Ao fim de quase 30 anos, Donatella Versace está de saída da direção criativa da marca fundada pelo irmão no final dos anos 70, e cuja liderança assumiu após o homicídio de Gianni, em 1997. “Apoiar a nova geração de designers sempre foi importante para mim, e estou empolgada em ver a Versace através de um novo olhar”, disse Donatella em comunicado oficial. “Carregar o legado do meu irmão Gianni tem sido a maior honra da minha vida”, acrescentou a responsável, que se manterá ligada à marca de luxo, exercendo o papel de embaixadora-chefe da maison, com foco nas intervenções filantrópicas da etiqueta, como a Fundação Versace.

Esta quinta-feira, a casa de moda italiana anunciou ainda a nomeação de Dario Vitale. Vindo da também italiana Miu Miu, onde desempenhou funções de diretor de design e imagem, o diretor criativo que se segue começará funções a partir de 1 de abril. A dança de cadeiras coincide com uma pré-anunciada nova fase na vida da Versace, ao fim de quase três décadas. Já no começo deste ano, voltou a ser notícia que o grupo de moda italiano Prada está entre os potenciais interessados em adquirir a marca de luxo fundada por Gianni, e atualmente propriedade da americana Capri Holdings, segundo avançava então o jornal Il Sole 24 Ore. O mesmo meio adiantava ainda que o conglomerado liderado por Miuccia Prada e Patrizio Bertelli, cujo presidente executivo é Andrea Guerra, não era o único na corrida à potencial operação, já que outros interessados terão entrado no mercado, especialmente fundos privados de investimento. O jornal relembrava também que há um ano a mesma operação foi considerada pela Exor, detida pela família Agnelli-Elkann, e pelo grupo Kering.

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Conhecida pela imagem da Medusa, numa alusão à mitologia grega, a marca foi fundada por Gianni em 1978, que ergueu um império assente na ousadia dos padrões e forma, exuberante e sexy. “Não acredito no bom gosto” terá dito o designer cuja rivalidade com Giorgio Armani passou à história. “Armani veste as esposas, Versace veste as amantes”, assim cunhou a vox populi. Gianni seguiu firme, alheio a imperativos de elegância, até à manhã de 15 de julho de 1997, quando saiu da sua mansão e caminhou pela Ocean Drive, em Miami, e acabou alvejado à queima roupa por Andrew Cunanan, que havia já morto quatro homens antes do criador. Na ressaca do homicídio, o seu irmão, Santo, ficou ao leme da gestão, enquanto a irmã, Donatella, que chega aos 70 anos em maio próximo, se encarregou da parte criativa. Também os filhos de Donatella, Allegra e Daniel, herdaram importantes quinhões da fortuna de Gianni.

A Versace é propriedade da Capri Holdings desde 2018, quando a multinacional comprou a empresa por mais de 1,8 mil milhões de euros à família Versace e à Blackstone.