Tudo começou num campo de golfe. Marcos Fonseca, José Folhadela Furtado e Tiago Osório já jogam há muitos anos, mas foi só no período pós pandemia, em 2021, que os três, juntos, sentiram que havia espaço para um toque fashion no desporto. “Começámos a jogar mais frequentemente nesta altura. O José já tinha tido a ideia de criar uma marca, porque foi profissional nos Estados Unidos e o golfe lá está muito mais desenvolvido. Já via nessa altura que a roupa que se usava nos campos de golfe tinha muito pouco estilo, e era muito presa à questão de performance”, explica ao Observador Marcos Fonseca, um dos sócios. “Achámos que fazia sentido desenvolver uma marca mais versátil, autêntica do desporto, mas também com um bocadinho mais de estilo, para que a pessoa possa usar tanto no campo de golfe, como fora“.
▲ Tiago Osório, Marcos Fonseca e José Folhadela Furtado são os fundadores da Matize
Matize é a combinação dos três sócios, no nome e não só. A experiência de 15 anos de Marcos na indústria da moda — incluindo passagens por marcas da Sonae, Parfois ou Farfetch — juntou-se à expertise de Tiago como professor de golfe e a vivência de José na indústria têxtil nos EUA para desenvolver as polos e T-shirts em cores sóbrias e padrões inspirados no golfe das décadas de 1980 e 1990, em algodão orgânico e poliéster reciclado, com produção 100% portuguesa. Mas o mercado mais forte está lá fora, com 50% das vendas destinadas a países do centro e norte da Europa, 40% para os EUA e 10% entre Portugal e Espanha. Além da venda direta ao consumidor final, seja online ou em pontos de venda (e aqui estão incluídas não só lojas de desporto, mas de lifestyle em geral), a marca aposta na customização de peças para clubes e eventos.
“Há cada vez mais jogadores de golfe de faixas etárias mais baixas, entre os 25 e os 45, que é onde nós nos posicionamos”, diz Marcos, que afirma que o seu público quer peças com as quais “possa fazer uma simbiose entre o golfe, mas depois quer beber uma cerveja no final do dia, ou até estar com a família”. A campanha da marca transparece a ideia de que “é mais uma questão de estilo do que de idade”, ao vestir modelos na casa dos 30 anos e na casa dos 60 anos com as mesmas peças, e fazer fotografias numa casa senhorial centenária em Penafiel. Para 2026 está prevista uma parceria com outras duas marcas portuguesas ligadas ao surf e ao padel, e nos próximos anos a intenção é expandir na Europa. “Entre 3 a 5 anos queremos ser das marcas mais reconhecidas a nível europeu”.
Padel feminino com classe
Viviane Rocha, Teresa Pinto Basto e Inês Sarrail também se tornaram amigas no campo, mas de padel. “Era assim uma coisa muito leve, uma vez por semana. Quase que haviam doze vagas e nós um minuto antes estávamos todas a olhar para o telemóvel a ver quais é que entravam. E depois bebíamos café, tomávamos um pequeno almoço a seguir e aquilo promovia a amizade“, recorda Teresa ao Observador. As três uniram-se pelo padel há quase 10 anos, mas foi só há pouco mais de um ano que arrancaram com a Piiiton — cujo nome tem os três is presentes nos nomes delas, e graficamente representam três pessoas. “Estávamos à mesa e a tentar escolher um nome, e decidimos ter um bicho associado à nossa marca, e achámos que o que nos identificaria melhor seria uma cobra. Achamos a cobra elegante, feminina, com curvas, imponente, e também achamos graça à irreverência da cobra, à dualidade, e nós somos um bocadinho irreverentes. E depois sugeriram alguns nomes de cobras, nomeadamente a píton. A fonética também seduziu-nos logo à partida.”
▲ Inês Sarrail, Viviane Rocha e Teresa Pinto Basto, as fundadoras da Piiiton
Teresa reconhece que o padel tem vindo a crescer, o que se reflete também na oferta de peças de roupa para o desporto, mas que há alguns anos o cenário era diferente. “Não encontrávamos nada em Portugal. Foi pela falta de encontrar esses equipamentos que nasceu a necessidade também de os criar“, diz a sócia, que explica que “a primeira coleção” nasceu como o uniforme da equipa para uma competição. “Começou assim, a equipa foi vestida, toda a gente adorou e passou a questionar: ‘porque é que vocês não começam a vender e a comercializar?'”
As peças da Piiiton seguem um estilo mais clássico, que Teresa diz ser inspirado “nas senhoras do ténis de antigamente, que tinham muito glamour, muita pinta”. Tops em azul navy, vermelho, verde escuro, branco ou preto, com decote V ou com fecho, minisaias ou vestidos, são alguns dos artigos criados pela marca. “São muito atemporais, têm muita classe. São esses mais ou menos os valores que nós procuramos também que as mulheres sintam: poderosas, com classe e com segurança. Nós não somos muito de arriscar, de cortes, porque no fundo também é preciso ganhar jogos, e eu acho que essa segurança depois transmite-se em campo.”
▲ O uniforme criado pela Piiiton para uma das equipas femininas de padel
Também por priorizar o rendimento que as fundadoras da marca têm especial atenção aos tecidos. “Quisemos apostar na qualidade, temos algumas marcas de referência que gostamos e que vemos que a diferença dos tecidos é abismal para outras”, justifica Teresa. A produção é no norte de Portugal, e neste momento as vendas são online e num ginásio na Quinta da Marinha. Mas os planos são para, em breve, chegar ao mercado internacional. “Estamos a tentar dar um salto maior. Já nos convidaram, e vamos este ano tentar crescer um bocadinho aos mercados internacionais. Mas isso vai envolver repensar alguns processos de produção, e é isso que queremos fazer em breve.”