A Companhia da Esquina apresenta dia 26 no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, a peça “O grande circo”, concebida a partir do texto dramatúrgico “Antes de começar” de Almada Negreiros, anunciou a companhia.
“Antes de começar” é uma pequena peça de Almada Negreiros, editada em 1956, que contém apenas duas personagens, a Boneca e o Boneco. O texto foi representado pela primeira vez em 8 de junho de 1956, no Teatro Nacional D. Maria II, numa criação do Teatro Universitário de Lisboa, com direção artística de Fernando Amado e cenário de Almada Negreiros.
No trabalho elaborado pela Companhia da Esquina, a peça passa-se “algures no Teatro do Mundo” onde “existiu o grande circo”.
“Durante uma eternidade, o grande Circo maravilhou a imaginação dos homens com os seus saltos acrobáticos, voos temerários, números cómicos, máscaras fantásticas e personagens do teatro. Até que um dia, ao som de um realejo, o Grande Circo acabou”, escreve a companhia sediada em Oeiras a propósito do seu trabalho. A parti daí, “o tempo parou, como quando para um relógio avariado”.
Do “Teatro do Mundo”, agora não restam senão destroços de um circo abandonado “na sua glória e na sua praça principal, onde todos os dias passavam as gentes da cidade que, juntamente com as vendedoras, os cauteleiros e as feirantes, retiravam e levavam um pedaço de tudo aquilo que tinha sido o grande circo”.
Com encenação de Jorge Gomes Ribeiro, a peça é interpretada por André Vasconcelos, Catarina Gameiro e Pedro Martinho e a récita naquele centro cultural em Sintra decorre às 16h00.
Entretanto, nos dias 3, 7 e 17 de novembro, pelas 21h00, a Companhia da Esquina apresentará no espaço Boutique da Cultura, em Lisboa “50 madrugadas”, a partir da obra poética de José Carlos Ary dos Santos. Segundo a companhia, o espetáculo decorre numa redação, onde um grupo de jornalistas está a trabalhar num artigo sobre fado e democracia.
“À medida que exploram a obra de Ary dos Santos e outros autores relevantes para o 25 de Abril de 1974, a noite transforma-se numa jornada de memórias, debates e celebração”, na qual os jornalistas “revivem poemas, letras e músicas” ao mesmo tempo que vão debatendo temas como “política, fascismo, fado e património cultural”, escreve a companhia sobre a peça.
Com encenação e dramaturgia de Jorge Gomes Ribeiro, “50 madrugadas” é interpretada por Pedro Pernas, Ricardo Raposo e Sofia Ramos.
Na música estão António Martins (guitarra portuguesa) e Pedro Saltão (viola de fado), enquanto a sonoplastia e a luminotécnica são de Victor Santos.