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Quando faltar inspiração, que nunca falte a atitude de Luis (a crónica do Estoril-Sporting)

Este artigo tem mais de 1 ano

Génio de Trincão e Pedro Gonçalves tirou folga, equipa não esteve propriamente nos seus dias mas no final imperou um Luis Suárez a jogar, a marcar e a fazer muito trabalho invisível sem bola (0-1).

Luis Suárez marcou pela segunda jornada consecutiva e decidiu na deslocação do Sporting ao Estoril
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▲Luis Suárez marcou pela segunda jornada consecutiva e decidiu na deslocação do Sporting ao Estoril

Sports Press Photo

▲Luis Suárez marcou pela segunda jornada consecutiva e decidiu na deslocação do Sporting ao Estoril

Sports Press Photo

Uma semana “limpa” de trabalho, uma semana “um pouco enganadora” para Rui Borges. Depois da vitória com o Moreirense, que começou a traduzir-se apenas no último quarto de hora mas que teve (com uma boa margem) os melhores indicadores da equipa no plano ofensivo, o Sporting teve cinco dias de paragem até ao encontro no Estoril, que começava uma série de três partidas numa semana que teria a deslocação a Nápoles e uma receção ao Sp. Braga. No entanto, nem isso trazia especial regozijo ao técnico verde e branco, que se mostrava tranquilo com a partida na Amoreira por aquilo que a equipa tinha feito até ao momento mas ciente das dificuldades que iria encontrar numa noite onde nem mesmo o tempo parecia querer ajudar.

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“Preocupa-me apenas e só o Sporting nestas semanas mais intensas de jogos, de três em três dias. Deixa-me confiante olhar para a equipa e ver que a resposta tem sido fantástica. Estou tranquilo e confiante no que poderemos apresentar ao longo dos jogos. Sinto-os todos ligados, sabem que a qualquer momento podem ser solução. Nestas semanas também temos de descansar para o que aí vem. Dá sempre para trabalhar algumas coisas mas felizmente estou num grande clube, a estrutura é fantástica. Mais dia, menos dia, dá sempre para trabalharmos de formas diferentes. Há sempre tempo para treinar algo, também dentro da minha evolução como treinador. Deu para treinar muito”, apontara Rui Borges, entre elogios ao Estoril.

“É uma equipa que gosta de ter bola, pressionante, que gosta de se impor. A jogar em casa torna-se mais perigosa. Tem bons jogadores. Não tem conseguido traduzir as oportunidades que tem tido nos jogos, cria muito, é das que tem mais posse de bola, também gosta de valorizar o jogo. Não podemos deixar que ganhem confiança, será difícil. Esperamos que o tempo ajude porque ali o vento pode prejudicar”, comentara sobre uma formação canarinha que chegava com apenas uma vitória  e cinco pontos em seis jogos no Campeonato.

Em paralelo, Rui Borges abordou também aquilo que tem sido o rendimento de Pedro Gonçalves e Francisco Trincão, os dois grandes desequilibradores não só do Sporting mas do próprio Campeonato de acordo com as estatísticas individuais. “Estou satisfeito com a resposta que a equipa tem dado em todos os jogos mas há sempre margem para melhorar, não podemos baixar o que temos conseguido e termos a ambição de nos tornarmos melhores do que temos conseguido. Temos de ir sempre atrás de mais e melhor, esta equipa tem feito isso. O Pote e o Trincão são dois jogadores preponderantes. Gosto muito de ser o treinador do Sporting e eles jogadores do Sporting. Sei que estão felizes. Estão a fazer um grande início de época, não só eles, mas todo o coletivo. Temos de continuar a crescer, para que todos tenham ainda mais preponderância, queremos ajudá-los a serem melhores”, apontou o treinador, que fintou a questão das possíveis renovações.

Se a dupla de internacionais tem sido a grande referência ofensiva do Sporting, no Estoril acabou por ter quase uma falta de comparência. Pedro Gonçalves e Francisco Trincão foram as duas principais caras de uma noite de desinspiração que atravessou todo o coletivo (Debast também foi um bom exemplo disso a nível do passe longo) apesar da boa entrada no jogo mas, no final de uma partida que não teve sequer uma chance de golo no segundo tempo, acabou por imperar a atitude de Luis Suárez: marcou, fez jogar com ações com e sem bola a combinar com os companheiros, foi incansável no trabalho na primeira zona de pressão e acabou por ser o MVP de um encontro que não deixa saudades mas que valeu para os leões pelos três pontos.

