Foi um ambiente de clássico. Efervescente, com emoções à flor da pele, entre muitas cadeiras que pareciam ter molas de quando em vez pela forma como se reagia ao que se passava em campo e os cânticos pelo clube e contra o adversário ao longo dos 90 minutos. Mais importante, foi um clássico sem excessos dentro de todos os excessos que se foram tornando habituais com muito uso de pirotecnia à mistura dos dois lados. Todavia, e quando a maioria já tinha abandonado Alvalade, houve ainda espaço para o maior foco de tensão da partida, já depois das intervenções dos presidentes André Villas-Boas e Frederico Varandas na zona mista.

Luis ganhou a primeira batalha de uma guerra de trincheiras (a crónica do Sporting-FC Porto)

Sem que nada o fizesse prever, e numa zona que costuma estar delimitada por baias para garantir uma total separação entre elementos das duas equipas e adeptos, alguns adeptos do Sporting conseguiram aproximar-se dessa área reservada aos clubes visitantes onde fica estacionado o autocarro e gerou-se uma confusão com trocas de palavras com elementos do staff do FC Porto que levou mesmo à intervenção da polícia para evitar que esse momento de tensão pudesse escalar mais. A partir daqui, há um vídeo mostra o que se passou.

Castigo da China, suspensão de Suárez, medo do rival, cobardia: a zona mista de Villas-Boas e Varandas após o clássico

Nesse vídeo com cerca de 30 segundos, é possível ver as autoridades policiais a separar adeptos leoninos e elementos do FC Porto numa altura em que uma pessoa ligada aos dragões corria atrás de um dos adeptos por ali presentes após uma alegada tentativa de agressão. Com a confusão gerada a aumentar nessa zona da Praça Centenário, que dá depois acesso ao Hall VIP do Estádio José Alvalade, vê-se também um empurrão de um adepto do clube lisboeta a um elemento com o fato de treino do FC Porto, seguido de um murro de um outro funcionário portista a esse mesmo adepto. Só mesmo nesse momento, já com vários Assistentes de Recinto Desportivo à mistura, tudo foi travado. Até agora, nem o FC Porto, nem o Sporting se pronunciaram sobre o incidente, que ocorreu antes da saída do autocarro dos dragões de Alvalade.

No decorrer da segunda parte do encontro, a Juventude Leonina tinha também deixado uma mensagem para os Super Dragões através de uma tarja: “Dizem-se homens e honrados. Na hora da verdade, são chibos e cobardes”. Não houve registo de qualquer incidente entre claques antes e depois do clássico.

Já em relação ao jogo propriamente dito, o FC Porto sofreu a primeira derrota em cinco clássicos realizados esta temporada (antes tinha duas vitórias e dois empates) e acabou em branco 47 jogos depois na Taça de Portugal, algo que não acontecia desde 2018 também em Alvalade. Em paralelo, este foi o segundo encontro nas competições nacionais com mais faltas dos dragões, num total de 23, só superado pelas 25 infrações diante do Santa Clara. Ainda assim, a derrota pela margem mínima dá espaço para uma reviravolta na segunda mão, em abril, no Dragão: em quatro das 28 ocasiões em que uma equipa perdeu o primeiro jogo houve ainda uma recuperação, algo que aconteceu em 2010/11 (FC Porto, então orientado por Villas-Boas, que ganhou por 3-1 na Luz após perder por 2-0 em casa), 2013/14 (Benfica com o FC Porto), 2017/18 (Sporting frente ao FC Porto nos penáltis) e 2018/19 (Sporting frente ao Benfica).

“A sorte não esteve do nosso lado, eles fizeram o golo de penálti, mas se o árbitro tivesse marcado a falta sobre o Pepê, não acontecia e tinha ficado 0-0. Foi uma má decisão do árbitro, não há nada a fazer. Foi um jogo muito disputado. Na primeira parte não sofremos quase nenhuma jogada deles. Criámos algumas e talvez eles tenham sido um pouco melhores no segundo tempo, mas não melhores do que nós. Faltam 90 minutos, vamos continuar a trabalhar e a eliminatória vai ser decidida em nossa casa. Agora, temos de pensar no Benfica. Vai ser um jogo muito duro mas estamos preparados. A eliminatória da Taça está em aberto, pode acontecer tudo. Agora, é pensar no Benfica”, comentou Alan Varela à RTP.

“‘Há uma equipa que passa impune em todos os lances, que continua a simular, que diz que os árbitros são ladrões e cujo presidente e jogadores fazem uma pressão permanente sobre os árbitros’. Um penálti favorável a essa equipa ditou a derrota do FC Porto na primeira mão da meia-final da Taça de Portugal. Após o clássico marcado pelo momento em que ‘Luis Suárez chamou ladrão, com gestos de forma clara para todas as televisões, ao árbitro Cláudio Pereira’, André Villas-Boas lembrou que ‘o presidente do Sporting já tinha chamado ladrão ao presidente da Federação, ao João Capela e ao Nuno Almeida’ e que ‘o condicionamento evidente da arbitragem leva a que os árbitros cometam alguns erros’. Questionado sobre a agressão do colombiano a Jan Bednarek, que teve de ser substituído no decorrer da primeira parte, o presidente do FC Porto foi perentório: ‘Vamos apresentar queixa, evidentemente'”, destacou a newsletter portista.