Era o primeiro dia de todas as decisões. No Pavilhão da Luz, Benfica e FC Porto defrontavam-se no jogo 1 da final do Campeonato de basquetebol e no início da série de clássicos que irá definir o novo campeão nacional — de um lado, os encarnados procuravam chegar ao penta, do outro, os dragões procuravam um troféu que escapa desde 2016.

“Temos de dar tudo o que temos para ganhar o Campeonato. Pelo clube, pelos adeptos, por eles próprios, por toda a gente. É isso que temos de fazer. Estar a 100% na nossa capacidade de lutar para ganhar, fazer aquilo que temos de fazer em termos de plano de jogo, estarmos muito focados nisso. E, por muito estranho que pareça, em momentos de grande pressão, divertirem-se. Divertirem-se a jogar coletivamente, sofrendo em conjunto nos momentos difíceis, que vão existir, com pavilhões cheios. Eles também gostam de jogar assim, como é evidente. Se o fizerem, a probabilidade de vencermos é maior do que se for de outra maneira”, disse Norberto Alves, treinador dos encarnados que eliminaram a Oliveirense nas meias-finais, na antevisão.

“Sentimo-nos bem, o treinador tem-nos preparado muito bem. Estamos unidos enquanto equipa. Esta semana tem sido de preparação para estarmos no nosso melhor no arranque da série. Temos de ser agressivos e igualar a intensidade deles. Temos de nos manter unidos e tentar sair com a vitória. Precisamos de toda a gente que possa vir apoiar-nos. Vamos estar prontos como em toda a época. Soubemos ultrapassar tudo pelo que passámos e agora queremos ganhar três jogos para vencermos o Campeonato”, defendeu Cornelius Hudson, extremo norte-americano dos dragões, que afastaram o Sporting na ronda anterior.

Este domingo, no Pavilhão da Luz, todos os olhares estavam em campo — mas também nas bancadas, onde Neemias Queta marcava presença acompanhado por Joe Mazzulla, o treinador dos Boston Celtics. O Benfica começou muito melhor e aproveitou algum nervosismo ofensivo do FC Porto para se distanciar no resultado, chegando ao final do primeiro período com 11 pontos de vantagem e já depois de um timeout pedido por Fernando Sá (23-12).

A lógica manteve-se e intensificou-se no segundo quarto, motivando mais um timeout do treinador dos dragões, e os encarnados iam passeando no clássico muito à boleia da eficácia a partir da linha de três — e da exibição assinalável do norte-americano Eugene Crandall, que já levava nove pontos, quatro ressaltos e cinco assistências. Ao intervalo, o Benfica estava a vencer o FC Porto por quase 20 pontos de diferença (46-27).

A expectável resposta dos dragões continuou sem aparecer no terceiro período e os encarnados foram aproveitando para engordar o marcador, chegando a distâncias que seriam difíceis de antecipar antes do início do primeiro jogo da final. Eugene Crandall continuava a um nível muito alto, chegando aos 15 pontos e às seis assistências, mas Aleksander Dziewa superou o colega de equipa com 18 pontos e uma eficácia muito acima da média no lançamento. Em resumo, o Benfica foi para o derradeiro quarto a bater o FC Porto por 28 pontos (74-46).

No último período, apesar de uma ligeira reação dos dragões à boleia de Corey Allen-Williams, os encarnados limitaram-se a gerir a vantagem já sem especial intensidade, provavelmente a pensar no que ainda falta disputar em toda a série. No fim, o Benfica venceu o FC Porto no primeiro jogo da final do Campeonato do basquetebol (89-73) e está na frente, sendo que o segundo jogo está marcado para 9 de junho, terça-feira, novamente no Pavilhão da Luz (19h).