O músico brasileiro Rodrigo Amarante vai lançar um disco novo este verão e tem concertos marcados em Lisboa e no Porto para abril de 2022. A informação é avançada pela promotora dos dois concertos em Portugal, que acontecerão dia 18 na Casa da Música, no Porto, e a 19 no Capitólio, em Lisboa. Os bilhetes ficam à venda a partir desta sexta-feira, 7 de maio.

Os concertos agora anunciados são os primeiros da digressão de apresentação do próximo disco do cantor e compositor brasileiro, que se chamará Drama e que será editado a 16 de julho pela discográfica independente norte-americana Polyvinyl. O álbum sucede a Cavalo, o disco anterior de Rodrigo Amarante — que fez ainda parte da banda brasileira Los Hermanos e do grupo Orquestra Imperial e que foi o autor da canção “Tuyo”, incluída na série “Narcos”.

O primeiro single do disco foi revelado esta sexta-feira. Trata-se de “Maré”, descrita como “uma canção otimista e aparentemente feliz, que encerra detalhes menos alegres, escondidos sob a superfície”, segundo o seu autor. Rodrigo Amarante assina ainda a realização do videoclip e dá mais detalhes sobre o tema:

“Esta canção é sobre como moldamos o nosso destino e carácter, pelo que ansiamos, desejamos, sonhamos, apesar do resultado. O vídeo não é sobre isso, é sobre como escrever a música, ou qualquer música, não sobre a música em si. É uma representação da escrita, um olhar sobre a obra que vai produzir a magia que está escrevendo, voltando assim ao que molda meu próprio destino, meus desejos e anseios, do que fala a música. Digo mágica porque há um elemento imprevisível na escrita, mas é uma atividade mental: aí reside o drama”, refere.

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Segundo o comunicado enviado à imprensa, o disco começou a ganhar forma em 2018. Ao longo da composição e posteriormente da gravação — feita pelo guitarrista e cantor Rodrigo Amarante com a sua banda, “Lucky” Paul Taylor na bateria, Todd Dahlhoff no baixo e Andres Renteria na percussão —, “algumas músicas foram retiradas do fundo das gavetas e outras ideias surgiram”.

A pandemia acabou por influenciar na sonoridade do disco, dado que Rodrigo Amarante ficou sozinho a trabalhar em overdubs e na mistura das canções com Noah Georgeson (um trabalho colaborativo feito à distância). “Comecei o álbum querendo focar no ritmo e na melodia, abandonar aquelas ricas progressões de acordes e modulações que herdei do Brasil e ser mais direto por um tempo. Enquanto escrevia, percebi que havia um gatilho para mim naquela tentativa, uma sombra do garoto de cabeça raspada que eu deveria ser, sugando-o. Em vez disso, abracei as complicações que herdei”, refere agora Rodrigo Amarante.

Tudo pode acontecer com Rodrigo Amarante. E aconteceu

O artista brasileiro descreve ainda o processo de feitura de canções e a sua utilidade para o mundo: “Encarar o absurdo permanecendo gentil, estando aberto aos dons da confusão; é por isso que criamos essas ferramentas que são histórias e músicas, para nos ajudar a ver uns aos outros”.