“Olhar o Sol”
O tema da “experiência feminina” é um saco muito grande, onde cabem muitas coisas. Inclusivamente, longas, espessas e presunçosas estopadas como Olhar o Sol, da alemã Mascha Schilinski, que mesmo apesar disso – ou talvez por causa disso — ganhou o Prémio do Júri no Festival de Cannes, e foi proposto pela Alemanha para a nomeação ao Óscar de Melhor Filme Internacional. O filme cobre um século e passa-se numa quinta do Norte da Alemanha, seguindo quatro raparigas de sucessivas gerações da mesma família, e Schilinski consegue passar duas horas e meia sem adiantar algo de significativo dos pontos de vista narrativo e dramático sobre elas, ficando-se por assumir uma óbvia, afetada e rebuscadíssima pose de filme “de autor”.
“Primeira Pessoa do Plural”
Na terceira longa-metragem de Sandro Aguilar, após A Zona (2008) e Mariphasa (2017), um casal, Mateus e Isabel (Albano Jerónimo e Isabel Abreu), prepara-se para ir comemorar os 20 anos de vida em comum num luxuoso resort nos trópicos, deixando em casa o filho adolescente. Mas comportam-se ambos de forma bizarra, o que poderá estar relacionado com as vacinas que tiveram que tomar e lhes deram febre. Quem segue o trabalho de Aguilar não estranhará o rumo desconcertante e a personalidade movediça que o filme assume, mas Primeira Pessoa do Plural é talvez o mais impenetrável que ele assinou. É cinema cifrado, cuja chave o realizador nos recusa dar, e como se isso não bastasse, há vários momentos de comicidade involuntária.
“Se Eu Tivesse Pernas Dava-te um Pontapé”
Mary Bronstein escreve, realiza e interpreta um dos papéis de Se Eu Tivesse Pernas Dava-te um Pontapé, em que Rose Byrne interpreta Linda, uma terapeuta e mãe de uma menina com uma doença que a obriga a ter uma sonda no umbigo e estar ligada a uma máquina. O marido de Linda é comandante de navios de cruzeiro e está muito tempo ausente. Quando o tecto do quarto do casal desaba e a casa fica inundada, Linda instala-se com a menina num motel. Byrne teve o Prémio de Melhor Intérprete no Festival de Berlim, o Globo de Ouro de Melhor Actriz num Musical ou Comédia e está nomeada ao Óscar respectivo. Se Eu Tivesse Pernas Dava-te um Pontapé foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.