Ficha de jogo

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Estoril-Sporting, 0-1

7.ª jornada da Primeira Liga

Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)

Estoril: Joel Robles; Kevin Boma, Ferro, Bacher; Ricard Sánchez (Pedro Carvalho, 34′), Holsgrove, Patrick de Paula (Lominadze, 64′), Pedro Amaral (Fabrício, 75′); João Carvalho, Rafik Guitane (Begraoui, 75′) e Alejandro Marqués (André Lacximicant, 64′)

Suplentes não utilizados: Martin Turk, Antef Tsoungui, Luís Fernandes e Tiago Brito

Treinador: Ian Cathro

Sporting: Rui Silva; Vagiannidis (Fresneda, 73′), Zeno Debast, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo; Morita (Kochorashvili, 46′), Hjulmand; Geovany Quenda (Geny Catamo, 73′), Francisco Trincão, Pedro Gonçalves (Alisson, 84′) e Luis Suárez (Ioannidis, 73′)

Suplentes não utilizados: João Virgínia, João Simões, Eduardo Quaresma e Ricardo Mangas

Treinador: Rui Borges

Golo: Luis Suárez (12′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Patrick de Paula (41′), Alejandro Marqués (61′), Hjulmand (64′), Geny Catamo (85′), Begraoui (86′) e Pedro Carvalho (89′)

Os primeiros minutos ficaram marcados pela dificuldades das duas equipas em assentarem jogo, quase que a perceberem o que estava preparado do lado contrário para “entrarem” depois na partida. Era essa toada que permitia olhar de outra forma para a as disposições táticas dos dois conjuntos, com o Estoril a desenhar um 3x4x3 tendo Bouma na direita e Ferro na esquerda na linha recuada e, numa primeira fase, João Carvalho e Rafik Guitane a respeitarem o lado do pé na frente, com internacional Sub-21 mais descaído sobre a direita e o francês mais na esquerda. Do lado do Sporting, o mesmo esquema, a mesma identidade e diferenças apenas nos nomes, com Rui Silva, Maxi Araújo e Morita de regresso ao onze. Seria mesmo o japonês a ter nos pés a primeira oportunidade do jogo, aparecendo ao segundo poste após canto na direita para rematar de primeira mas a rasar o poste da baliza de Robles (8′). Estava dado o mote para o crescimento leonino no jogo.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Estoril-Sporting em vídeo]

Mais do que ter uma reação rápida à perda e fazer zonas de pressão mais altas que bloqueavam as saídas do Estoril a partir de trás, o Sporting mostrava o mérito de sair a jogar após qualquer recuperação. Foi assim, numa grande jogada coletiva, que inaugurou o marcador: Inácio ganhou a Marqués em antecipação dando logo em Vagiannidis, Hjulmand fez a variação do centro de jogo da direita para a esquerda aproveitando o movimento de Pedro Gonçalves para dentro e Maxi Araújo cruzou de primeira para Luis Suárez encher o pé esquerdo de fé e rematar de forma enrolada para o 1-0 (12′). Holsgrove, num remate de meia distância de fora da área com um efeito estranho, ainda obrigou logo de seguida Rui Silva a uma defesa mais difícil mas era o Sporting que ia controlando o encontro, gerindo os momentos a velocidades diferentes como pretendia.

Quando acelerava e conseguia combinar bem na frente, os leões iam criando perigo. Luis Suárez ficou muito perto de desviar na área um passe longo de Zeno Debast (21′), Pedro Gonçalves falhou o mais difícil isolado na pequena área ao desviar por cima um cruzamento tenso de Geovany Quenda da direita (32′). No entanto, e entre tantas facilidades que o jogo com bola oferecia, o Sporting foi adormecendo. A intensidade baixou, as deambulações de Trincão para a direita não funcionavam e bastou um erro para o Estoril ficar muito perto do empate, com Zeno Debast a perder a bola sendo o último defesa e Alejandro Marqués a ficar isolado para um chapéu que foi desviado por Rui Silva para canto (41′). Não seria a única ameaça dos canarinhos, com Pedro Amaral a subir pela esquerda e a rematar de primeira perto do poste (45′). Os avisos estava deixados, com Rui Borges bem mais inquieto na zona técnica depois de longos minutos a ver o jogo de forma tranquila entre um lance que gerou protestos por parte do Estoril entre Maxi Araújo e Bacher na área dos leões.

Por gestão física e por perceber essas dificuldades na parte final a nível de controlo do jogo a partir do centro do terreno, o técnico leonino não perdeu tempo e lançou Kochorashvili ao intervalo para o lugar de Morita. Essa vertente foi conseguida, com o Sporting a jogar de forma muito mais segura, mas o jogo via passar os minutos sem que nenhuma equipa estivesse perto de chegar aos seus objetivos, fosse o empate por parte do Estoril, fosse o golo da tranquilidade do lado dos leões (que continuavam longe daquilo que tinham feito na meia hora inicial do encontro). Os últimos 20 minutos da partida sem que existisse uma oportunidade com perigo na segunda parte num ritmo que deixava a desejar e entre muitos passes errados das equipas.

Os técnicos começavam a lançar os triunfos do banco à procura do crédito que andava arredado do campo, com Ian Cathro a apostar em Lominadze e André Lacximicant (mais tarde entraram Fabrício e Begraoui) e Rui Borges a responder com Fresneda, Geny Catamo e Fotis Ioannidis. Mudanças? Pouco ou nenhumas. Com a chuva a surgir em força na parte final, este era daqueles encontros em que parecia que o Sporting estava a puxar o azar de não resolver o jogo com o segundo golo e colocar-se a jeito de sofrer num ressalto ou numa bola parada. Contudo, ou em paralelo, este era também daqueles encontros onde parecia que o Estoril podia estar a jogar mais uma ou duas horas que dificilmente conseguiria marcar. Alisson ainda teve um arranque pela esquerda interessantes depois de entrar mas o jogo ia mesmo caminhar assim para o final…

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