O Museu Nacional de Arte Contemporânea — Museu do Chiado (MNAC-MC) inaugura na quarta-feira a exposição “Mily Possoz. Uma Poética do Espaço”, a maior apresentação realizada até hoje da obra da artista modernista, alargada a Sintra e Cascais.
Com curadoria de Emília Ferreira, a mostra divide-se em três núcleos expositivos: no MNAC-MC, em Lisboa, no Museu das Artes de Sintra (MU.SA), e nas instalações da NOVA Medical School em Cascais, de acordo com a informação divulgada pelo Museu do Chiado.
Reunindo obras de instituições como o MNAC, da Coleção Millennium bcp, do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação GALP e Vista Alegre, a exposição integra ainda peças inéditas cedidas pela família da artista e por coleções particulares, entre elas do Hotel Tivoli, em Lisboa, e do Hotel de Seteais, em Sintra.
No núcleo patente no MNAC, o percurso expositivo revisita a formação e primeiros passos artísticos de Mily Possoz (1888-1968), desde os estudos na Académie de la Grande Chaumière, em Paris, em 1906, até à encomenda de 1940 para a Exposição do Mundo Português, onde decorou a Sala do Japão, inspirada nos Biombos Namban.
Entre viagens e estadias em Paris, Düsseldorf e Bruxelas, a artista desenvolveu “uma linguagem própria, assente num cromatismo arrojado, no gosto pelo movimento e na experimentação de técnicas”, segundo a curadora da mostra, citada no comunicado.
Pintora, ilustradora, gravadora de ascendência belga, Mily Possoz nasceu em Lisboa, a mesma cidade onde viria a morrer poucos meses antes de completar os 80 anos, deixando uma obra representada em várias e importantes coleções públicas e privadas em Portugal e no estrangeiro, de que se destacam a Biblioteca Real de Bruxelas, uma dezena de museus nos Estados Unidos, e a Biblioteca Nacional de França, entre outros.
De acordo com Emília Ferreira, embora a obra de Possoz tenha sido premiada nacional e internacionalmente com a Medalha de Ouro na Exposição Internacional de Paris (1937), o prémio Amadeu de Souza-Cardoso (1944), o prémio de Desenho José Tagarro (1949), e o prémio de Pintura Columbano (1951) — e acessível aos investigadores, “permanecem sobre ela visões desligadas da observação e ancoradas em pressupostos desinformados”.
“Criadora de um universo autoral, visualmente informado e estruturalmente contracorrente — embora, com frequência, não tenha sido assim percebido pela crítica e pela historiografia — Mily partilha com outras artistas suas contemporâneas não o caráter ‘doce, feérico e onírico’ que se tem insistido em ler nas suas obras, mas uma visão incisiva, atrevida, satírica e lúdica do mundo, oferecendo ao espetador um espelho peculiar, revelador de uma vivência com ênfase num universal feminino — ou seja, assumindo o seu ponto de vista como um novo normativo”, comenta Emília Ferreira.
No MU.SA, em Sintra, estará patente um núcleo com foco a partir dos anos de 1940, sobre a paisagem da região e o retrato na obra de Mily Possoz(MNAC, CAM, Hotel Tivoli, Hotel Seteais, Vista Alegre, colecionadores privados, arquivo familiar), enquanto na NOVA Medical School, em Cascais, também estarão expostos aspetos da paisagem na obra da artista (MNAC, CAM, arquivo familiar, Hotel Tivoli, Câmara Municipal de Almada, colecionadores privados).
Em paralelo, será publicado um volume homónimo, com coordenação e projeto de Emília Ferreira, que reúne 11 ensaios inéditos e cerca de cem imagens, da autoria de especialistas como Alexandra Curvelo, Amanda Reis, Ana Vasconcelos, António Canau, Charlotte Foucher Zarmanian, Jorge Silva, Nancy G. Heller, Rita Mega e Victor dos Reis.
A mostra integra as comemorações dos 30 anos da Fundação Millennium bcp e poderá ser visitada no Museu do Chiado, em Lisboa, de quinta-feira a 1 de fevereiro de 2026, no MU.SA, em Sintra, de sexta-feira a 01 de fevereiro de 2026, e no Health Campus da NOVA Medical School, em Cascais, de 23 de outubro de 2025 a 1 de fevereiro de 2026.