O filme Duas Vezes João Liberada, da realizadora portuguesa Paula Tomás Marques foi selecionado para o Festival de Cinema de Berlim, na Alemanha, cuja programação foi esta terça-feira anunciada pela nova diretora artística da Berlinale, Tricia Tuttle.

A longa-metragem portuguesa vai integrar a secção competitiva “Perspectives”, dedicada a primeiras longas-metragens de ficção e que vem substituir a extinta “Encontros”, que no ano passado selecionou o filme Mãos no Fogo, de Margarida Gil. Tricia Tuttle apresenta o filme português como “um filme dentro de um filme”.

Duas Vezes João Liberada é uma produção independente de Cristiana Cruz Forte e Paula Tomás Marques em colaboração com a atriz principal e co-argumentista, June João. A longa-metragem é distribuída pela Portugal Film — Agência Internacional de Cinema Português.

“João, uma atriz lisboeta, protagoniza um filme histórico biográfico sobre Liberada, uma jovem dissidente de género perseguida pela Inquisição. Após o realizador do filme ficar misteriosamente paralisado, João é assombrada pelo espírito da personagem”, lê-se na sinopse da obra. O filme realizado por Paula Tomás Marques “explora os desafios de reconstruir e representar histórias queer no cinema, refletindo sobre os modos de escrita da História, as limitações narrativas de uma produção cinematográfica e o papel da atriz no processo criativo”, nota o comunicado da distribuidora enviado às redações. O elenco é composto por June João, André Tecedeiro, Jenny Larrue, Alice Azevedo, Caio Amado, Eloísa d’Ascensão e Tiago Aires Lêdo.

Paula Tomás Marques (1994) é uma realizadora portuguesa do Porto. Esta é a primeira longa-metragem, depois de cinco curtas, entre elas Em Caso de Fogo (2019), filme realizado em contexto escolar que foi vencedor do prémio NEST do festival de San Sebastian.

A 75.ª edição do festival de Berlim decorre naquela cidade alemã de 13 a 23 de fevereiro e abre com The Light (Das Licht) do realizador alemão Tom Tykwer. O cineasta norte-americano Todd Haynes presidirá ao júri internacional que atribui prémios como o Urso de Ouro e Urso de Prata aos filmes em competição.

Da programação anteriormente anunciada pelo festival fazem parte o filme Mirage: Eigenstate, do artista indonésio Riar Rizaldi, que tem coprodução portuguesa. Está na secção Fórum Expandido do Festival de Cinema de Berlim.

“La memoria de las mariposas” estreia-se no Festival de CInema de Berlim

O filme com coprodução portuguesa La Memoria de las Mariposas, da peruana Tatiana Fuentes Sadowski, também vai fazer a sua estreia mundial no festival. Com participação da produtora Oublaum Filmes, o filme – cujo projeto passou pelo DocLisboa – é descrito como “uma viagem pessoal através dos arquivos da Amazónia que liga pesquisa e especulação”, no qual a realizadora entrelaça a sua própria história com a de duas crianças indígenas levadas à força para a Europa. O filme, um documentário experimental que evoca as vítimas indígenas do comércio da borracha no Peru, estreia-se na secção Forum.

No mercado das séries, a série portuguesa de ficção Espias, de Pandora da Cunha Telles, está selecionada para o mercado que acontece em paralelo ao Festival de Cinema de Berlim, marcado para fevereiro. Espias, uma produção da portuguesa Ukbar Filmes com a Polónia, foi uma das 17 produções televisivas internacionais escolhidas para antevisão no Berlinale Series Market.

Ainda no festival de Berlim, a atriz escocesa Tilda Swinton vai ser distinguida com o Urso de Ouro Honorário.