A OpenAI, empresa que desenvolve o ChatGPT, vai transformar a plataforma numa “superapp” multi-tarefas, avançou o Financial Times (FT) este domingo. A mudança alberga novas “ferramentas de codificação e agentes de IA [Inteligência Artificial]” e deverá acontecer nas próximas semanas.
A caminho da “superaplicação”, serão adicionados, no curto prazo, “novos comandos e recursos que direcionam para ferramentas de programação, geração de imagens e aplicações criadas por parceiros como o Canva e o Booking”, segundo fontes próximas do assunto, citadas pelo FT, dando maior relevância ao Codex, agente de programação da empresa.
No longo prazo, também com esse aumento do recurso ao Codex, a aplicação irá conseguir “entender automaticamente as intenções dos utilizadores”. O que, segundo o Financial Times, “reflete uma convicção crescente […] de que o futuro da IA encontra-se não em chatbots que respondem a perguntas mas em agentes que desempenham funções para os utilizadores“, como planificação de tarefas ou reserva de viagens.
Os desenvolvimentos já vão sendo anunciados. Na quinta-feira, a OpenAI anunciou o Dreaming, um sistema de memorização de informação armazenada no ChatGPT, que aumenta a personalização de resultados.
“O Chat está morto“, afirmou um alto funcionário da empresa, sob anonimato, com base nas mudanças anunciadas, e que é visto pelos executivos da OpenAI como uma “porta de entrada para apresentar produtos de maior valor aos utilizadores”, e unificar numa plataforma chatbots, mecanismos de programação, organização de tarefas, entre outros.
“[O projeto] vai transcender a superfície [interface] atual. O que estamos a construir é um futuro em que tens o teu próprio agente pessoal capaz de te ajudar […] em todos os aspetos da tua vida, seja no âmbito pessoal ou no trabalho”, esclareceu Thibault Sottiaux, membro da equipa técnica da empresa, que exalta a funcionalidade multi-plataforma do futuro ChatGPT. “Provavelmente haverá uma única entidade com a qual poderei falar e que poderá fazer o que eu precisar”, afirma Alexander Embiricos, gestor de produto da Codex.
As mudanças no ChatGPT fazem parte de uma estratégia para aumentar os lucros e fazer frente ao rival Anthropic, fundado em 2021 por antigos funcionários da OpenAI e que opera a plataforma Claude.
O ChatGPT alcançou em maio os mil milhões de utilizadores ativos, segundo dados da companhia Sensor Tower, citados pela Reuters, e ultrapassou os 50 milhões de subscritores. A OpenAI unificou este ano as equipas das suas marcas (ChatGPT e Codex), passando a ser liderada por Sottiaux, como forma de simplificar os assistentes de Inteligência Artificial da empresa, de acordo com o FT.
A plataforma tem provocado polémica ao longo dos últimos, já tendo sido inclusive alvo de processos. O mais recente, datado de 2 de junho, foi interposto pelo estado norte-americano da Flórida, por alegadamente “colocar crianças em perigo”, como incitamento ao suicídio, tendo o mesmo estado, a 21 de abril, anunciado uma investigação contra o ChatGPT e a empresa, por suspeitas da plataforma ter dado “conselhos importantes” ao suspeito de um tiroteio na Florida State University, em abril do ano passado.