O regresso da rainha. Apesar de ter começado no final de agosto, é por estes dias que a Taça de Portugal ganha mediatismo. As equipas da Primeira Liga entram em ação e, como habitual, o sorteio ditou confrontos entre as principais equipas do futebol português e conjuntos que militam em divisões inferiores e que, em alguns casos, nem são profissionais. Esta é a realidade que só a prova rainha pode colocar em oposição. Ainda assim, como tem sido habitual nos últimos anos, a festa do futebol não viajou até à casa da equipa visitada, o Celoricense, que recebeu o FC Porto no Estádio Cidade de Barcelos, a mais de… 80 quilómetros do Municipal de Celorico de Basto, que não estaria em condições de receber este jogo. Apesar dessa condicionante, o dia foi de festa e os dragões prontificaram-se a oferecer a sua parte da receita, como habitual nestas circunstâncias.
Novo desafio, a mesma ambição.
Arranca a #TaçadePortugal! ????⚪???? @sporttvportugal pic.twitter.com/qd2TMXNjWW
— FC Porto (@FCPorto) October 18, 2025
Praticamente duas semanas depois do empate frente ao rival Benfica (casa, 0-0), naquele que foi o primeiro jogo que a equipa de Francesco Farioli não venceu na presente temporada, os portistas passaram por uma razia no plantel nas últimas semanas, por conta dos compromissos internacionais. Assim e tendo em conta que o FC Porto tem pela frente uma difícil deslocação ao reduto do Nottingham Forest a meio da semana, o treinador italiano tinha aqui a oportunidade de dar minutos aos jogadores menos utilizados no seu plantel, sabendo-se de antemão que Diogo Fernandes, Pedro Lima, Gabriel Brás e Ángel Alarcón não seriam utilizados, pois “baixaram” à equipa B, para defrontarem o Marítimo, no domingo.
Ficha de jogo
↓ Mostrar
↑ Esconder
Celoricense-FC Porto, 0-4
3.ª eliminatória da Taça de Portugal 2025/26
Estádio Cidade de Barcelos
Árbitro: Carlos Macedo (AF Braga)
Celoricense: Gonçalo Luís; Carlos Mendes, Diogo Miguel, Pedro Pinto, João Padi (Nuno Pinto, 76’); Didi (João André, 68’), Diogo Alves (Whalysson Amon, 68’), Matchu; Juninho (Lucas, 80’), Jhon Rentería (Gustavo Pereira, 46’) e Andrezinho
Suplentes não utilizados: Juninho; Freider Sanchez, Gonçalo Borges e Rafa Silva
Treinador: Rafael Seixas
FC Porto: Cláudio Ramos; Alberto Costa, Jan Bednarek, Jakub Kiwior (Dominik Prpic, 46’), Francisco Moura; Alan Varela, Victor Froholdt (Stephen Eustáquio, 74’), Gabri Veiga (Rodrigo Mora, 60’); Pepê, Borja Sainz (William Gomes, 60’) e Deniz Gül (Samu Aghehowa, 60’)
Suplentes não utilizados: João Costa; Martim Fernandes, Pablo Rosario e Yann Karamoh
Treinador: Francesco Farioli
Golos: Bednarek (9’) e Samu (62’, 71’ e 73’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Bednarek (56’) e Diogo Alves (66’)
“É uma competição nova para nós, um novo capítulo. Queremos explorar isso até ao último momento e ir até ao fim. Vi algumas entrevistas que eles fizeram e percebo o sentimento deles. A minha carreira como treinador começou a nível amador e sei o que significa isto. Vão dar a vida. É uma excelente oportunidade para mostrarem o valor deles. Quando olhamos para outros países e para Portugal, já vimos outras surpresas. Queremos ser melhores. No papel, podemos dizer muita coisa. Na prática, o jogo começa 0-0. É uma eliminatória com uma partida e muita coisa pode acontecer. Penso sempre no pior cenário. Os níveis são diferentes, mas o futebol é 11 contra 11 e torna-se imprevisível. Já mencionaram muitas vezes a ida ao final do Jamor. Já falaram da aura do sítio. Conheço o sítio, já vi uns jogos e espero estar lá para competir. Para chegar lá, a viagem é longa”, antecipou Farioli.
