Quando o Mundial de Clubes chegou ao fim para o Benfica, com uma derrota nos oitavos frente ao Chelsea após prolongamento, sobravam duas dúvidas: 1) Bruno Lage tinha ou não condições para continuar; 2) Rui Costa ia ou não avançar com uma recandidatura à presidente do clube. A segunda questão continua sem data para ser anunciada, com o atual líder inclinado para avançar para um novo mandato, a primeira teve uma resposta interna com a garantia de que o treinador iria manter-se no cargo. E se quando abordou o desaire com os ingleses houve essa ideia de mudança deixada pelo técnico em relação à equipa, as alterações depois de uma temporada em que os encarnados voltaram apenas a ganhar a Taça da Liga serão mais profundas.

“Para 95% dos clubes era um trabalho razoável, para o Benfica não é suficiente porque faltou claramente o objetivo principal, que é vencer o Campeonato. Nem tudo foi feito está errado. Houve coisas muito boas. Projetando já a próxima época, há coisas que claramente têm de mudar. Umas de forma radical, outras para melhorar a nossa qualidade de jogo. Há uma agressividade que não é natural da nossa parte, que temos de colocar aqui mais nos nossos jogos. Ser sempre agressivos, temos de saber parar as transições com algumas falta, temos de ter um lado de experiência…”, apontou Bruno Lage depois dessa derrota por 4-1 no tempo extra, apenas quatro dias de rasgados elogios a tudo e todos pela vitória conseguida frente ao Bayern.

O plantel vai sofrer várias alterações, entre saídas a custo zero como a de Ángel Di María, vendas que estão em processo de negociação como a de Kökçü (em princípio, para os turcos do Besiktas) e a de Álvaro Carreras (para os espanhóis Real Madrid) ou contratações próximas ou já feitas como o lateral direito Amar Dedic, bósnio de 22 anos que esteve emprestado pelo Salzburgo ao Marselha na segunda metade da última época. No entanto, as mudanças não ficarão por aí. Longe disso. E toda a estrutura profissional sofrerá alterações nas próximas semanas, numa decisão que chegou também ao Benfica Campus.

A primeira era conhecida e esperada. Depois de ter estado de baixa, Luisão deixou em definitivo o papel de diretor técnico dos encarnados, tendo regressado ao Brasil para ser CEO de uma empresa de produção de eventos. “Foram 21 anos a defender o Benfica no meu máximo. Adoro esta foto, exercendo a função de diretor técnico do Benfica. Apesar da mudança, não deixa de ser a minha segunda pele”, tinha escrito o antigo capitão em março, naquela que foi uma espécie de despedida antecipada. O cargo não mais voltou a ser ocupado mas essa será uma das mexidas programadas por Rui Costa, no sentido de encontrar um novo diretor técnico que possa fazer a ligação entre o plantel e os jogadores como acontecia com o antigo central.

Depois, Lourenço Pereira Coelho. O diretor geral, uma das figuras mais apreciadas no clube entre todo o universo do Benfica, regressou à Luz já com Rui Costa como presidente para reforçar a estrutura do futebol, ganhou depois uma vaga na administração da SAD (saindo da Comissão Executiva na última renovação que foi feita na sociedade) e entrou na Direção da Liga como representante dos encarnados, outro cargo que deixou no final de abril deste ano. O desgaste da função, a incerteza em relação ao futuro das águias e um convite que terá sido endereçado por parte da Federação Portuguesa de Futebol pode levar a nova saída do diretor geral da estrutura do Benfica, em mais uma posição que terá depois de ser colmatada por Rui Costa.

Por fim, Rui Pedro Braz. O jornal A Bola avançou esta terça-feira com a saída do diretor desportivo, numa informação confirmada pelo Observador, mas essa partida irá acontecer apenas depois do atual mercado de transferências, em que o Benfica fará uma forte aposta para reforçar e muito o plantel para 2025/26. Essa ideia de saída já tinha sido discutida ao longo da temporada, ganhando forma quando os encarnados foram afastados do Mundial de Clubes. À semelhança do que aconteceu com o antecessor, Tiago Pinto, tudo aponta para que o futuro de Braz, que assumiu estas funções em 2021 pouco tempo depois de ter sido nomeado diretor geral do conjunto da Luz, possa passar pelo estrangeiro. Já estão a ser apontados alguns nomes para a sucessão, como Mário Branco, que esteve até à última época com José Mourinho no Fenerbahçe, mas será o atual diretor desportivo a trabalhar com Rui Costa nesta última janela de transferências de verão.

Também no Benfica Campus, que teve uma época de glória com a conquista dos Campeonatos Nacionais de Sub-19, Sub-17 e Sub-15, já começaram algumas das principais mudanças na estrutura a começar pelo novo diretor técnico, Joaquim Milheiro, que passou pelo FC Porto e esteve nos últimos anos na Federação.