Com a parte das entradas fechada a tempo, primeiro com a chegada de Luis Guilherme e depois com outra contratação para as alas de Souleymane Faye (neste caso num processo que se arrastou um pouco mais do que previsto), os últimos dias do mercado de transferências do Sporting deveriam ficar apenas reservados para potenciais saídas para equilibrar o plantel. A certa altura ainda foi ventilada a possibilidade de cedência de Koshorashvili, que poderia obrigar a uma derradeira incursão por outro jogador para o corredor central mas, sem saídas extra programação, existiam apenas dois casos a centrar atenções. Na teoria, deveria ser assim. Na prática, acabou por não ser. E as últimas horas da janela de janeiro podem ainda trazer uma nova “novela” a Alvalade – mesmo que, no final, tudo acabe por ficar exatamente como estava planeado.

Com o regresso de Nuno Santos, que voltou aos relvados 463 dias depois no encontro da equipa B frente à Oliveirense, a possibilidade de negociar Alisson pelas chegadas de Luis Guilherme e Faye (além do regresso após lesão de Pedro Gonçalves, algo que deverá acontecer também nas próximas semanas com Geovany Quenda) ganhou força. O Nápoles viu recusada uma primeira proposta que apontava apenas para uma cedência por empréstimo mas insistiu pelo brasileiro, apresentando uma nova oferta com três milhões de euros pelos seis meses da época de 2025/26 mais uma cláusula obrigatória de 15 milhões de euros.

O jovem ala contratado no verão à União de Leiria por dois milhões de euros voltou a sair do banco para ser decisivo na partida frente ao Nacional, assistindo Luis Suárez para o golo da vitória já depois de ter feito o 3-2 em Bilbau que qualificou de forma direta o Sporting para os oitavos da Liga dos Campeões, mas nem isso deverá promover um recuo num negócio que se encontra perto da conclusão, com o brasileiro a ter viagem marcada para Itália esta segunda-feira para os habituais exames médicos e assinar contrato. Em paralelo, e num movimento mais inesperado, também Matheus Reis deverá deixar Alvalade já em janeiro.

O defesa brasileiro de 30 anos termina contrato no final da temporada e, depois de conversações ainda no epílogo da época de 2024/25 (antes da final da Taça de Portugal que valeu um castigo de cinco jogos que foram cumpridos no arranque de 2025/26), não fazia parte dos planos para 2026/27. Assim, e perante uma proposta milionária em termos salariais dos russos do CSKA de Moscovo, o jogador informou a SAD verde e branca de que tinha em mãos essa oferta e que pretendia aceitar, estando agora a ser negociada a rescisão de contrato entre as duas partes para que Matheus Reis possa assinar com o conjunto moscovita nesta janela. Já antes, sobretudo na sequência de tudo o que se passou depois do encontro no Jamor, o brasileiro tinha falado com os dirigentes sobre a vontade de deixar Portugal e abraçar um novo desafio – que apareceu agora.

Em condições normais, tudo ficaria resumido a estas operações. No entanto, e sem que nada o fizesse prever, há um novo nome a dar que falar: Morten Hjulmand. Tanto que, sem estar limitado em termos físicos nem ter a necessidade de ser “poupado”, o médio saiu da convocatória apesar de estar apontado ao onze.

Numa primeira instância, o Sporting falou apenas em “razões pessoais”, garantindo que o capitão estaria de novo a trabalhar na Academia a partir desta segunda-feira. Contudo, pouco depois, foram surgindo outras “pistas” em relação à ausência com os nomes Atl. Madrid e mercado envolvidos. Sem que nada o fizesse prever, até pelo que tinha sido falado com o capitão no início da temporada para que pudesse fazer uma época “tranquila”, que pode até acabar no Mundial caso a Dinamarca consiga a qualificação no playoff, e no verão de 2026 tivesse carta branca para poder sair perante uma proposta abaixo dos 80 milhões de euros da cláusula de rescisão. Era isto que tinha sido apalavrado, era isto que podia agora ter sido “abalado”.

Apesar do terceiro lugar na Liga a dez pontos do Barcelona (e nove do rival Real Madrid), os colchoneros planeiam ter um ataque forte a este mercado de janeiro em busca de um médio e dois avançados. No que toca às unidades mais ofensivas, a questão pode ter ficado resolvida este fim de semana, com o nigeriano Ademola Lookman, que parecia certo nos turcos do Fenerbahçe, a ser desviado para a capital espanhola a troco de 35 milhões de euros mais cinco milhões de variáveis e Marcos Leonardo, brasileiro que passou pelo Benfica antes de rumar ao Hilal, em negociações para rumar ao Metropolitano. Faltava agora a unidade para o corredor central pretendida e, numa espécie de plano B, as atenções viraram-se para Hjulmand, sendo que o médio do Sporting não é a única possibilidade para reforçar os colchoneros nessa posição.

João Gomes, médio que se destacou no Flamengo e que cumpre a quarta temporada no Wolverhampton, era a primeira opção, numa fase em que o conjunto inglês começa a preparar uma “nova era” perante a mais do que provável descida ao Championship (Jorgen Strand Larsen, por exemplo, está a caminho do Crystal Palace). Não havendo possibilidade de acordo, as atenções do Atl. Madrid viraram-se para Kees Smit, jovem jogador neerlandês do AZ Alkmaar. Mais uma opção que caiu, outro nome apareceu. Segundo confirmou o Observador, o Sporting não recebeu qualquer proposta concreta pelo dinamarquês mas, prevendo aquilo que já aconteceu noutros mercados (nomeadamente perante a possibilidade de rumar de volta à Serie A via Juventus), preferiu deixar o jogador de fora com o Nacional para que tudo “serenasse”.

Tudo eclodiu com uma abordagem feita por intermediário, que não os representantes do jogador, que dava conta de uma possível proposta na ordem dos 30 milhões mais bónus por objetivos desportivos que estaria para chegar (e que não chegou). Essa sondagem, que não passou disso mesmo, “mexeu” com o jogador e foi por essa razão que a SAD verde e branca, em conjunto com Rui Borges, decidiu tirar o capitão da equação do encontro desta noite em Alvalade. Por um lado, ninguém acreditava que fosse apresentada uma oferta concreta. Depois, o valor ficaria sempre abaixo do mínimo exigível. Por fim, existia a confiança de que o compromisso verbal feito no verão não seria beliscado. É por isso que, nesta fase e com o atual contexto, não existe hipótese de haver uma negociação para a venda do internacional no mercado de janeiro.

“Estou focado em continuar aqui. Tenho contrato com o Sporting e respeito isso. Adoro a minha vida e fazer parte do plantel e da família do Sporting. Só estou focado nisso agora”, comentou Morten Hjulmand depois da vitória dos leões em Bilbau para a Liga dos Campeões que colocou a equipa de forma direta nos oitavos da Liga dos Campeões. “Optámos, por decisão nossa, por deixar o Morten de fora, para o proteger de alguma forma. É um não assunto, jogará com toda a certeza contra o AVS e será titular. A equipa acaba por conseguir responder às ausências. Proteger de quê? Para o deixar de fora. Foi uma decisão nossa. Dentro dos motivos pessoais, achámos melhor deixá-lo de fora”, salientou Rui Borges após o jogo com o Nacional.