosso trabalho árduo”, respondeu Rybakina às críticas que iam surgindo em público ainda no ano de 2024.
Rybakina and Vukov ???? pic.twitter.com/0t7HifGq71
— rybafan (@rybafan) September 13, 2026
Quase numa luta “sozinha” contra tudo e contra todos, Rybakina encontrou naquilo que todos queriam que evitasse a zona de conforto para construir o caminho para a melhor temporada da carreira, com dois Grand Slams conquistados e a ascensão a número 1 do ranking mundial após vencer o WTA Finals em 2025 – de novo contra Aryna Sabalenka, a outra rainha do circuito que só ganhou quando não tinha pela frente a jogadora cazaque com quem não tem uma grande relação. Continua a viver no Dubai, continua a trabalhar com Stefano Vukov, tem agora a ajuda de mais um técnico para evoluir (Stanislav Khmarskyi). Aquilo que muitos apontavam como uma fraqueza acabou por tornar-se a principal força quando entrava no court.
▲ Rybakina venceu Aryna Sabalenka na final do US Open e, com isso, chegou ao topo do ranking mundial por troca com a bielorrussa
Na verdade, e na antecâmara deste US Open, Elena Rybakina tinha a sua participação em risco devido a uma lesão na perna esquerda que a levou a desistir do Masters de Cincinnati (e a jogar duas semanas em Nova Iorque com uma fita na zona do tendão de Aquiles da perna esquerda). “Não tenho palavras para o que acabei de conseguir, não estava à espera de nada disto quando consegui entrar no torneio”, assumiu depois do triunfo por três sets frente a Sabalenka para gáudio de Vukov – que tem o nome da jogadora tatuado por uma aposta que remonta ao primeiro Grand Slam ganho em Wimbledon – e orgulho de Utemuratov, que fez umas 14 longas horas de viagem desde Almaty para assistir num camarote ao triunfo da cazaque.
Apesar de não viver no país, de passar várias semanas a viajar e de estar sempre um período do ano a treinar na Eslováquia, Rybakina nunca se esquece de agradecer ao Cazaquistão, onde tem duas fundações ligadas a jovens, por todo o apoio prestado desde a primeira hora. “Tive à volta de 15 convites de universidades dos EUA e o meu pai queria mesmo que fosse. Por causa do ténis, podia ter uma educação melhor. Quando disse que aceitava, a Federação do Cazaquistão facilitou-me a escolha. Não era tão boa quando me contactaram, acreditaram em mim, ajudaram-me imenso. Foi tudo muito mais fácil porque passei a treinar com um treinador particular, Stefano Vukov, que viajava sempre comigo. Melhorei muito com isso”, disse ao site oficial da WTA, onde assumiu ter como grande referência “Roger Federer e sempre Roger Federer”.
“Esperemos que isto seja apenas o início”, destacou no último domingo, nas habituais sessões e entrevistas na Big Apple vestida à civil na Big Apple com o Empire State Building no horizonte. “Foi uma caminhada fantástica, que quero prolongar ao máximo. Este torneio provocou um pouco mais de stress, na medida em que podia subir a número 1 do mundo. Todos os dias eram um desafio mas senti que agora estava mais calma neste contexto do que acontecia antigamente. Continuámos a trabalhar e agora estamos a retirar os resultados de tudo o que foi feito”, acrescentou naquele que era um dia meramente de “consagração”.
Stefano Vukov coaching Elena Rybakina after she lost the first set to Qinwen Zheng #USOpen pic.twitter.com/9awMUDZCwR
— rybafan (@rybafan) September 9, 2026
Sobre Vukov e tudo o que se passou, nem uma palavra. A relação entre ambos voltou a ser abordada num encontro em específico, nos quartos frente à surpreendente chinesa Qinwen Zheng (que voltou ao melhor nível apesar de ter vindo do qualifying pelo atual ranking). Após perder o primeiro set contra a jogadora que antes eliminara Madison Keys e Iga Swiatek, Rybakina teve uma conversa mais longa e tensa com o técnico junto da sua box antes de regressar à sua cadeira com uma cara de desagrado. Venceu o parcial seguinte por 6-1 antes de fechar o jogo com 6-4, eliminou depois Coco Gauff também em três sets, ganhou a final diante de Sabalenka mais uma vez em três sets para festejar da maneira contida de sempre. Agora, mais difícil do que chegar ao topo é conseguir manter-se lá. E a cazaque conta com Vukov para chegar a essa meta.