O Festival Todos regressa a Lisboa, entre 12 e 14 de setembro, com perto de 40 iniciativas que permitem o convívio entre culturas de todo o mundo, por oposição a “guetos territoriais associados à imigração”, anunciaram os organizadores.

Cinema, dança, música, teatro, circo, gastronomia, instalações e mostras de fotografia, conversas, oficinas, visitas guiadas, atuações de rua fazem parte do programa do Festival Todos — Caminhada de Culturas, promovido pela Academia de Produtores Culturais e a Câmara Municipal de Lisboa, que nesta 17.ª edição regressa ao bairro de Arroios, na sexta-feira, onde fica até domingo.

A atriz brasileira Lucélia Santos, que Portugal descobriu na telenovela “Escrava Isaura”, a cantora moçambicana Selma Uamusse e a orquestra Os Músicos do Tejo, a DJ angolana Lady G. Brown, a banda Yacumenza, de expressão afro-uruguaia (candombe), o cinema documental de João Botelho, o teatro da encenadora brasileira Maria Giulia Pinheiro, o ‘concerto-performance’ da Comapanhia Caótica, o ‘workshop-visita guiada’ do coletivo Os Espacialistas, e a conversa com o professor Miguel Tamen, sobre o que de facto implica “proximidade”, fazem parte do programa.

Os organizadores do festival têm por objetivo “envolver ativamente” quem vive e quem passa pelo bairro, “cruzando gerações, geografias e formas de estar”.

“Queremos que cada atividade seja, também, um gesto de escuta, de contemplação e de partilha”, prosseguem no texto de apresentação do festival. “Num tempo de polarizações e ruído constante, acreditamos que é preciso parar, olhar à volta, observar o que é visível e procurar desvendar o invisível, criar espaços de escuta, para, através destes gestos, imaginar outras formas de viver juntos, e construir, com tempo, uma cidade mais justa, mais atenta, mais nossa — uma cidade de TODOS.”

O primeiro dia conta com a abertura da exposição “Um olhar sobre Arroios”, da fotógrafa italiana Valentina Vannicola, com as danças afro-latinas de Tânia Capão, e a peça de teatro de Maria Giulia Pinheiro “Viemos Roubar os Vossos Maridos”, que cruza acontecimentos do caso “Mães de Bragança” com histórias das atrizes em cena.

No sábado, a atriz Lucélia Santos fará uma “Troca de ideias para adiar o fim do mundo – Amazónia Viva”, com o músico brasileiro Max Lisboa, numa reflexão sobre a necessidade de reverter a devastação ambiental.

Também no sábado, será projetado o filme “A Dança dos Povos”, de João Botelho, e apresentado o projeto “Diários de uma Bicicleta”, de Joana Brito Silva, com textos de Sandro William Junqueira, sobre a rotina de estafetas, que propõe uma reflexão sobre vínculos laborais e migrações humanas, através de testemunhos reais.

No domingo, realiza-se a tradicional “Marcha de Todos”, entre a Praça José Fontana e o Campo Mártires da Pátria, num espectáculo de múltiplas expressões culturais.

O concerto de encerramento, com a cantora Selma Uamusse e a orquestra Os Músicos do Tejo, leva à Igreja Presbeteriana as “Cantigas de Santa Maria”, composições líricas do século XIII, em galego-português, atribuídas a Afonso X.

A programação, disponível no ‘site’ do festival, com horários e locais, inclui ainda visitas a lugares de Arroios, como Liceu Camões, Panóptico do Hospital Miguel Bombarda, Hospital D. Estefânia e jardins, além da sempre possível “Volta ao Mundo”, sem sair do bairro.

Ao longo dos três dias, a gastronomia conta com o projeto “Mi casa es su casa” e as “Mesas de Amizade”, no Jardim Constantino, onde também estará a “Câmara Escura”, da Cinemateca Júnior/Cinemateca Portuguesa.

Desde 2009, o Todos celebra Lisboa como cidade intercultural, com o convite ao convívio entre culturas de todo o mundo, contribuindo “para a destruição de guetos territoriais associados à imigração”, conclui a organização.