Em tempos, foi considerado uma das maiores promessas do futebol. É um produto da célebre La Masia, estreou-se na equipa principal do Barcelona com apenas 17 anos e jogou ao lado de nomes como Lionel Messi, Neymar ou Zlatan Ibrahimovic. Contudo, como em muitos outros casos de futebolistas que estavam talhados para o sucesso, Gerard Deulofeu passou pelo infortúnio das lesões e não disputa uma partida oficial desde 22 de janeiro de 2023. Atualmente com 31 anos, o extremo encontra-se em Itália, ao serviço da Udinese, clube que representou por empréstimo do Watford em 2020/21, acabando contratado no ano seguinte, a troco de 17 milhões de euros.

Para perceber a situação conturbada de Deulofeu é preciso recuar à temporada de 2022/23 e ao mês de novembro. Foi numa partida frente ao Nápoles, no Estádio Diego Armando Maradona, que o espanhol sofreu a primeira lesão no joelho, que inicialmente foi avaliada como uma entorse, tendo sido substituído aos 25 minutos. Curiosamente tudo começou frente ao clube pelo qual esteve perto de assinar poucos meses antes. A pausa para o Campeonato do Mundo do Qatar ajudou o avançado na sua recuperação, acabando por regressar a 22 de janeiro de 2023, frente à Sampdoria. Deulofeu participou no jogo como suplente utilizado, entrando em campo aos 77 minutos. Contudo, teve de ser substituído 13 minutos depois, depois de ter sofrido um traumatismo no joelho. A recaída atirou-o para o bloco operatório.

Gerard Deulofeu esteve esta quarta-feira presente na Supertaça Europeia, que se disputou no estádio da equipa que representa, o Friuli, ou a Dacia Arena. Em entrevista à Sky Sports Italia, o jogador de 31 anos explicou que, numa primeira instância, sofreu uma lesão no ligamento cruzado do joelho direito, que resultou numa infeção na cartilagem e complicou a sua recuperação ao longo dos últimos dois anos e meio. “Vamos ver se algum dia posso voltar a jogar. Ainda sou jovem. Felizmente sei que a família Pozzo [dona da Udinese] está à minha espera. Permitem-me desfrutar da emoção de estar com os meus colegas no balneário, no estádio… Sem dúvida que o futuro passa pela Udinese. Sou uma pessoa muito emotiva e apaixonada. E quando vemos que uma família está à nossa espera e nos dá este carinho, não vejo outro lugar para celebrar o regresso”, partilhou.

Curiosamente, Deulofeu chegou a rescindir o contrato com o clube italiano em janeiro deste ano, numa decisão tomada por acordo entre todas as partes, mas a ligação entre ambos está suspensa e deverá ser retomada assim que o espanhol estiver apto para voltar aos relvados. “Infelizmente, após a cirurgia, sofri uma infeção na cartilagem. Há dois anos que luto contra algo que quase ultrapassa a biologia”, acrescentou, sublinhando que pretende voltar a jogar futebol e que continua a fazer ginásio e treinos específicos nas instalações da Udinese. “Sinto falta de tudo, do balneário, das entrevistas após os jogos… Estou bem, melhorei a cada mês, mas estou lento. Ainda não me sinto confiante em campo. Estou a preparar tudo para tentar voltar a jogar. Tudo está a ir muito devagar. A cartilagem está a sarar lentamente”, completou.

Nascido em Riudarenes, na Catalunha, Gerard Deulofeu fez toda a formação no Barcelona e, em 2010/11, chegou à equipa principal, embora só tenha feito seis jogos. Representou Everton e Sevilha por empréstimo, antes de ser contratado pelos ingleses em definitivo, a troco de seis milhões de euros. Seguiu-se um empréstimo ao AC Milan e, em 2017, voltou aos blaugranas, que pagaram 12 milhões pelo seu passe. Deulofeu não se conseguiu afirmar no Barcelona e, na época seguinte, foi emprestado ao Watford, que o viria a contratar por 13 milhões. Depois de três temporadas, assinou pela Udinese, por 17 milhões. Atualmente, o seu valor de mercado está cifrado nos 800 mil euros, segundo o Transfermarkt.