A Feira do Livro de Lisboa terminou no domingo com um balanço positivo de vendas e visitantes, afirmou esta segunda-feira à Lusa o presidente da associação APEL, Miguel Pauseiro, lembrando que “o entusiasmo” dos leitores deve durar o ano inteiro.
Num primeiro balanço sobre a 96.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, o presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), Miguel Pauseiro, disse que pelo Parque Eduardo VII passaram entre 800 mil e 850 mil visitantes, “em linha com o que aconteceu em 2025”, e que a estimativa de vendas está “entre os 700 [mil] e os 800 mil títulos”.
“As vendas corresponderam globalmente às expectativas. Temos muitos participantes a dizer que cresceram as vendas em relação a 2025, naturalmente há sempre alguém que diz que ficou aquém de 2025, mas isto tem a ver com muitos fatores”, explicou.
A feira do livro contou este ano com 350 pavilhões, 900 marcas editoriais e 85.000 livros disponíveis, em espaços de venda espalhados pelo Parque Eduardo VII, onde decorreram mais de 2.000 eventos culturais.
Miguel Pauseiro reconheceu que a “Hora H”, o momento ao final do dia em que muitos livros publicados há mais de 24 meses têm um desconto mínimo de 50%, tem “um peso significativo” na dinâmica da feira, tanto para editores como para leitores.
“A Hora H é um momento-chave. Não sei se ainda tem a mesma preponderância, mas é inegável que muitos visitantes procuram aquele momento para aproveitar condições especiais, na maior parte das vezes de livros que não conseguiram comprar. Os editores aproveitam para trazer livros mais antigos, com melhores condições e os leitores aproveitam”, afirmou.
Miguel Pauseiro lembrou ainda que “a feira é um elemento de um ecossistema muito maior” em torno do livro.
“Há uma dinâmica e um entusiasmo que queremos que se prolongue para além da feira e ao longo do ano. Agora temos de ler aquilo que comprámos na feira do livro, temos de ir às livrarias e comprar mais livros, temos de ir às bibliotecas e ler mais livros. E quanto mais recorrermos a bibliotecas mais haverá necessidade de atualizar e robustecer os catálogos das bibliotecas”, defendeu.
Finda a feira e com as datas de 2027 ainda por anunciar, o presidente da APEL considerou que o modelo do evento “está consolidado”, mas “longe de estar esgotado”.
“Pode e deve evoluir, temos de trazer, sempre que possível, coisas diferentes, inovadoras, relacionadas com o setor, mas também esta lógica de trazer música, o cinema; vamos à procura de outras artes performativas e outras vertentes culturais que possamos acrescentar à feira do livro para a enriquecer”, concluiu.