Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Miguel Vieira Dias. E começamos, Miguel, com o secretário-geral do PS critica o silêncio de Luís Montenegro e pede ao primeiro-ministro para assumir responsabilidades.

José Luís Carneiro marcou uma declaração à imprensa para esta manhã na cidade do Porto, onde fala ainda a esta hora. O secretário-geral do Partido Socialista, que diz que o uso da força deve ser utilizado apenas quando existe uma ação proporcional por parte dos manifestantes. Mas as principais críticas vão, sobretudo, para Luís Montenegro. Diz José Luís Carneiro que o primeiro-ministro tem que falar ao país.

A retirada dos acampamentos pelo direito à habitação terminou com dezenas de detidos e de feridos entre cidadãos e agentes da autoridade. Não podemos ficar indiferentes a que um protesto que se afirmou pacífico tenha terminado desta forma. A saída para esta crise não é policial. A saída para esta crise é política. O primeiro-ministro Luís Montenegro é o primeiro e principal responsável do governo e tem de assumir a sua responsabilidade. Não pode, com o seu silêncio, continuar a atirar polícias contra cidadãos e cidadãos contra polícias. A legalidade democrática vincula a todos, cidadãos e autoridades. Qualquer restrição do direito de manifestação tem de obedecer aos princípios da necessidade, da adequação e da proporcionalidade. Só se justifica quando estejam em causa outros direitos que importe e que seja imperativo preservar.

José Luís Carneiro, numa declaração aos jornalistas, onde diz ainda que as imagens da atuação policial são incompreensíveis face à manifestação que estava a decorrer, quer em Lisboa, quer no Porto. Manifestações que levaram a 31 detenções por parte da polícia, 25 em Lisboa, seis no Porto. Os manifestantes vão ter que se apresentar em tribunal já durante o dia de amanhã. O Movimento Casa para Viver emitiu, entretanto, um comunicado em que fala na existência de mais de 60 feridos, alguns deles graves, e critica o governo por preferir reprimir. As autoridades falam apenas em 11 feridos. O Observador já contactou os hospitais de Lisboa, mas aguarda ainda números oficiais. Entretanto, foi também convocada para terça-feira uma manifestação à porta da Assembleia da República, no dia em que começa a discussão do Orçamento de Estado para 2027.

O ex-ministro e candidato à liderança do PSD, Jorge Moreira da Silva, critica a atuação da polícia nestas manifestações.

O ex-ministro social-democrata diz que, para além de injustificável, à luz da tolerância, da empatia e dos direitos humanos, a carga policial contra protestos pacíficos é um tremendo erro dos decisores. Numa publicação na rede social X, o ex-vice-presidente do PSD alerta que o populismo e a radicalização, e também a descrença na política, alimentam-se de momentos como os que marcaram a madrugada de hoje na Praça do Rossio, em Lisboa, e na Praça Dom João I, no Porto.

João Ferreira acusa o governo de perseguir manifestantes e querer agravar os problemas no setor da habitação.

Numa entrevista à RTP, o vereador da Autarquia de Lisboa, eleito pela CDU, diz que este é um problema de todos. Deixa duras críticas à atitude do governo perante a situação, que acusa de instrumentalizar as autoridades para reprimir os protestos.

O governo não pode usar a polícia para reprimir manifestantes que se manifestaram sempre ordeiramente, pacificamente, e em lugar de responder aos problemas que aqueles manifestantes estão a apontar, decide reprimir manifestantes e avançar com concessões restritivas do direito e da liberdade de manifestação. Não é essa a solução. A solução é responder aos problemas. Se calhar, no imediato, reconsiderar e retirar a proposta de lei que se fez no domínio do arrendamento, que em lugar de resolver o problema, vai agravá-lo.

João Ferreira, vereador do PCP na Câmara Municipal de Lisboa, diz que o governo tem que dar um passo atrás no que toca à nova lei do arrendamento.

E seguimos também com uma entrevista à RTP do porta-voz do LIVRE, Isabel Mendes Lopes, fala num ato inaceitável e espera uma atitude por parte do governo, mas também do presidente da República.

