Mais de 200 obras de 61 artistas de várias gerações vão estar reunidas na exposição “Festa. Fúria. Femina.”, da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, a partir de 22 de setembro, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa.

Constituída quase exclusivamente por obras de arte contemporânea de artistas portugueses, a Coleção da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) será pela primeira vez apresentada ao público em tão larga escala, e com o objetivo de assinalar os seus 35 anos, segundo a organização.

Até 25 de janeiro de 2021, as 228 obras, com mais de duas dezenas delas recentemente adquiridas, ficarão patentes na Central Tejo — Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Belém, resultado de uma seleção pelos curadores António Pinto Ribeiro e Sandra Vieira Jürgens, a partir de mais de mil que compõem a coleção.

Alberto Carneiro, Eduardo Batarda, Álvaro Lapa, Helena Almeida, Ana Hatherly, Jorge Pinheiro, Ana Jotta, Menez, Ângela Ferreira, Lourdes Castro, Júlio Pomar, Pedro Proença, Sara Bichão e Ionamine são alguns dos artistas representados nesta mostra.

A exposição — uma coprodução entre a FLAD e a Fundação EDP/MAAT — parte do vasto acervo, iniciado em 1986, constituído maioritariamente por desenho. Contempla também pintura, fotografia e escultura.

São obras que “estabelecem diálogos e tensões, convocando enquadramentos sócio-históricos diversos e que representam a cena artística portuguesa desde a década de 1980, assim como uma geração de artistas que tem vindo a privilegiar a interdisciplinaridade”, segundo um texto descritivo daa coleção.

Na mostra figuram mais de 25 obras recentemente adquiridas, que se enquadram no conceito de transversalidade que a exposição pretende mostrar.

“Nesta nova geração de artistas, cada vez mais transfronteiriços e interdisciplinares, a presença de artistas mulheres não só não pode ser escamoteada, como a sua produção é determinante na cena artística internacional”, assinalam os curadores, acrescentando que a exposição tem por objetivo mostrar as várias direções da coleção e a sua transversalidade.

Três eixos “emergem da coleção que dão nome a esta exposição – ‘Festa. Fúria. Femina.’ – dialogando e gerando ideários: celebram a coleção, evocam a dimensão de performatividade inerente às práticas artísticas contemporâneas e destacam a dimensão feminina, exigindo um renovado olhar sobre a história de arte que tanto escamoteou as artistas”, sublinha ainda o texto.

A coleção constituiu-se a partir do desenho, mas com abertura a sucessivas aproximações a outros géneros artísticos, passando a incluir também pintura, fotografia e escultura.

Em 1986, poucos meses depois da criação da FLAD, iniciaram-se as primeiras aquisições de obras de arte daquela que viria a ser a Coleção da FLAD, por Manuel Castro Caldas, artista, professor, programador, diretor executivo do Ar.Co — Centro de Arte e Comunicação Visual, posteriormente coadjuvado pelos artistas Manuel Costa Cabral e Rui Sanches, até à suspensão das aquisições, em 2003.

Estas foram, porém, retomadas pela FLAD no final de 2019, e prosseguidas no corrente ano 2020, assim como a catalogação e tratamento da Coleção de Arte Contemporânea da fundação, criando uma base de dados, em colaboração com a empresa Sistemas do Futuro.