Há uma rábula de Louis CK em que o comediante diz que entre os 40 e os 60 deixamos de existir: já não somos suficientemente bonitos ou suficientemente frescos ou suficientemente novidade para nos prestarem atenção, mas também ainda não somos suficientemente velhos para terem pena de nós e nos carregarem as compras ou nos ajudarem a atravessar a rua.

Presumo que seja consensual que haja uma dose de verdade nisto e que é essa dose de verdade que torna a piada simultaneamente empática e lúgubre; mas do que aqui tratamos não é de semiótica humorística, mas de música, sendo que na música também costuma ser assim.

Artistas vindos do nada que de repente captam a atenção do mundo são às pazadas, de Elvis a Rosalía; também não são raros os casos de artistas que, chegados a uma certa idade, conseguem usar a sua sabedoria e, inclusive, os seus falhanços, para revitalizar a sua carreira – Tom Zé, Johnny Cash e Elza Soares são disso excelentes exemplos.

[“Devils  & Angels (Hatred)”:]

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