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As notícias com Hugo Fortunato de Oliveira.

Muito boa noite. Mário Centeno não fecha a porta a um futuro regresso à política, mas para já diz que não está nos planos. Em entrevista ao "Expresso", o antigo ministro das Finanças e governador do Banco de Portugal diz que não gosta da palavra "nunca" e admite que o futuro pode trazer outros caminhos. Para já, garante que está focado na academia e nas intervenções públicas da partilha de conhecimento, mas para já posiciona-se como alternativa.

Tão mal faz ao Estado quem o despreza ou desmantela como quem abusa dele. Nós não podemos abusar do Estado, o Estado não chega para tudo o que objetivamente nós, quase todos, gostaríamos que ele nos desse. E é esse equilíbrio e essa fusão que eu trago.

Mário Centeno, num excerto da entrevista ao jornal "Expresso", transmitido pela SIC Notícias, mesmo sem ser afiliado do Partido Socialista, Centeno assume-se de esquerda e acredita que o PS pode recuperar desde que apresente propostas credíveis e que não rompa com o passado. Centeno deixa ainda um recado ao líder José Luís Carneiro, diz que deve preparar uma alternativa de forma discreta, coerente e com muita paciência. O antigo ministro das Finanças e governador do Banco de Portugal revela ainda preocupação em relação às contas públicas. Mário Centeno alerta para o crescimento da despesa e para o incumprimento dos compromissos com Bruxelas. O primeiro-ministro Luís Montenegro apela ao fim do "masoquismo coletivo" que considera estar a causar a escalada dos preços dos combustíveis. Luís Montenegro discursou esta quinta-feira na Assembleia-Geral das Nações Unidas, onde abordou, entre outros temas, a crise energética. Diz que é preciso encerrar rapidamente este capítulo.

Esta é uma crise insensata, porque é má para todos. E nós temos de acabar com esta espécie de masoquismo coletivo. E temos de o fazer rapidamente para encerrar este capítulo, que é um capítulo que gera um prejuízo para todos. Todos temos o dever de aprender com as lições da crise dos anos 70 e evitar o que então aconteceu. Seremos também todos julgados pela forma como formos capazes de lidar com este desafio.

Luís Montenegro, no discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, onde apelou ainda ao fim da tragédia humanitária no Médio Oriente, insistiu ser necessário caminhar para uma solução da coexistência dos dois Estados, Israel e Palestina. O primeiro-ministro discursou numa sala algo vazia, isto porque a intervenção anterior foi a de Benjamin Netanyahu. O primeiro-ministro israelita afirmou que acusar Israel de genocídio é a maior mentira do século e acusou as delegações que abandonaram a sala no início da intervenção de cobardia moral. O presidente francês nega que a CIA tenha alertado França para um possível ataque russo com drones na Europa. Em entrevista conjunta às televisões TF1 e France 2, Emmanuel Macron disse que os serviços secretos franceses não receberam qualquer aviso da agência norte-americana. Ainda assim, o chefe de Estado francês admite que as tensões estão a aumentar na Europa. Podemos desmentir essa informação. A CIA não informou os serviços franceses sobre tal ataque, e o ministro da Defesa italiano também não. Por isso, quanto a isso, posso dizer-vos que não. Por outro lado, sim, há uma situação em que a tensão está a aumentar, o que é preocupante, evidentemente, para a Ucrânia, que se encontra em guerra direta com a Rússia, e também para nós, europeus, porque especialmente nas últimas semanas, os atos hostis têm-se multiplicado um pouco por toda a Europa. O presidente francês Emmanuel Macron a negar que a CIA tenha alertado França para um possível ataque russo com drones na Europa. A informação tinha sido avançada pelo jornal espanhol "El Mundo", que noticiou que Espanha, França e Itália poderiam ser alvo de uma operação russa com drones lançados a partir de navios mercantes. Macron admite, ainda assim, que França possa vir a ser alvo de um ataque deste tipo. Diz que um cenário semelhante ao ataque com um drone carregado de explosivos no aeroporto de Leipzig, na Alemanha, pode acontecer também em território francês. De regresso a Portugal, uma bombeira ficou gravemente ferida em Resende, no distrito de Viseu, na sequência da queda de uma árvore de grande porte. No combate às chamas, em Resende, estão mais de 230 operacionais e cerca de 70 meios terrestres. Isto numa altura em que no centro das preocupações das autoridades continua o incêndio de Odemira, no distrito de Beja, e que já se alastrou a Silves. Há registro de dois feridos leves, dois bombeiros do Corpo de Bombeiros de Portimão, na sequência de um despiste. A Proteção Civil garante que não houve evacuações de zonas habitacionais, mas mantém a recomendação de precaução. As chamas obrigaram o corte de algumas linhas ferroviárias, entretanto já reabertas. O oficial de operações, Paulo Santos, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, dá conta de dificuldades dos meios em chegar ao teatro de operações.

