A deslocação do FC Porto a Viseu serviu para matar vários e, essencialmente, para manter vivo o registo totalmente vitorioso do campeão nacional, que arrancou a época a todo o gás e continua sem golos sofridos (0-3). Na visita ao Académico de Viseu, os dragões voltaram a conseguir chegar ao intervalo com três golos de vantagem, algo que, no Campeonato Nacional, não acontecia há um ano. Por outro lado, há oito anos que a equipa portista não conseguia esse registo fora de portas na Primeira Liga. No final, o resultado acabou por persistir, pelo que o FC Porto somou a vitória mais folgada fora de casa no Campeonato desde setembro de 2025, quando goleou em Arouca.

O dragão foi a Viseu como um senhor adusto, frio e certeiro que só a Beira pode revelar (a crónica do Académico de Viseu-FC Porto)

Ainda assim, o maior registo a retirar da deslocação azul e branca ao Fontelo é o igualar do recorde de jogos sem golos sofridos na Primeira Liga no século XXI, já que o FC Porto leva agora 25 jogos com a baliza inviolada nos últimos 38 jogos. Assim, Francesco Farioli igualou o registo que Julen Lopetegui alcançou em 2014, podendo destronar o espanhol na próxima semana. Noutra perspetiva, esta é apenas a terceira vez em que os dragões não sofrem golos nos primeiros cinco jogos da temporada, com a presente época a juntar-se a 2014/15 e 2017/18. Destaque ainda para Gabri Veiga, que igualou Vangelis Pavlidis como jogador com mais participações em golos do Campeonato (cinco) e é o melhor marcador portista na temporada.

“A verdade é que, do ponto de vista individual, estou motivado. Na semana passada fiquei um pouco triste [por não receber o prémio de homem do jogo]. Estou a brincar [risos]. Estou feliz pela vitória da equipa, que está num bom momento. Estou contente com a forma como estão a correr as coisas, mas tenho muito para melhorar. Isto só agora começou. Passagem para a linha? Estou sempre à disposição do treinador, mas custou-me na parte final. Fiz o que pude. Passe para William Gomes? Treinamos muito estas jogadas. Atacamos o espaço e, pelo nosso estilo de jogo, há sempre um ala a fechar. Foi isso que aconteceu. Correu muito bem e estamos felizes. É intuição. Não sabia que estava lá, mas acreditei nisso”, partilhou o internacional espanhol depois de ter visto o vídeo da sua assistência para o brasileiro, em que não tirou os olhos da bola.

“Fomos muito eficazes, pois convertemos as três grandes oportunidades que conseguimos criar na primeira parte. Precisámos de fazer uma substituição por lesão logo no início [Zaidu] e isso condicionou um pouco o resto do jogo. Fizemos a gestão na segunda parte e só nos últimos minutos é que baixámos um pouco o ritmo. Foi nessa altura que deixámos o Académico de Viseu fazer alguns remates. Lesões? A do Zaidu parece séria. O Bednarek parece que torceu o joelho. Precisamos de avaliar. São coisas que fazem parte do futebol. [O Bednarek] Já sofreu três toques que o deixaram magoado e não podemos fazer mais nada. Só podemos protegê-lo, que foi o que fizemos hoje [sábado]. Precisamos de ter alternativas e essas alternativas precisam de provar que estão no nível certo”, explicou Francesco Farioli.

“Agora vamos ter a última semana limpa. Depois começam as competições internacionais e vamos começar a ter a dinâmica dos dois jogos por semana. Sabem que acredito muito na frescura [da equipa], mas vamos esperar pelo fecho do mercado, que é algo que tem sido muito falado no verão. Depois disso temos de trabalhar e juntar toda a gente, até porque vamos precisar disso para conseguirmos manter o ritmo e a intensidade. Os últimos dias [do mercado] vão ser loucos, é normal. Não só para nós, para toda a gente. Tenho de estar muito focado nos nossos jogadores e, a partir daí, vamos ver o que acontece”, rematou o italiano.