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Num país de festivais adiados, há quem resista: "Temos 99% de certeza que o Tremor vai acontecer em 2021"

Este artigo tem mais de 6 meses

Os adiamentos sucedem-se, mas em Portugal o verão também terá festivais de música. É o caso do açoriano Tremor. A organização explica como se fará este festival em pandemia e antevê as mudanças.

Em 2019, o festival promoveu uma atuação conjunto da banda rock catalã Za! com o grupo de música e danças tradicionais e locais Despensas de Rabo de Peixe
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Em 2019, o festival promoveu uma atuação conjunto da banda rock catalã Za! com o grupo de música e danças tradicionais e locais Despensas de Rabo de Peixe

Diogo Lopes / Observador

Em 2019, o festival promoveu uma atuação conjunto da banda rock catalã Za! com o grupo de música e danças tradicionais e locais Despensas de Rabo de Peixe

Diogo Lopes / Observador

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Os adiamentos de festivais de música para 2022 têm-se sucedido em Portugal: já se sabe que este ano não existirá NOS Primavera Sound, Rock in Rio Lisboa, NOS Alive ou MEO Marés Vivas, por exemplo. Em agenda continuam festivais de verão como o Sumol Summer Fest, o Super Bock Super Rock, o MEO Sudoeste e o Vodafone Paredes de Coura, mas a sua realização em 2021 é ainda uma incógnita: os promotores dizem estar à espera dos resultados dos espectáculos-piloto e de mais detalhes das autoridades sobre os moldes em que os festivais poderiam ou não acontecer para tomarem uma decisão.

Distante destas incertezas está o festival açoriano Tremor. Depois da sétima edição, inicialmente agendada para 2020, ter sido adiada para 7 a 11 de setembro de 2021, já não há grandes dúvidas de que o festival que tem epicentro em São Miguel acontecerá mesmo este ano. Salvo qualquer volte-face inesperado, “vai mesmo haver Tremor em 2021, temos 99% de certeza que teremos capacidade para receber artistas e comunicar os artistas às pessoas”, garante ao Observador Márcio Laranjeira, diretor criativo do festival e um dos responsáveis pela editora discográfica e promotora Lovers & Lollypops.

Na conversa com o Observador, Márcio Laranjeira dá vários detalhes sobre como será a edição de este ano do Tremor, que já está esgotada: como foi preparada, que mudanças estão previstas face à pandemia da Covid-19, quantas pessoas esperam ter no festival e o que poderá ou não mudar até setembro. E faz uma revelação: a vertente musical do cartaz será revelada na íntegra já daqui a uma semana e meia, dia 7 de junho (uma segunda-feira).

A primeira pergunta tem de ser esta: vai mesmo haver Tremor em 2021?
Vai mesmo haver Tremor em 2021. Essa foi a maior premissa para começarmos até a comunicá-lo. Estivemos à espera e a entender o panorama, dentro da volatilidade que existe neste cenário de pandemia e regras. Mas montámos um Tremor que temos 99% de certeza que vai acontecer e que pode acontecer. Temos 99% de certeza que teremos capacidade para receber artistas e comunicar os artistas às pessoas. É impossível ter certeza a 100%, porque até podem acontecer outros azares que não tenham nada a ver com Covid.

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Que mudanças existirão nesta edição face ao que é habitualmente o Tremor? Que mudanças é que a pandemia provocará no festival?
Em primeiro lugar, vamos ter um festival com menor capacidade de público. Com o cancelamento do primeiro Tremor [em 2020], demos a opção às pessoas de devolverem o bilhete que tinham ou de ficarem com o bilhete para o ano de 2021. Tivemos 60% de pessoas que mantiveram o bilhete e serão essas que vão poder ir ao Tremor em 2021. A capacidade possível vai ser reduzida para conseguirmos lidar com todas as questões associadas ao distanciamento social, à marcação de lugares e às restrições em vigor à data de hoje nos recintos de espectáculos.

