Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

É difícil de acreditar que esta história nunca tivesse sido contada: no século XIX, escravos e abolicionistas escavaram uma rede de túneis e uma linha subterrânea de caminhos-de-ferro foi construída nos Estados Unidos da América, para permitir a fuga para os estados livres no Norte, o Canadá ou até o México. À rede, aos homens e mulheres que colaboraram na sua construção, manutenção e funcionamento e àqueles fugiram através dela, chamaram The Underground Railroad. Estima-se que, por volta de 1850, 100 mil homens e mulheres tivessem entrado nela em escravatura e saído na estação da liberdade.

Numa nota do realizador distribuída conjuntamente com a promoção do lançamento da nova série da Amazon Prime, Barry Jenkins fornece a pista para o porquê de esta história épica ser ainda tão estranha e desproporcionalmente pouco conhecida. 50 anos depois do holocausto, Steven Spielberg fazia “A Lista de Schindler” – tantos filmes se têm, felizmente, feito sobre o assunto. Mas – e salvaguardadas as devidas distâncias, até de meios para a captação documental – 50 anos depois da escravatura, Griffith ainda andava a fazer “Birth of a Nation”. “O trauma está aí”, conclui Jenkins, “mas não sentimos a vergonha como nossa”.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.