Morreu o ator Michael Madsen aos 67 anos, adianta a revista Variety, que confirmou o óbito junto a um dos seus representantes.

Madsen foi encontrado morto em sua casa em Malibu, na Califórnia, na manhã desta quinta-feira após as autoridades responderem a um pedido de emergência; a causa de morte avançada é paragem cardíaca, não havendo suspeitas de crime.

“Nos últimos dois anos, Michael Madsen tinha vindo a fazer um trabalho incrível no cinema independente, incluindo as próximas longas-metragens Resurrection Road, Concessions e Cookbook for Southern Housewives, e estava realmente ansioso por este próximo capítulo da sua vida”, lê-se numa nota publicada pelos agentes de Madsen, Susan Ferris e Ron Smith, e pela sua assessora Liz Rodriguez. “Michael Madsen foi um dos atores mais emblemáticos de Hollywood, e fará falta a muitos”, lê-se ainda.

Como aponta o The Guardian, Madsen deu os primeiros passos na sua carreira ao integrar a companhia de teatro Steppenwolf, em Chicago, debaixo da asa de John Malkovich. Ainda participou numa adaptação de Sobre Ratos e Homens antes de passar para a indústria cinematográfica, conseguindo um pequeno papel no clássico de culto Jogos de Guerra, de 1983.

Foi o início de um percurso onde encarnou quase 350 papéis ao longo de quatro décadas, figurando em grandes filmes como The Natural (1984), Thelma & Louise (1991), Donnie Brasco (1997) e Sin City (2005), assim como sucessos de bilheteira como Libertem Willy (1993), Espécie Mortal (1995) e 007 – Morre Noutro Dia (2002).

Madsen, contudo, ficou verdadeiramente conhecido do público pelas suas várias colaborações com o argumentista e realizador Quentin Tarantino, a primeira das quais em Cães Danados, de 1992, interpretando aquele que possivelmente foi o seu papel mais icónico com Mr. Blonde. Os dois voltariam a encontrar-se em ambos os volumes de Kill Bill (2003 e 2004), em Os Oito Odiados (2015) e Era Uma Vez Em… Hollywood (2019).

O seu papel de destaque como Mr. Blonde, de resto, seria uma dádiva e uma maldição para si: tão durão quanto trocista e espertalhão, acabou por marcá-lo na indústria, passando a ser receber apenas papéis idênticos (o chamado “typecasting”).

Madsen refletiu sobre isso numa entrevista ao Hollywood Reporter em 2018, onde considerou a fama “A fama “uma faca de dois gumes”. “Recebi muitas bênçãos, mas também muitas coisas pesadas que vêm com ela. Acho que tem muito a ver com as personagens que interpretei. Acho que fui mais credível do que devia ter sido. Acho que as pessoas têm mesmo medo de mim. Vêem-me e dizem: “Que porra, é aquele gajo!”, admitiu.

Casado por três ocasiões, Madsen teve sete filhos, onde se inclui o ator Christian Madsen. Filho de um bombeiro e de uma poetisa, tinha como irmã a atriz de sucesso Virginia Madsen.