Estes dois incêndios estão a desenvolver-se numa área cujo combustível está extremamente seco e, portanto, está a desenvolver-se de uma forma bastante rápida, quer pela influência do vento, quer também na zona de Odemira, agora pela influência da serra. Muitos dos meios ainda não conseguiram chegar sequer ao teatro de operações. Se estiverem agora, nas próximas horas, no teatro de operações

Julgamos estarem reunidas condições para se iniciar o domínio do incêndio.

O oficial de operações, Paulo Santos, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, à Rádio Observador. No terreno, em Odemira, estão perto de 440 operacionais, apoiados por quase 150 viaturas. No distrito de Beja, lavra também um outro incêndio em Ourique, mas os bombeiros já conseguiram dominar as chamas. E para a manhã desta sexta-feira está marcada uma marcha lenta de caminhões que deve impactar três autoestradas, incluindo a A1. Os caminhonistas protestam contra o aumento dos preços dos combustíveis. A iniciativa é organizada por empresários dos setores da extração de materiais, terraplanagem, escavação e transporte de terras. A passagem da fila de mais de 400 veículos caminhões deve coincidir com o período de maior tráfego, entre as 08h e as 10h, num trajeto que começa em Paredes e segue em direção a Coimbra. Miguel Pina Andrade.

A A42 vai ser a primeira autoestrada impactada pela manifestação. A fila segue depois pela autoestrada 41 e, por fim, entra na A1, a principal autoestrada do país. Os caminhões vão circular pela via mais à direita, isto porque o objetivo não é bloquear as estradas, nem impedir o trânsito. À Rádio Observador, Miguel Machado Mendes, um dos organizadores do movimento Marcha Lenta, fala num sentimento de desespero por parte das empresas.

Neste momento, aquilo que une estas pessoas é efetivamente este desespero e estamos a ter a capacidade de juntar quer grandes empresas, quer pequenas empresas, mesmo aquelas que têm dois carros e que param a sua atividade para se juntarem a nós, porque eu julgo que toda a gente sente que da maneira que as coisas estão, a atividade destas empresas é insustentável.

Miguel Machado Mendes acrescenta que os apoios do governo não englobaram os setores envolvidos no protesto, o que aumentou ainda mais a motivação do movimento Marcha Lenta.

O facto de na semana anterior ter sido comunicado um apoio para o setor dos transportes, deixando de fora este setor, acaba por ser o dínamo que propiciou que estas pessoas se manifestassem. Porque no dia de amanhã nós efetivamente vamos ver caminhões na rua. Mas é bom notar que estes caminhões não são caminhões que fazem transportes de mercadorias que estão abrangidas pelas medidas do governo.

Miguel Machado Mendes, um dos organizadores do movimento Marcha Lenta, em declarações à Rádio Observador. O ponto de chegada é Coimbra Sul. Depois, a fila de centenas de veículos dá meia-volta e faz o percurso de 146 km de regresso ao ponto de partida.

Um trabalho do jornalista Miguel Pina Andrade sobre o movimento Marcha Lenta de cerca de 400 veículos contra o aumento dos preços dos combustíveis. Também em protesto contra o impacto deste aumento, cerca de 30 empresas de transportes de mercadorias reúnem-se esta sexta-feira para discutir medidas de luta. No desporto, na estreia de Jorge Jesus como selecionador nacional, Portugal venceu o País de Gales por 1 x 0. A equipa portuguesa marcou o único gol da partida à passagem do minuto 22, da autoria de João Félix. Cristiano Ronaldo ainda conseguiu colocar a bola dentro da baliza aos 60 minutos, mas estava em posição de fora de jogo. No final do encontro, Jorge Jesus afirma que o segredo do triunfo esteve no trabalho defensivo.

Como é óbvio, o resultado é sempre importante, porque toda a gente faz análise pelo resultado. E eu faço análise pelo resultado, que foi importante, mas faço também uma análise, mesmo que não ganhasse, pela organização defensiva da equipa. Reparem, a gente jogou contra Gales, fez-nos um remate no gol. Um remate no gol. A equipa defensivamente conseguiu segurar esta vitória. Foi a equipa defensivamente que conseguiu segurar esta vitória.

Jorge Jesus, o novo selecionador da seleção das Quinas, logo a seguir ao jogo. Já o autor do único gol da partida, João Félix, admite que a exibição foi melhor do que propriamente o resultado final.

A exibição foi muito boa para o primeiro jogo, para dois dias de treino com o "mister". Assimilar as ideias todas não é fácil. Acho que, em modo geral, fizemos um grande jogo. Uma seleção que também não era fácil, mas soubemos controlar, soubemos pressionar, controlámos o jogo, acho que não os deixamos respirar. Inclusive criamos inúmeras oportunidades, não fizemos mais porque não calhou. Foi 1 x 0, mas acho que poderiam ter sido dois, três ou quatro. Mas de modo geral, estou muito contente com a exibição e acho que todos estão.

João Félix, o autor do único gol da partida frente ao País de Gales. Portugal soma os primeiros três pontos da Liga das Nações. O próximo jogo está marcado para domingo frente à Noruega. Ponto final nesta edição das "Quatro da Manhã". Já a seguir a primeira parte da repetição do Contracorrente desta quinta-feira. As notícias estão de regresso à Rádio Observador às 17h, em formato síntese.