Foi em março de 2024 que os caminhos de Pierpaolo Piccioli e da Valentino se separavam, ao fim de cerca de 20 anos de coabitação criativa. Mais de um ano depois de paragem (e depois de o nome do italiano ter sido apontado a a outros desafios, incluindo o lugar de ouro, aka Chanel) o próximo destino é mesmo a Balenciaga, uma das casas de moda que mais tem estado debaixo de fogo nos últimos anos. A notícia do novo rumo criativo foi comunicada esta segunda-feira pelo grupo Kering, que detém ainda etiquetas como a Gucci. Foi aliás para esta que rumou Demna, que em 2015 agarrara as rédeas da marca fundada por Cristóbal Balenciaga, e a posicionara no turbilhão das redes sociais, hype, celebridades e controvérsias — incluindo acusações de pedofilia.
Piccioli, o senhor que segue, promete uma abordagem mais “gentil”, para usar as palavras da editora de moda do The New York Times. Ficará encarregue das coleções femininas, masculinas, de acessórios e ainda de alta-costura — e, acredita-se, com a elevadíssima pressão de estimular as vendas num cenário de queda acentuada para o grupo, que em 2024 ficou 12 por cento baixo nas vendas. A missão irá efetivar-se a partir do próximo dia 10 de julho estando prevista para outubro a apresentação da primeira coleção, no âmbito da Semana da Moda de Paris.
“Um designer talentoso e respeitado, e mestre da Alta Costura, Pierpaolo trará sua visão criativa única e vasta experiência para a Balenciaga, com base nos pontos fortes e no sucesso alcançado pela marca na última década sob a direção criativa de Demna e em continuidade com o legado de Cristóbal Balenciaga.”, refere o grupo. “Não poderia estar mais feliz em receber Pierpaolo no Grupo. Ele é um dos designers mais talentosos e celebrados da atualidade. Seu domínio da alta-costura, sua voz criativa e sua paixão pelo savoir-faire fizeram dele a escolha ideal. Também gostaria de agradecer sinceramente a Demna pela visão ousada e distinta que ele trouxe para a Balenciaga nos últimos 10 anos, moldando a identidade da Maison na era contemporânea. Estou convencida de que Pierpaolo e Gianfranco conduzirão a Balenciaga perfeitamente neste novo capítulo importante de sua notável história”, acrescentou a vice-CEO da Kering, Francesca Bellettini.
“Devo, em primeiro lugar, agradecer a Demna. Sempre admirei a sua visão. Não poderia pedir uma melhor passagem de testemunho. Isso dá-me a oportunidade de moldar uma nova versão da Maison, adicionando mais um capítulo com uma nova história.”, sublinhou ainda Pierpaolo, através de uma publicação nas suas redes sociais.
O georgiano Demna, que se estreou na Vetements e eliminou o apelido em 2021, chega à Gucci para render Alessandro Michele e Sabato de Sarno. No curriculum traz a cartada de ter aumentado a receita da Balenciaga de cerca de 390 milhões para 2 mil milhões, mas a sua nomeação, segundo a Reuters, levou mesmo a Kering a ver cair as suas ações em 13 por cento. Ainda se lembra do saco azul que parecia saído da Ikea, entretanto transformado num objeto de culto que ascendia ao milhar? Do look de Kim Kardashian na Met Gala de 2021? Dos peluches bondage? E da saia-toalha?A lista é infindável — vamos ver quão subversiva vai ser a jornada na histórica Gucci. E, já agora, como é que a marca de elegância contemporânea e o apelo da cor de Piccioli, mais minimalista ou mais glamorosa, se irá ajustar às formas lendárias da maison fundada em 1917 — e ainda aos ditames do streetstyle.
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