1243,2kWh poupados 1243,2 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Franz Ferdinand na Aula Magna: a festa com os amigos de Alex

Este artigo tem mais de 1 ano

A apresentação ao vivo, em Lisboa, do sexto álbum dos Franz Ferdinand correu como esperado: com festa e gratidão. Mais nas canções antigas do que nas do novo disco. 

Alex Kapranos continua a ser o centro dos Franz Ferdinand, o princípio e o fim da banda
i

▲Alex Kapranos continua a ser o centro dos Franz Ferdinand, o princípio e o fim da banda

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

▲Alex Kapranos continua a ser o centro dos Franz Ferdinand, o princípio e o fim da banda

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Será que temos pedalada para Alex Kapranos? É esta a pergunta que qualquer pessoa de 15 anos faz antes de ir a um concerto dos Franz Ferdinand. Claro que os que estão acima dos 30 nem se atrevem a sacar da interrogação. Porque Kapranos joga-se como poucos. Está nos 52 e foi pai, o que, imagine-se, considera “refrescante”. Veio à Aula Magna não como um catedrático esfalfado, mas com a leveza de um candidato a um estágio. E com o atrevimento também.

Human Fear, o título do novo álbum, é um bom conceito, assente num dos mais próximos dos sentimentos e na possibilidade de o superar, realizado com o lume do talento da banda – único. Há algo que se sente ao ouvir os Franz Ferdinand e que só se consegue topar nas melhores agremiações do indie pop-rock. Uma ideia de facilidade. A compor e a tocar. Há algo de beatlesco nos Franz Ferdinand — e isso pôde novamente ser comprovado esta sexta-feira à noite. O dom para a canção espalhou-se num alinhamento que se centrou no último álbum, mas que trouxe aqueles hits que os cidadãos da loja pediam, de senha imaginária na mão. Os amigos de Alex são muitos e têm idades variadas.

Antes do concerto, conversava com um amigo sobre uma certa ingratidão, notada aqui e ali nalgumas prosas indie chic, na receção ao novo álbum. E chegámos à conclusão de que se o novo álbum dos Ferdinand fosse o primeiro de uma banda que está aí a aparecer seria saudado com se fosse um champanhe refinadíssimo, a merecer prosas transbordantes de semiótica, prémios sobre uma misturada entre inovação e citação. Troféus com um cruzamento de merecimento e deslumbre. Porque nem tudo é fabuloso em Human Fear. Mas há muita qualidade na montra.

▲ No seu ambiente ao mesmo tempo cool e ansioso, o concerto anunciava-se como festa, confirmando-se que o mundo, em 2025, está a precisar de comunitária celebração

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Vamos (mesmo) ao concerto – que, no seu ambiente ao mesmo tempo cool e ansioso, se anunciava como festa, confirmando-se que o mundo, em 2025, está a precisar de comunitária celebração (o editorial do número de Fevereiro da Les Inrockuptibles, “Hymnes à la joie”, fala disso). A banda trazia como missão a de apresentar o novo disco, sim, com uma formação que inclui o dotado guitarrista Dino Bardot e a vigorosa baterista Audrey Tait. Álbum covidianamente adiado – como referiu Kapranos numa belíssima conversa com Tim Burgess, dos Charlatans, no seu programa mais do que recomendável.

Tudo começou a meio tom com The Doctor, terceira canção de The Human Fear, com os seus órgãos a convidar ao ziguezague da dança. A letra é bastante boa e apela a um pedido de um doente para não ter alta:

“I’ve become accustomed
To this level of attention

I have nurses I can talk to
And thermometers to hold”

Quem nunca? Os fãs – e todos os fãs têm um lado de paciente – não reagiram grandemente, como se não conhecessem ou não valorizassem o que estavam a ouvir. A segunda foi um saltito até 2004 com o – aí já entusiasmante para a vontade de abanar das pessoas – The Dark of the Matinée. Lá à frente, um notório devoto que trazia vestida uma T-shirt dos Teenage Fanclub era um dos mais embalados da noite.

▲ Não há Alex sem aquela dose de ironia que nunca chega a ser cínica. Ele sabe que o emprego do cinismo já tem muita gente no quadro

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Regresso ao álbum-novidade, com a singela Night or Day. E, outra vez, uma volta de carro pelos inícios – desta vez pelo segundo álbum, com Walk Away, provocando o primeiro pico, com várias vozes no público a cantar, em modo melancólico. Logo a seguir, a estreia, nas atuações ao vivo, de Cats – um pequeno falhanço nos acordes e a referência trouxe aquela comoção da exclusividade. Também tivemos um instante Tonight, de 2009, com No You Girls. Mais à frente, sempre no campeonato do passado, foram convocadas, por exemplo, Do You Want To, Evil Eye e Michael (muito bem tocada e interpretada). Claro, claro que o momento mais elevado foi o indie-funk de Take Me Out. Minto. Ou estou a ser pouco rigoroso. A última da lista, This Fire, perdoem-me a brincadeira, incendiou a sala. A máxima libertação que estava pronta para acontecer.

Houve mais seis temas do último (entre elas, o “à grega” Black Eyelashes – apelando às raízes kapranianas – e o barulhento The Birds), recebidos com moderação. Alguma dela, diga-se, injustificada. O discotequeiro Hooked é muito bem sacado. Já no encore, Audacious, com uma fragância a Divine Comedy, é incrível, na forma e na letra, a apelar à necessidade de convocar a bonomia até nas reuniões de condomínio. Ah, sim, sabemos, não há Alex sem aquela dose de ironia que nunca chega a ser cínica. Ele sabe que o emprego do cinismo já tem muita gente no quadro.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.