A iniciativa Professores do Futuro lançou esta quarta-feira uma nova academia digital que junta na mesma plataforma formações, recursos e ferramentas de inteligência artificial para apoiar os docentes, num esforço para democratizar as oportunidades de desenvolvimento profissional.

“Queremos que todos os professores tenham um acesso democratizado àquilo que são as oportunidades para se desenvolverem e para crescerem”, explicou o fundador da iniciativa, em declarações à Lusa.

Depois de dois anos a desenvolver formação para professores, a Professores do Futuro considerou que havia uma lacuna na oferta, algo que respondesse às necessidades formativas de forma inovadora, mas também a “outras dores”, como descreve Rodrigo Castro.

O diagnóstico resultou de um inquérito, que auscultou cerca de 300 professores sobre o seu bem-estar e as respostas relatam falta de apoio no quotidiano escolar, baixos níveis de bem-estar, falta de ferramentas úteis e espaços de partilha entre colegas.

“O que percebemos foi que os professores precisam de muito mais do que apenas formação e a academia tem como principal objetivo preencher essas lacunas e ajudar a resolver essas dores como um todo“, referiu o fundador.

Na plataforma da Academia Professores do Futuro, os docentes terão acesso a formações acreditadas, uma biblioteca de recursos, eventos semanais com especialistas e três assistentes de Inteligência Artificial (IA), criados e treinados especificamente para apoiar em três áreas: apoio ao bem-estar emocional, decisões do dia-a-dia escolar e criação de atividades educativas.

 Tudo funcionará online, uma escolha que procura democratizar o acesso aos conteúdos.

“Não nos faz sentido que um professor que resida numa zona distante de centros geográficos mais densos em termos de população de docentes, como é o caso de Lisboa, não tenha acesso às mesmas oportunidades”, justificou, considerando que deveria ser o sistema educativo a dar resposta a essa necessidade.

“E devia existir com muita qualidade, mas nós não vemos isso a acontecer e por isso vamos fazer nós próprios”, acrescentou.

Quanto às formações contínuas, o responsável adiantou que, para já, incidirão sobre matérias mais generalista, abordando também temas como a inteligência artificial, bem-estar, integração de alunos migrantes, cidadania e sustentabilidade, e como utilizar o património local como recurso de aprendizagem.

“Depois, à medida que o tempo for passando e à medida que a comunidade for crescendo vamos começar a afunilar, para que mais professores possam ter acesso à formação específica para as suas áreas letivas”, adiantou.

Na plataforma, os professores poderão contar ainda com um espaço digital de partilha de boas práticos, desenvolvimento de projetos conjuntos e combate ao isolamento profissional.