Instabilidade era a palavra que melhor descreve o que se passa no balneário do Milan. Apesar do início de Sérgio Conceição ter sido galvanizador, com a conquista da Supertaça de Itália, o português não conseguiu manter os bons resultados e, com a eliminação da Liga dos Campeões, a sua saída começou a surgir como o cenário mais provável. Enquanto se vai mantendo no comando técnico dos rossoneri, o Milan regressou às vitórias na última semana e Conceição aproveitou a semana “limpa” — sem jogos e com espaço para treinar e descansar —, a sua primeira desde que aterrou em Itália, para ter mais tempo para exprimir as suas ideias.
“Estou feliz com a atitude do grupo. O jogo contra o Como será difícil e não precisamos de pensar muito à frente. Há mais alegria e prazer em trabalhar, o grupo está bem e respondeu bem nas últimas semanas. O objetivo é vencer uma partida contra uma grande equipa, que está bem treinada e tem muita qualidade. Devemos olhar para os seus pontos fortes e fracos. Não posso controlar o que os outros dizem e pensam. Posso controlar os jogadores e o que fazemos no jogo. Estou habituado a tudo. Às vezes parece haver uma falta de respeito pelas pessoas que estão aqui agora”, partilhou o técnico de 50 anos na antevisão ao encontro com o Como, treinado por Cesc Fàbregas.
Para esta partida, o técnico contou com dois importantes regressos, de Florenzi e Loftus-Cheek, que começaram a partida no banco, à semelhança de João Félix, que ficou fora do onze inicial pela terceira partida consecutiva. Em sentido inverso, Rafael Leão voltou a ser titular e completou o jogo 250 ao serviço do emblema italiano. Desde que chegou, em 2019, mais nenhum jogador da Serie apontou mais golos (68) e assistências (50). Por outro lado, o reforço de inverno Bondo também constou no onze.
250 waves ridden with pure class ????♂️ #MilanComo #SempreMilan pic.twitter.com/Qu7wEgZGGM
— AC Milan (@acmilan) March 15, 2025
O desafio até começou de feição para os rossoneri que, logo nos primeiros minutos, criaram uma jogada de perigo pela esquerda. Theo Hernández serviu Musah à entrada da área, o norte-americano ultrapassou Butez e, com tudo para servir um colega de equipa, atirou incrivelmente ao lado (5′). Apesar do bom início, o Milan acabou por se retrair, com o Como a assumir o domínio da partida. A fechar a primeira parte, a equipa de Fàbregas construiu uma grande jogada da esquerda para o meio, ao primeiro toque, e Lucas da Cunha apareceu a finalizar para o golo, com um remate rasteiro e em arco (33′).
A desvantagem obrigou Conceição a lançar Fofana e Jiménez ao intervalo, mas Lucas da Cunha acabou por bisar pouco depois, embora o golo tenha sido anulado por fora de jogo (49′). Na resposta, o português voltou a mexer e colocou João Félix em campo e, na jogada seguinte, Reijnders fez um grande passe para Pulisic que, na meia-esquerda, desferiu um remate colocado para o empate (53′). A resposta do Como voltou a sair dos pés do médio luso-francês, mas Maignan conseguiu travar novo remate de longe (56′). Com o Como mais debilitado e menos forte na pressão, os rossoneri começaram a crescer e, através de um tiro Reijnders, atiraram à barra (69′). Pouco depois, Abraham recebeu de costas e isolou Reijnders com um grande passe e, só com o guarda-redes pela frente, o neerlandês completou a reviravolta (76′).
Até ao fim, Reijnders desperdiçou mais um golo com um remate ao lado, quando estava isolado, levando Sérgio Conceição a ajoelhar-se no banco de suplentes (85′) e, do outro lado, Dele Alli foi expulso (90′), assim como Cesc Fàbregas, por protestos (90+3′). Com este triunfo, o segundo consecutivo, o Milan ultrapassou, à condição, Fiorentina e Roma e subiu ao sétimo lugar da Serie A, com 47 pontos, estando, para já, a apenas três dos lugares europeus.