O centro comercial LoureShopping e a câmara municipal de Loures concordaram em manter um espaço cultural em substituição do antigo recinto de cinema, mas divergem quanto ao número de salas a desafetar, segundo as duas entidades contactadas pela Lusa.
As sete salas de cinema daquele centro comercial fecharam no final de 2025, na sequência do processo de insolvência da exibidora Cineplace, e os proprietários do LoureShopping pediram a desafetação de atividade cinematográfica da totalidade das salas, para eventual transformação do recinto.
“Não obstante, o LoureShopping comprometeu-se a reservar um espaço adequado para a realização de atividades culturais, incluindo as cinematográficas, em colaboração com a Câmara Municipal de Loures”, esclareceu à Lusa fonte da administração do centro comercial.
Em abril, o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto revelou que estavam pendentes ou em fase de instrução – alguns há mais de um ano – 12 pedidos de desafetação de um total de 52 salas de cinema, em localidades como Albufeira, Barreiro, Vila Nova de Gaia, Seixal, Braga, Loures e Caldas da Rainha, a maioria por via do fecho de recintos explorados pela Cineplace.
A atual tutela da Cultura manteve os pedidos pendentes enquanto promoveu a alteração de uma portaria, que entrou em vigor em junho e que muda o regime de desafetação de atividade cinematográfica das salas de cinema.
Para tomar uma decisão, o Governo passa a precisar de pareceres, ainda que não vinculativos, de mais entidades, nomeadamente Cinemateca Portuguesa, Direção-Geral das Artes, municípios ou Instituto do Cinema e Audiovisual.
No caso das salas no LoureShopping, o pedido de desafetação que consta nas informações divulgadas pelo Ministério da Cultura é relativo a quatro das sete salas.
Contactada pela Lusa, fonte oficial da Câmara Municipal de Loures disse que já deu um “parecer favorável ao pedido de desafetação parcial”, porque “a proposta apresentada permite compatibilizar a reorganização daquele espaço com a manutenção de uma oferta cultural relevante para o concelho”.
Segundo o município de Loures, “reforça-se a oferta cultural no concelho, valorizando um equipamento que poderá acolher regularmente iniciativas culturais de interesse público”.
A 21 de julho passado, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, disse no parlamento que, “até novembro, impreterivelmente”, tomaria uma decisão sobre todos os pedidos pendentes.