Em Portugal, mais de um quarto da população adulta (cerca de dois milhões de pessoas) vive com obesidade, de acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS). São números impressionantes que espelham bem a dimensão do problema. Mas a realidade torna-se ainda mais preocupante quando consideramos que, segundo o estudo “Saúde que Conta 2025”, 1 em cada 7 portugueses com obesidade não reconhece que tem a doença.
Este cenário demonstra que a obesidade é uma emergência de Saúde Pública, exigindo a criação de iniciativas de ação coletiva mais eficazes e estruturadas para o seu combate.
Parceiros que fazem a diferença
A abordagem à obesidade precisa da união de todos: comunidade médica e científica, doentes, sociedade civil, poder público e privado. É neste contexto que surge o “Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade”, que reuniu a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), a Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), a Sociedade Portuguesa de Cirurgia da Obesidade e Doenças Metabólicas (SPCO) e a Associação Portuguesa de Pessoas que Vivem com Obesidade (ADEXO).
A iniciativa conta com o apoio institucional da Lilly, que soma quase 150 anos de história no desenvolvimento de medicamentos inovadores que melhoram a qualidade de vida de pessoas em todo o mundo. “Alinhado com as novas orientações da OMS, o Manifesto cria um consenso sem precedentes em Portugal. A discussão já não é se devemos agir, mas como acelerar, em conjunto, a implementação de uma estratégia que é uma prioridade nacional”, refere Sara Farinha, Diretora de Acesso e Assuntos Corporativos da Lilly Portugal. “Presente em Portugal há mais de 60 anos, a Lilly traz soluções inovadoras para ser um parceiro construtivo na resposta aos problemas mais complexos de saúde da atualidade, incluindo obesidade”, acrescenta.
Passar da consciência à ação
Hoje existe um consenso científico claro: a obesidade é uma doença crónica, complexa e multifatorial – e não uma escolha. Resulta nomeadamente de fatores genéticos, ambientais, comportamentais, frequentemente interligados e, por vezes, fora do controlo direto das pessoas, confirmando que “O corpo pode resistir à perda de peso”. Por isso, é importante que haja uma abordagem integrada, multidisciplinar e baseada na evidência.
A nível governamental, esta visão é expressa no Plano Nacional de Prevenção e Gestão da Obesidade (PNPGO), que foi concebido como uma plataforma transversal para agregar e coordenar medidas e intervenções na área da obesidade, potenciando a articulação entre programas nacionais de saúde, setores e níveis de intervenção, e promovendo a integração de soluções inovadoras.
O PNPGO é também uma estrutura de apoio ao processo de implementação, acompanhamento e monitorização de respostas integradas de cuidados de saúde, orientada para a melhoria do acesso e da qualidade da assistência, a coordenação entre níveis de prestação e a obtenção de ganhos em saúde sustentáveis.
O “Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade” pretende ser um ponto agregador onde sociedades científicas e a associação representativa de pessoas com obesidade se unem e mobilizam para ajudar a acelerar e concretizar a estratégia nacional.
Investir no futuro do SNS
Atualmente, a obesidade está associada a mais de 200 complicações e tem um impacto significativo na economia, apresentando custos diretos e indiretos para a sociedade. A doença representa cerca de 10% da despesa total em saúde, o equivalente a 207 euros per capita/ano e 3% do PIB, segundo a OCDE. Alinhada com esta perspetiva internacional, a DGS estima que, em Portugal, por cada euro investido na prevenção da obesidade se possa gerar um retorno de até seis euros.
Para um tratamento adequado e eficaz da obesidade, é fundamental que a pessoa com obesidade esteja no centro de um percurso de cuidados humanizado, multidisciplinar e estruturado a longo prazo, que se inicia com a prevenção e o diagnóstico precoce nos Cuidados de Saúde Primários. Para que este modelo se materialize e acompanhe a jornada completa do doente, é imprescindível garantir o acesso a intervenções individualizadas. Deste modo, a abordagem à obesidade deve ser encarada não como uma despesa para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas sim como um investimento, tanto na saúde da população, como na sustentabilidade do SNS.
Este é, sem dúvida, o momento de passar da consciencialização à ação. Reconhecer verdadeiramente a obesidade como uma doença é o primeiro passo para garantir respostas eficazes, continuadas e acessíveis a todos.