Isabel Mendes Lopes condena o silêncio de Luís Montenegro e diz que é também essencial que António José Seguro se pronuncie sobre o tema da habitação, os protestos e a carga policial desta madrugada. Diz Isabel Mendes Lopes que é a altura de tomar posições e mudar comportamentos.

O que espero é que o governo olhe para as manifestações diárias que têm acontecido, para as manifestações que ontem aconteceram por todo o país, levaram milhares e milhares de pessoas à rua, de todas as idades, de todos os estratos sociais, e que perceba que a lei do arrendamento é completamente inaceitável, mas não só, que é preciso mudar o rumo das políticas de habitação.

Isabel Mendes Lopes, em entrevista à RTP, o LIVRE, que não aceita as explicações dadas pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, sobre as cargas policiais que têm acontecido. O partido considera que nada justifica o nível de violência em ações como as desta madrugada.

Vamos à atualidade internacional, Miguel. Decorreu esta manhã o funeral de um dos dois militares israelitas que morreram na Cisjordânia.

Foram baleados por dois palestinianos na passada sexta-feira num checkpoint em Hebron, na Cisjordânia. Chamava-se um deles Ron Roytman, tinha 23 anos. A acompanhar esta cerimônia fúnebre em Ashkelon, a uma hora e meia a sul de Jerusalém, estiveram os enviados especiais do Observador a Israel, João Perfílio e Pedro Jorge Castro. O Pedro Jorge Castro junta-se agora a nós em direto. Pedro, muita gente a acompanhar estas cerimônias?

Sim, Miguel, cerca de 700 pessoas estiveram no cemitério militar de Ashkelon a acompanhar esta cerimónia. Deixemos dizer que ainda antes, no caminho, no percurso até ao cemitério, nos últimos 500 metros, havia dezenas de bandeiras de Israel ao longo desse percurso, empunhadas por jovens. A maioria das pessoas que estava a assistir eram militares e jovens, da idade do sargento que morreu sexta-feira atingido em Hebron por um palestiniano. O funeral teve alguns detalhes interessantes que foram, por um lado, uma emotividade muito grande, mas com alguma sobriedade. Houve muitas pessoas que se iam emocionando e soluçando, mas eram rapidamente abraçadas pelas pessoas que estavam à volta. Mas isto aconteceu também muito porque, se calhar, ao contrário daquilo que nós imaginamos que possa acontecer numa cerimónia destas, houve 16 discursos. Houve 16 pessoas próximas do soldado Ron Reutman que tomaram a palavra. Claro, o capelão militar, dois comandantes do seu batalhão, o pai, a mãe, irmãs, irmãos, a namorada, amigos e até o presidente da câmara. A namorada teve a oportunidade de lhe dedicar uma música e depois a própria irmã do sargento Ron Reutman acabou por cantar uma canção ao vivo que ele aprecia e de que guardamos este excerto. Deixemos dizer, Miguel, que está a começar precisamente a esta hora, perto de Tel Aviv, o funeral de um segundo militar que foi baleado na sexta-feira na Cisjordânia. A situação continua muito tensa, depois de Netanyahu ter ordenado o bloqueio à Cisjordânia e já arrasou dezenas de habitações do bairro onde viviam os atacantes palestinianos. É uma situação que vamos continuar a acompanhar aqui na Rádio Observador.

O jornalista Pedro Jorge Castro e o João Porfírio em Israel a acompanhar também os mais recentes desenvolvimentos do conflito neste período pré-eleitoral em Israel, a acompanhar as eleições que acontecem daqui a dois dias.

Miguel, temos ainda outras notícias em destaque a esta hora.

O Sporting recebe hoje o Académico de Viseu, depois do Porto ter vencido o Gil Vicente. Os dragões venceram por 1 x 0, com um golo solitário de Borja Sáenz. Assim a equipa de Farioli mantém-se invicta no Campeonato Português. Hoje é o Sporting a entrar em campo frente ao Académico de Viseu, com Rui Borges a manter a dúvida sobre quem vai ser o guarda-redes do Sporting depois de Rui Silva ter sido afastado nos últimos dois jogos. Os leões entram em campo às 20h30.