Primeiro foi a vitória no Golden Foot de 2020, numa votação aberta ao público onde concorria com nomes de peso com Lionel Messi, Lewandowski, Sergio Ramos, Neymar ou Salah. A seguir, o golo 750, apontado na Champions e na receção ao Dínamo Kiev onde se tornou também o jogador com mais golos apontados como visitado na prova (já era o que tinha mais golos fora também). Agora, o prémio de melhor jogador da Serie A no mês de novembro, “com eficiência e agressividade técnicas a 96% e física a 93% nas jornadas 6, 7 e 8”, como detalharam os dados estatísticos em relação aos jogos com Spezia, Lazio e Cagliari onde marcou cinco golos após a paragem.

Ronaldo volta, Juventus ganha e português chega ao golo 750 da carreira (e supera mais um registo de Messi)

“Cristiano Ronaldo é um campeão infinito que o mundo inteiro inveja. Também esta temporada está a deliciar todos os amantes do futebol com as suas jogadas e atuações de alto nível. Este ano é o seu melhor início de Campeonato, com oito golos marcados nas cinco primeiras partidas. Pela terceira vez em três temporadas na Serie A, CR7 obteve o prémio MVP, demonstrando consistência e capacidade de ser sempre decisivo”, comentou Luigi De Siervo, CEO da Serie A, após a distinção entregue esta tarde no dérbi de Turim frente ao Torino.

Nem todos se renderam por completo a Ronaldo e António Cassano, antigo internacional italiano, é mais um dos exemplos que, em conversa na rede social Twitch com o também ex-avançado transalpino Christian Vieri, explicou a razão que pode transformar o português num problema para o treinador. “Pode ofuscar as ideias de Pirlo para a equipa. A Juventus não precisa de Cristiano Ronaldo para conquistar a Serie A, contrataram-no para vencer a Liga dos Campeões. E ainda não o conseguiram fazer. Para mim, ele é um problema tático para muitos treinadores. Com ele, entras a ganhar 1-0, mas só vive para o golo, não é como Messi que faz a equipa jogar”, disse, numa ideia contrária ao primeiro treinador do português nos bianconeri, Massimiliano Allegri.

“Treinei muitos jogadores fortes, com uma mentalidade muito vincadas. Alguns defesas como o Chiellini ou o Nesta, médios como o Gattuso ou o Seedorf, avançados como o Ibrahimovic e o Ronaldo. O Ronaldo é o melhor mentalmente, tem uma mentalidade diferente de todos. Ganhou cinco Bolas de Ouro, cinco Ligas dos Campeões e um Campeonato da Europa por Portugal. Isso é tão difícil de alcançar e foi sempre ele a fazer a diferença. Todos os anos ele tem um objetivo novo em mente”, salientou o técnico transalpino, em entrevista ao The Times. Pode ser mas, no dérbi, não teve influência. Nem ele, nem Dybala, nem a equipa. A Juve conseguiu ganhar ao Torino com uma reviravolta no final do encontro mas continua muito abaixo da produção para um candidato. E aqui não se aplica a ideia de Cassano porque existe um problema de identificação com uma ideia e não com o principal jogador.

A entrada, essa, não podia ter sido pior: sem ideias no plano ofensivo apesar das apostas em Chiesa, Kulusevski e Dybala no apoio a Ronaldo com um meio-campo que contava ainda com Rabiot e Betancur, a Juventus voltou a revelar algumas debilidades defensivas aproveitadas por N’Koulou para inaugurar o marcador após insistência de bola parada (9′) e por Simone Zaza, que se conseguiu isolar nas costas de De Ligt antes do remate na área descaído na direita para defesa de Szczesny. Foi preciso esperar pela meia hora para, pela primeira vez, haver uma jogada a criar desequilíbrios pela ala, com o português a cruzar mas para zona de ninguém, antes de Lyanco, central a sair com bola mas sem oposição, arriscar a meia distância ao lado (32′). O intervalo com um único remate de Dybala para defesa de Sirigu (43′) e Ronaldo a jogar mais fora da área do que na zona de finalização.

No segundo tempo, as características do encontro mantiveram-se apesar de um golo anulado a Cuadrado pelo VAR, na sequência de uma segunda bola após canto onde o árbitro Daniele Orsato entendeu que havia um jogador mais adiantado que se colocou no raio da visão de Sirigu na altura do remate (57′). Pirlo lançava as opções que tinha no banco (Morata, castigado, ficou de fora) com Ramsey, Alex Sandro e Weston McKennie a saírem para jogo e foi o americano a começar a reviravolta com um golo de cabeça após cruzamento de Cuadrado (77′) antes de Bonucci, em mais um golo pelo ar, fazer o 2-1 a um minuto do final que deu a vitória mas que em nada alterou o cenário que se vai acentuando em Turim: ou a equipa começa a jogar mais ou o lugar de Pirlo começa a ficar em perigo…