Um software criado na Universidade de Aveiro aprende automaticamente a identificar o pintor de uma obra de arte e situá-la numa corrente artística e é capaz de detetar falsificações, revelou esta sexta-feira fonte académica.

Desenvolvido na Universidade de Aveiro (UA), o Panther (pantera em português) promete ser “um felino incansável na hora de descobrir os verdadeiros autores das obras ou de caçar falsificadores”.

São já várias as dezenas de artistas que o Panther, assim se chama o programa, consegue identificar, tais como Caravaggio, Klimt, Miró ou Picasso, mas também os menos conhecidos O’Keeffe, Seurat ou Schiele.

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Através da análise da imagem digitalizada da pintura, o Panther “reconhece potencialmente a autenticidade da obra e, como um verdadeiro especialista humano, em que tendência estética se insere”.

Criado no Instituto de Engenharia Eletrónica e Informática de Aveiro (IEETA), uma das unidades de investigação da UA, o software tem a assinatura dos investigadores Jorge Silva, Diogo Pratas, Rui Antunes, Sérgio Matos e Armando Pinho.

O Panther contém um algoritmo que mede informações probabilístico-algorítmicas de pinturas artísticas e usa-as para descrever como cada autor normalmente compõe e distribui os elementos pela tela e, portanto, como seu trabalho é percebido”, explicam Jorge Silva e Rui Antunes.

O software, acrescentam, “também permite identificar padrões e relações ocultas presentes em pinturas artísticas e realizar uma classificação, nomeadamente a identificação de autor e de estilo”.

Através da análise das mais de 4200 imagens de pinturas digitalizadas, um número que pode crescer de forma a poder abarcar cada vez mais artistas e as respetivas obras, o Panther cria aquilo a que a equipa de investigação chama de “fingerprint” do autor.

O software consegue aproximar a forma única e intransmissível como cada autor distribui pela tela os elementos da respetiva pintura e essa informação, sublinham os autores do trabalho, “é bastante descritiva e conjuntamente com softwares de modelos de compressão e de redes neuronais pode ser usada para fins de classificação de autores e estilos com grande precisão”.

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Os autores acreditam que, no futuro, este tipo de ferramentas “venham a depender menos da presença de um especialista para fazer a autenticação de obras”.

Contudo, avisam os investigadores, “a presença de um ser humano especializado não pode ser descartada nos próximos tempos porque existem contrafatores capazes de fazer falsificações de obras a um nível muitíssimo detalhado que enganam, por vezes, os especialistas da própria área”.

“O Panther utiliza apenas uma digitalização da imagem. Uma pintura é um objeto quadrimensional e físico em que certas características como a espessura da tinta utilizada e a sua idade, são difíceis de ser observados apenas por fotografia”, lembra Jorge Silva.

O trabalho da equipa do IEETA é acompanhado do website http://panther.web.ua.pt/ que mostra, além de outras informações, um catálogo completo das fingerprints de cada autor, bem como vários exemplos de pinturas de cada um deles.