Depois, acontece que o Tremor na sua data original — que é em março — tem muito uma lógica de circulação entre espaços, entre espaços cobertos e salas de espectáculo na cidade. Este ano, também por termos mudado de data para setembro, vai ser um festival muito mais ao ar livre. Vamos privilegiar espaços ao ar livre, na cidade de Ponta Delgada e na cidade da Ribeira Grande. E vamos privilegiar também uma série de atividades que possam ser fruídas não em grupo, mas de forma individual, em vários espaços da ilha, sem haver um horário específico que faça com que as pessoas estejam todas juntas ao mesmo tempo no mesmo lugar. Haverá dinâmicas diferentes e horários diferentes de fruição.

Tremor 2019. Isto não é bem um festival de música, “é o paraíso”

Falava de uma lotação de 60% de pessoas. Quantas pessoas é que o Tremor pode receber num cenário normal e quantas vai receber este ano?
Normalmente temos 1500 pessoas por dia. Este ano, já com convidados, parceiros, artistas e staff, teremos 750 pessoas por dia. Em termos de público, de espectadores, teremos 500 e poucas pessoas por dia.

Estão convictos de que será possível controlar e assegurar a manutenção do distanciamento físico entre pessoas e o uso de máscara, se em setembro tal ainda for necessário?
Sim, até pela experiência que temos tido. Faço parte da [editora e agência] Lovers & Lollypops e estamos a organizar concertos e espectáculos. Já no verão do ano passado o fizemos, este ano temo-lo feito quando foi possível. Uma coisa que temos notado bastante no público que tem frequentado os espectáculos que temos feito, e que terá algumas semelhanças com o público que frequenta o Tremor, é um total respeito por todas as regras.

Contudo, apesar de hoje estarmos preparados para fazer o Tremor desta forma, caso até setembro as restrições sejam reduzidas também vamos conseguir descomplicar o festival a nível de restrições e de lotação. Num cenário ideal até poderemos voltar à lotação normal. Os espaços que temos são super orgânicos e conseguimos adaptar e passar de um cenário de pessoas sentadas, que é o que está neste momento pensado, para um cenário de pessoas em pé se isso for possível.

Nos espaços ao ar livre está previsto que o público esteja sentado? Até aqui, por exemplo nos concertos-surpresa e noutras atividades ao ar livre, o público via os concertos de pé.
Estamos a desenhar o Tremor às regras que estão em vigor hoje. Se for com as regras de hoje, o que temos planeado é ter as pessoas sentadas. Por exemplo, no caso dos concertos-surpresa, o que chamamos Tremor na Estufa, teremos uma lógica de sessões: em vez de termos todas as pessoas a ver ao mesmo tempo, teremos as pessoas distribuídas por duas sessões diferentes caso nessa altura [setembro] isso seja necessário. Vamos dividir o público em grupos, para termos concentrações menores de pessoas.

Ao longo dos anos, o festival acolheu concertos em diversos pontos (alguns inusitados para espectáculos) da ilha de São Miguel e da cidade de Ponta Delgada

Diogo Lopes / Observador

Têm tido contactos com as autoridades de saúde, no sentido de confirmar se será exequível e seguro fazer o festival?
Sim. Para já o contacto que tem existido tem sido muito baseado nas regras que vigoravam na mesma altura do ano [setembro] em 2020. Na altura o Tremor não aconteceu, mas tivemos por exemplo o Avante a funcionar, foi na mesma altura [no final do verão], com o mesmo tipo de regras [que estão a preparar para o Tremor 2021], com mesmo tipo de lógica.

Está provado que é possível fazer esse tipo de eventos ao ar livre em segurança, com limitações e com distanciamento. Contudo, já vimos durante esta pandemia que a maior dificuldade é planear. As pessoas conseguem planear a três semanas ou a 15 dias, não conseguem planear para setembro [a quatro meses]. Neste momento o trabalho que temos tido é manter um diálogo constante mas também sabemos que as regras — que vão ser 100% aplicadas — serão passadas pela parte deles [DGS] à organização [do Tremor] mais próximas do evento e não com uma distância temporal tão grande. Isso dificulta muito a vida de quem organiza.

