O Jardim das Tulherias, em Paris, transformou-se para receber a nova era Dior. Luca Guadagnino e Stefano Baisi foram os responsáveis por montar o espaço que recebeu na tarde da passada quarta-feira, 1 de outubro, dezenas de convidados A-List do mundo pop para ver aquilo que o novo diretor criativo da maison, e um dos nomes mais sonantes de jovens talentos da moda, preparou para aquela que é a sua coleção de estreia nas roupas para mulher. Na passarelle, Jonathan Anderson prestou uma homenagem à história da Dior, com releituras de clássicos como o Bar Jacket ou o vestido Junon, mas com a ousadia e o surrealismo que o fez elevar a Loewe à marca de eleição dos famosos e da geração Z, entre inspirações no século XVI, com sportwear e um toque pirata pelo meio com os chapéus de Stephen Jones. Tenta assim dar um novo rumo à casa de moda, sem desapegar da elegância que a fez ser grande: mas não é tão fácil agradar a gregos e troianos.
O filme inicial, realizado pelo documentarista Adam Curtis — mais conhecido pelos trabalhos na BBC e pelo grande teor político — traz cinco minutos da história da Dior em imagens. “Do You Dare to Enter the House Of Dior?”, questiona, ao exibir uma mistura de bastidores da criação das peças, desfiles, momentos icónicos da marca (como Galliano num fato de astronauta), Diana a ser perseguida por paparazzi e cenas de filmes de terror de Marlene Dietrich. Um momento para destacar a herança e legado daqueles que vieram antes de Anderson, da mais recente Maria Grazia Chiuri ao mais longínquo Marc Bohan. O filme foi projetado numa pirâmide invertida, posicionada no centro da passarelle, e que convergia numa caixa no chão — onde a implosão acontece e a mudança surge.
▲ No centro do salão uma pirâmide invertida exibiu um curta-metragem que reflete a história da maison
A New Look Dior volta à passarelle com o toque Anderson. Um Bar Suit mais curto, combinado com uma mini saia plissada que termina onde o casaco original acabaria. O vestido Junon de 1949 recriado com pétalas de tule mais pequenas, que dão ainda mais movimento. A renda chantilly, clássico francês e presente nas peças da aristocracia do século XVI, trabalhada para criar laços e volume, mas que serve também como transparência. Silhuetas peplum marcadas e estruturadas, mas com um twist — que já tínhamos visto no festival de Veneza há algumas semanas — com o volume dos drapeados.
Por outro lado, o surrealismo de Jonathan Anderson também estava lá, misturado com os códigos da maison. Desde os chapéus desconstruídos aos sapatos com folhos ou os loafers com o O de Dior em destaque, houve espaço também para a rebeldia do designer, com modelos sem maquilhagem e cabelos despenteados, peças em ganga, calças chino ou camisas polo.
Ousadias que abriram espaço para queixas e comparações. Há quem diga que o desfile trouxe ares de Karl Lagerfeld na Chanel em 2009, outros acham que foi como ver Loewe num grande palco e surgiram comparações ao estilo disruptivo da Balenciaga. Nas redes sociais os críticos dizem que a coleção não tem a elegância que os clientes da marca exigem, pedem o regresso de Maria Grazia Chiuri ou John Galliano e questionam se “isto é Dior”. Paralelamente, os defensores de Jonathan Anderson celebram a frescura da nova visão, garantem que as peças funcionam muito bem isoladamente e justificam que o designer teve pouco tempo para criar as coleções.
▲ Jennifer Lawrence, Jhonny Depp, Mikey Madison e Jenna Ortega foram algumas das celebridades a assistirem ao desfile
Getty Images for Dior
Na fila da frente Anderson também teve o seu próprio exército, formado por figuras que têm moldado a opinião pública através das suas presenças na cultura pop. Atrizes vencedoras do Óscar, como Mikey Madison, Charlize Theron ou Jennifer Lawrence; estrelas do K-Pop, como o cantor Jimin, que tem uma legião de fãs; a antiga e a atual primeira-dama francesa, Carla Bruni e Brigitte Macron; e talentos da nova geração, como Jenna Ortega ou Sunday Rose Kidman Urban — que foi à passarelle. Ao som de “Song of the Sex Monk”, de Tom of England, os looks desfilaram e geraram o caos. Nos bastidores, de acordo com o The Guardian, Jonathan Anderson parecia tranquilo com o efeito: “Bem, Dior é drama”, afirmou.