Pela frente o FC Porto tinha um Celoricense a viver o melhor capítulo da sua história, já que a equipa de Braga nunca tinha defrontado um grande do futebol português. Vencedor da última Pró-Nacional da Associação de Futebol de Braga, o celoricenses começaram a temporada a vencer a Supertaça distrital. “Não vamos jogar da mesma forma como fazemos no Campeonato. Não é o nosso objetivo ‘estacionar o autocarro’, da mesma forma que acredito que não seria o objetivo de Nacional, Arouca, Benfica ou Salzburgo. A qualidade do adversário obriga a baixar as linhas. Mas temos uma estratégia para o jogo, não tão pressionante, e vamos tentar ser competentes dentro do plano. Isto é uma montra para todos, jogadores, equipa técnica e clube. Penso que é muito merecido. O clube está a ter um crescimento que ninguém esperava. No ano passado, poucos pensavam que o Celoricense subisse de divisão”, explicou o treinador Rafael Seixas, que na eliminatória passada deixou pelo caminho o Mafra.
???? Estádio Cidade de Barcelos#TacadePortugal pic.twitter.com/u4329u0cv5
— FC Porto (@FCPorto) October 18, 2025
A única certeza no onze inicial era a titularidade de Cláudio Ramos, adiantada por Francesco Farioli na conferência de imprensa de antevisão à partida. Ao guarda-redes português juntou-se apenas Deniz Gül, que rendeu Samu Aghehowa. De resto, ao contrário do que se previa, o treinador italiano decidiu não facilitar e manteve os restantes nove titulares habituais. No Celoricense, Rafael Seixas confirmou a abordagem mais ofensiva e lançou a equipa num 4x3x3, com as setas Didi, Jhon Renteria, Andrezinho e Juninho apontadas à baliza portista. Como seria de esperar, o FC Porto entrou com mais bola e à procura do golo, que quase apareceu num remate de Borja Sainz, à entrada da área, só que a bola saiu ligeiramente ao lado (3′). Pouco depois, Gabri Veiga cobrou um canto na esquerda para o centro da pequena área, Alan Varela bloqueou, no limite da legalidade, Gonçalo Luís, que falhou a bola e permitiu a Jan Bednarek cabecear para a baliza deserta, com Diogo Alves a não conseguir evitar o golo (9′). A partir daí, o ritmo caiu, com os dragões a entrarem numa exibição de serviços mínimos (0-1).
Na etapa complementar, Dominik Prpic saiu do banco para render Jakub Kiwior, com Jhon Rentería, que até deixou boas indicações na primeira parte, a sair por troca com Gustavo Pereira. O FC Porto voltou a ter uma entrada forte e afirmativa e, lançado pelo central croata, Francisco Moura dominou dentro da área, passou a bola por entre as pernas de um adversário e, perante a saída de Gonçalo Luís, tentou o golo, mas o guarda-redes defendeu para canto (50′). Na bola parada, Gabri repetiu a receita do golo inaugural e colocou a bola na mesma zona, Bednarek voltou a ganhar, mas desta vez cabeceou à trave, sem que ninguém conseguisse desviar na recarga (51′). No lance seguinte, Victor Froholdt combinou com Pepê, ganhou espaço e, já dentro da área, atirou por cima (52′).
Ultrapassado o fulgor inicial, Farioli meteu a carne toda no assador à passagem da hora de jogo, lançando Rodrigo Mora, William Gomes e Samu no ataque. Na primeira vez que tocou na bola, o internacional espanhol… marcou. Prpic encontrou o avançado no corredor central, este recebeu, rodou, aguentou a carga e, à entrada da área, desferiu um remate colocado para o fundo da baliza (62′). Já com Whalysson e João André em campo, os azuis e brancos — este sábado de rosa — beneficiaram de mais um canto na esquerda, com Mora a levantar para o primeiro poste, onde Bednarek voltou a ganhar e assistiu Samu para o terceiro golo (71′). O hat-trick consumou-se logo a seguir, com o espanhol a concluir uma jogada simples, em velocidade, que saiu dos pés do central polaco, passou por William e acabou com o seu remate (73′).
Para a reta final da partida, Stephen Eustáquio rendeu Froholdt, ao passo que Rafael Seixas concedeu a oportunidade a Nuno Pinto e a Lucas. Rodrigo Mora ainda tentou inscrever o seu nome na lista de marcadores mas, depois de combinar com William, desferiu um remate colocado, de pé esquerdo, que passou perto do poste (84′). Na última ocasião, Lucas tentou o golo de honra celoricense, mas Cláudio Ramos fez bem a mancha (87′). Desta forma, o FC Porto está na quarta eliminatória da Taça de Portugal, onde vai receber Sintrense ou Rio Ave (0-4).