As negociações foram longas, o epílogo acabou por não desfazer aquilo que parecia há muito um cenário certo. Apesar de todas as tentativas, o Benfica não conseguiu chegar a acordo para renovar contrato com Rafa em 2024 (apesar de ter nas mãos uma proposta que o colocaria no teto salarial do plantel), vendo assim sair um avançado que jogou oito anos na Luz, deixou marca e saiu com um total de sete títulos entre os quais três Campeonatos. Podia a despedida ser “limpa”? Podia. Podia e foi, com o jogador a gravar uma entrevista para os canais do clube – apesar de ser alguém que nunca gostou de falar em público – onde assumiu a ligação que ficaria para sempre com os encarnados e explicou o porquê de ter recusado uma homenagem no final.
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“É difícil quando tens de abandonar uma coisa que foi a tua casa durante tanto tempo, não é? Oito anos… As pessoas pensam que é fácil termos de ir embora, abandonar, que isto é só um trabalho, mas passamos tanto tempo aqui, com estas pessoas, neste relvado, que isto torna-se uma coisa da nossa vida e é sempre difícil. Saio todo contente porque sei que fiz o meu trabalho e as pessoas que vou deixar para trás são amigas e que considero muito na minha vida. Homenagem? Nenhum jogador joga para homenagens, joga para se evidenciar. Sempre disse isto… Nunca quis câmaras, nunca quis prémios, nunca quis nada disso. Não tive interesse, nunca vou ter interesse nisso. O meu interesse sempre foi que as pessoas gostassem de mim como homem, pelo meu caráter, pelo que eu sou, não pelo Rafa jogador. Uns gostam, outros não, isso faz parte da vida, mas as homenagens não são para mim. Não quero nada disso”, confidenciou nessa entrevista.
“As pessoas não têm muita noção do que são oito anos num clube e acho que é isso que senti nesse momento da despedida. ‘Ok, isto está a acontecer, está na minha hora, decidi que assim o fosse. Mostra que tenho uma grande família, fora da família que tenho em casa, e sempre disse isso. Para mim o mais importante serão sempre as conexões que faço e não o que faço como jogador, porque isso a mim não me interessa muito. Teria de sair e iria sair pelo meu pé. Estava a bater tudo certo: a estreia foi contra o Arouca, em Arouca, a despedida foi contra o Arouca, agora em nossa casa… Acho que foi uma coisa perfeita”, acrescentou.
Acabado de fazer 31 anos, Rafa seguiria para a Turquia, aceitando uma proposta catalogada pela imprensa desportiva turca como milionária (seis milhões de euros por temporada, mais oito milhões de euros como prémio de assinatura). Em termos desportivos, apesar da falta de títulos, a primeira temporada foi positiva, terminando com 18 golos e 12 assistências em 49 jogos. Na presente época, onde fez cinco golos e três assistências em 16 partidas até ao início de outubro, começou ao mesmo nível. Depois, tudo aconteceu: foi afastado da equipa, esteve sem treinar, trocou comunicados com o clube, voltou ao plantel, esteve com pé e meio fora, passou a estar quase a 100% dentro. Ponto comum a todos esses períodos? O nome do Benfica pelo meio, numa fase ainda sem base e agora com fundamento. Tanto fundamento que pode valer regresso.
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Rafa, que começou no Atl. Povoense, fez a formação no Alverca, destacou-se no Feirense e saiu para Braga no dia em que o Sporting ainda o tentou desviar para Alvalade em 2013. Em 2016, novo duelo nos dias finais do mercado, vitória do Benfica quando o FC Porto também terá perguntado pelo avançado. Os encarnados desembolsaram 16 milhões de euros para garantirem o campeão europeu por Portugal, que sairia no final da época de 2023/24 a custo zero. Agora, a história pode ser reescrita… caso seja atingido um acordo com a formação turca do Besiktas, sendo garantido que existe essa vontade de Rafa regressar a Portugal e à Luz com um contrato de duas temporadas e meia com os encarnados que seria válido até junho de 2028.
“O Benfica apresentou uma oferta por Rafa. O Rafa poderá sair e jogar no Benfica se a proposta for pelo valor que queremos. Se ficar? O que teremos de pagar de salários não é importante para nós. Se não houver um acordo, vai continuar a vida como jogador do Besiktas”, assumiu esta sexta-feira o presidente do Besiktas, Serdar Adali. Em causa estará um valor de cinco milhões de euros que pode ascender a sete milhões por objetivos desportivos, fasquia que ainda será curta para garantir o regresso do jogador. Nas últimas horas foi também ventilada uma proposta dos sauditas do Al Ahli, que têm como diretor desportivo Rui Pedro Braz, acima dos 12 milhões de euros. Apesar disso, é nas conversas entre Besiktas e Benfica que tudo se centra, com a imprensa turca a apontar para um valor fixo de sete milhões de euros para poder haver fumo branco.
Numa fase em que o mercado do Benfica parecia apontar para mais um extremo, com os nomes de André Luiz (Rio Ave) e Wesley (Al Nassr) apontados à Luz, o segundo reforço de inverno do Benfica poderá dar a volta à situação recuperando uma cara conhecida dos encarnados que não joga desde o início de novembro. Até ao momento, Sidny Lopes Cabral, lateral/ala cabo-verdiano de 24 anos que foi contratado ao Estrela da Amadora por quase seis milhões, é a única cara nova no plantel comandado por José Mourinho.