Uma das condicionantes à realização de festivais, que tem sido invocada pelos promotores para adiar as suas edições, é até paralela à possibilidade de fazerem ou não os festivais sem lotação reduzida. Uma das questões invocadas passa pelos artistas internacionais não quererem vir para Portugal e para a Europa em 2021. Sentiram isso, na organização desta edição? Foi uma dificuldade e marcará o cartaz?
Sim, sim. Existem coisas que não será possível que aconteçam. No Tremor, temos um histórico de programação de artistas sul-africanos, sul-americanos, asiáticos… destas localidades é impossível. Não vai haver digressões para artistas dessas regiões e não virão sem digressões. Na Europa ainda se está a ver o que é ou não possível mas haverá uma lógica muito mais de one-offs: voar, fazer um concerto e voltar, caso o país de onde o artista vem esteja numa situação que não exija quarentena. É uma situação ainda frágil e durante o verão vai-se perceber melhor.

Tivemos de fazer um ajuste ao alinhamento, que será um alinhamento muito mais nacional do que anteriormente. Mas não estamos nada melindrados nem tristes com termos feito isso. Acho que o próprio mercado português devia repensar a forma como reage a essa adversidade, porque existe muito esse discurso que artisticamente Portugal não produz o suficiente para preencher os cartazes dos grandes festivais. Se os próprios programadores pensam assim, claro que isso passa a ser uma verdade.

Não é uma verdade?
Existe um mercado interno que produz e que tem artistas e técnicos e pessoas que trabalham e que pode muito bem preencher um circuito, que é o circuito que tem sido alimentado do ano passado até este ano. É possível fazer assim. Quem quiser e tiver disponibilidade de adaptação [para ter um cartaz mais nacional, eventualmente para menos espectadores e com menos lotação] vai poder fazê-lo e vai poder levar as coisas para a frente. Só chorar no leite derramado e dizer que ‘não dá, não dá’ porque a banda dos EUA não vem parece-me um pouco triste no que espelha de relação e visão que se tem do mercado interno. Significa quase assumir que o artista português só serve para tocar às 18h no palco secundário. Parece-me uma tomada de posição limitadora em relação à capacidade do país produzir cultura e produzir artistas.

O cartaz do Tremor este ano será maioritariamente nacional, exclusivamente nacional, um misto entre nacional e internacional?
Será um misto, com percentagem maior de artistas nacionais.

Quando é que planeiam revelar novidades da composição do cartaz?
No dia 7 de junho iremos anunciar todo o cartaz de música do festival. Já anunciámos uma parte do cartaz que tem a ver com residências artísticas e com uma exposição que vamos fazer. Toda a parte de música será anunciada a partir de dia 7 de junho e esperamos até ao início de julho revelar todas as localizações, todas as atividades paralelas e tudo o que fará parte do festival este ano.

A última edição do festival aconteceu em 2019 e promoveu encontros artísticos como o do grupo de música e danças tradicionais Despensas de Rabo de Peixe (na imagem) com a banda de rock catalã Za!

Diogo Lopes / Observador

Em termos de bilhetes, falava de 60% de pessoas que quiseram manter o bilhete de 2020. São essas que vão compor o festival em 2021. Isso significa que já não há bilhetes disponíveis para o Tremor, certo?
Certo.

Quem ainda quiser ir, só tendo a esperança que alguém que tenha guardado o bilhete o queira vender por não poder ir?
Sim, é a única forma: se algum portador por alguma razão não poder ir e colocar o bilhete à venda. Ou então assistirmos a um alívio nas regras e podermos colocar mais bilhetes à venda. Essa parte, apesar de termos toda a vontade, não está nas nossas mãos, não conseguimos dizer que vai acontecer ou que não vai acontecer. Se calhar a uma semana do evento vamos poder pôr mais bilhetes à venda, ou se calhar na semana a seguir já seria possível ter colocado mais bilhetes à venda do que os que pusemos… É assim.

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