O Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) está a coordenar um projeto de investigação para desenvolver matéria-prima de origem biológica destinada à produção de espumas para isolamento térmico de elevado desempenho, divulgou esta terça-feira aquela entidade.
“Esta iniciativa estratégica visa impulsionar a transição sustentável no setor da construção, através da criação de soluções de isolamento térmico inovadoras, eficientes e baseadas em matérias-primas renováveis”, esclarece o ISEP numa nota de imprensa.
O projeto EcoSys2Build é gerido por um consórcio do qual fazem parte, para além do ISEP, duas empresas, o CeNTI (Centro de Nanotecnologia, Materiais Técnicos Funcionais e Inteligentes) e o Itecons (Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico Para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade).
O Ecosys2Build tem um valor global de cerca de 1,5 milhões de euros e é apoiado pelo COMPETE 2030, pelo Portugal 2030 e pela União Europeia.
De acordo com o ISEP, “uma das vertentes mais diferenciadoras” do projeto é a “exploração de matérias-primas alternativas, incluindo compostos naturais com elevado potencial para substituir componentes de origem fóssil tradicionalmente usados em sistemas de isolamento”.
A abordagem visa melhorar o desempenho térmico das soluções e reduzir significativamente o impacto ambiental, “promovendo uma nova geração de materiais mais sustentáveis e eficientes”. A investigação “pretende demonstrar que é possível conciliar inovação tecnológica com responsabilidade ambiental, posicionando Portugal como referência na área dos materiais de construção sustentáveis”, acrescenta o ISEP.
A expectativa é que as soluções desenvolvidas contribuam para a “redução das emissões de dióxido de carbono, reforcem a eficiência energética dos edifícios, promovam a economia circular através da valorização de resíduos e estejam alinhadas com os objetivos climáticos da União Europeia”.
“Estes materiais estão a ser estudados em diferentes fases do projeto, de modo a avaliar o seu comportamento térmico, mecânico e ambiental. A integração destas soluções bio-based procura aliar eficiência energética, sustentabilidade e competitividade económica, criando produtos passíveis de serem adotados no setor da construção”, refere Felismina Moreira, investigadora do LabRise do ISEP.
O ISEP afirma que, segundo o Relatório mais recente do Programa Ambiental das Nações Unidas para Edifícios e Construção, “o setor da construção é responsável por cerca de 27% das emissões globais de dióxido de carbono, resultado, em grande parte, da utilização de materiais de base fóssil”.