O filme “Sentimental Value”, de Joachim Trier, venceu este sábado em Berlim o prémio de “Filme Europeu” atribuído pela Academia Europeia de Cinema, conseguindo ganhar ainda noutras cinco categorias.
A produção de Joachim Trier estava entre as mais nomeadas da 38ª edição dos prémios de cinema europeu e foi a que arrecadou mais vitórias. Além de ter sido considerado o melhor filme europeu, a Academia Europeia de Cinema atribuiu o prémio de “Realizador Europeu” para Joachim Trier, o prémio “Atriz Europeia” para Renate Reinsve, o prémio “Ator Europeu” para Stellan Skarsgård, o prémio de “Argumentista Europeu” para Eskil Vogt e Joachim Trier e ainda o prémio “Compositor Europeu” foi para Hania Rani.
O filme tem prevista estreia em Portugal a 29 de janeiro de 2026.
Também entre os mais nomeados estava o filme “Sirat”, de Oliver Laxe, que acabou por ganhar em cinco categorias: “Design de Produção” para Laia Ateca, “Design de Som” para Yasmina Praderas, Amanda Villavieja e Laia Casanovas, “Direção de Casting Europeu” para Nadia Acimi, Luís Bértolo e María Rodrigo, “Diretor de Fotografia Europeu” para Mauro Herce e ainda “Editor Europeu” para Cristóbal Fernández.
No documentário, foi o “Fiume o morte”, de Igor Bezinovic, a ganhar o prémio de “Documentário Europeu”.
O primeiro prémio desta cerimónia que decorreu hoje em Berlim foi para a portuguesa Laura Carreira, que ganhou o “Prémio Descoberta” com o filme “On Falling”.
Filme “On Falling” de Laura Carreira recebe Prémio Descoberta pela Academia Europeia de Cinema
“On Falling” é a primeira longa-metragem de Laura Carreira e o filme, com produção luso-britânica pela BRO Cinema e pela Sixteen Films, explora questões sobre precariedade laboral e solidão, a partir da história de Aurora, uma jovem portuguesa emigrada na Escócia.
Laura Carreira, que vive e trabalha há mais de uma década no Reino Unido e é autora das curtas-metragens “Red Hill” (2018) e “The Shift” (2020), já foi duplamente distinguida nos prémios BAFTA da Escócia — de Argumento e Filme de Ficção — com “On Falling”.
A Academia homenageou este ano a actriz e realizadora norueguesa Liv Ullmann, uma das musas e colaboradora frequente do sueco Ingmar Bergman (com quem foi casada). Deu rosto a filmes como Persona, Lágrimas e Suspiros e Sonata de Outono, é simplesmente uma das mais fabulosas intérpretes de todo o cinema europeu. “Somos as ruínas para o futuro”, disse a actriz em Berlim. “Daqui a 100 ou 200 anos, os filmes servirão para mostrar quem fomos.”
A italiana Alice Rohrwacher, autora de cinco longas-metragens e várias curtas (incluíndo Le pupille, nomeada para os Óscares), recebeu também um prémio de homenagem pese embora os seus 44 anos. “Ainda posso fazer outros filmes depois disto? Têm a certeza que não se enganaram?” – perguntou, entusiasmada.
Também fora de comum foi o prémio atribuído à produtora germânica Komplizen Film, formada por Maren Ade, Janine Jackowski e Jonas Dornbach, responsável por êxitos como Toni Erdmann e diversas co-produções europeias, entre elas Tabu e As Mil e Uma Noites, ambos de Miguel Gomes, assim como a co-produção vencendora da noite, Valor Sentimental.
Já o Melhor Documentário do Ano distinguiu Fiume O Morte!, de Igor Bezinović, co-produção eslovena-croata-italiana que venceu o Festival de Roterdão em 2025. Foi exibido em Portugal pelo Curtas – Vila do Conde. A obra impôs-se, entre outras, a Tardes de Solidão, de Albert Serra (Concha de Ouro em San Sebastián 2024) e a With Hasan in Gaza, de Kamal Aljafari (filme premiado em Locarno que inaugurou a última edição do Doclisboa). Todos os títulos citados integraram múltiplas listas de melhores filmes da crítica internacional no ano passado.
Perto do final da cerimónia, foi tocante a homenagem ao recém-falecido Béla Tarr por parte do seu director de fotografia, o alemão (e também cineasta) Fred Keleman, que anunciou, como era esperado, o Prémio de Melhor Fotografia. Venceu Mauro Herce, por Sirât: mais uma distinção técnica para a obra de Oliver Laxe. Os Prémios do Cinema Europeu voltam daqui a um ano, em Atenas.
O autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico.