O presidente da Assembleia da República apelou esta terça-feira a que nunca se esqueça o “horror” do holocausto, salientando que nesse período “a mentira mandava”, mas que houve quem não se conformasse e recusasse a obediência cega.
Esta posição foi defendida por José Pedro Aguiar-Branco, perante jovens, numa iniciativa do parlamento destinada a assinalar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.
Antes, também no Centro Interpretativo do Parlamento, o presidente da Assembleia da República inaugurou a exposição “Vidas Poupadas”, em que se distingue a ação dos antigos diplomatas Aristides Sousa Mendes, Carlos Sampaio Garrido e Alberto de Lis-Teixeira Branquinho na proteção de judeus. Uma exposição que foi apresentada pela antiga secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias.
Na sua intervenção, José Pedro Aguiar-Branco lembrou que “há menos de cem anos”, na Europa, houve guetos, deportações em massa, campos de extermínio, trabalhos forçados, tortura e câmaras de gás.
“Oitenta e um anos depois da libertação dos campos de concentração, lembramos para nunca esquecer. E a nossa memória, a nossa evocação das vítimas, traz sempre uma pergunta: como foi possível em plena Europa, em pleno século XX?”.
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O presidente da Assembleia da República questionou então “como foi possível que o mal criasse raízes tão profundas” e “como foi possível que tantas pessoas convivessem com o horror?”
Em seguida, considerou que, precisamente neste contexto, se deve lembrar “os que não se conformaram e não se calaram; os que não deixaram que as suas consciências fossem adormecidas pela propaganda, pelo medo, ou pelo hábito de uma obediência cega; os que correram riscos, para salvar vidas; os que proclamaram a verdade, num tempo em que a mentira mandava; os que foram justos, diante da injustiça”.
“Este ano, a Assembleia da República assinala o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, com uma evocação destas pessoas. Lembramos, em particular, três diplomatas portugueses: Aristides de Sousa Mendes, Carlos Sampaio Garrido e Alberto de Lis-Teixeira Branquinho. Nomes que não devemos esquecer pela sua clareza moral, pela sua coragem e pela sua retidão de consciência”, frisou.
Segundo o presidente do parlamento, a ação destes três diplomatas “permitiu salvar dezenas de milhares de judeus e de outros refugiados, emitindo vistos, que os ajudaram a fugir da perseguição”.
“Termino com as palavras de um grande escritor do século XX. Nenhum de nós pode escolher o tempo em que nasceu. Só nos cabe decidir o que fazer com o tempo que nos é dado”.
Para o presidente da Assembleia da República, “é precisamente isto que é pedido aos cidadãos em cada momento, seja nos anos 30, diante do nazismo, seja hoje, em 2026, com todos os desafios que o mundo e o país enfrentam”.
“Não escolhemos os tempos, nem os combates. Decidimos apenas a nossa forma de estar. É por isso que é tão importante aprender com os melhores exemplos. Para sabermos estar à altura deles”, acrescentou.