A exposição de fotografia “Gaza Habibti — Esperança e Perda” é inaugurada esta terça-feira na Galeria Monumental, em Lisboa. A mostra reúne obras de 25 fotógrafos palestinianos e uma instalação digital, oferecendo uma perspetiva do quotidiano em Gaza sob ocupação israelita.
“Gaza Habibti é uma poderosa exposição itinerante de fotografia e narração de histórias de esperança e perda, centrada nas vozes palestinianas de Gaza, tecendo narrativas visuais de vida, dor, memória e resistência — antes e depois do massacre iniciado em 2023”, escreve o coletivo Parents for Peace, responsável pela apresentação da mostra em Portugal.
Com curadoria da associação Yura Visuals, o projeto resulta de quatro anos de trabalho e pretende “documentar momentos de esperança e vida, de resiliência e identidade, assim como a riqueza cultural do povo palestiniano e a sua luta por liberdade e dignidade”, sublinham os curadores no site internacional do projeto.
Entre os fotógrafos representados estão Samar Abu Elouf, vencedora do World Press Photo 2025 com a imagem de uma criança mutilada, Mohamed Salem, distinguido no ano passado pela fotografia de uma mulher a segurar o corpo de uma criança morta, e Fatma Hassouna, morta em abril num ataque israelita.
A exposição apresenta também trabalhos de Haneen Salem, Wafa Abu Hajjaj, Jamileh Tawfiq, Mahmoud Abu Hamda, Sharif Sarhan, Mahmoud Ajjour, Mohamed Asaad, Fatima Shabir, Asil Kabariti, Loay Ayyoub, Abdulrahman Zagout, Hani Al-Shaer, Mahdy Zourob e Salama Nabil Younes. O projeto Gaza Habibti tem percorrido cidades de vários continentes.
Em Lisboa, a mostra é acompanhada por programação paralela que inclui a exibição do documentário “Where Olive Trees Weep”, de Zaya e Maurizio Benazzo, com a presença da produtora Ashira Darwish, e a antestreia nacional de “Com a Alma na Mão, Caminha”, de Spideh Farsi, que conta com a participação de Fatma Hassouna. O filme será exibido no Cinema Ideal na quarta-feira.
Na sexta-feira, a atriz e encenadora Joana Craveiro apresentará o projeto “Espanto perante o mundo — Ensaios de antropologia poética”.
A inauguração desta terça-feira conta com intervenções da investigadora Shahd Wadi, da escritora Margarida Vale de Gato, da autora Maria Lis e da artista Dima Akram, que no sábado participa também numa mesa-redonda de encerramento, a par da produtora Balolas Carvalho e da ilustradora Marta Nunes.
O último dia inclui atividades para crianças e famílias, com destaque para a hora do conto dinamizada por Ana Ventura.
A entrada na exposição faz-se por donativo, revertendo para a Yura Visuals, tal como as receitas da venda das fotografias e de outros materiais artísticos, destinados a apoiar diretamente fotógrafos em Gaza e projetos de ajuda à população local.