A 24.ª edição do Arouca Film Festival arranca quarta-feira e, até dia 19, terá em competição 36 curtas-metragens e quatro longas, a maioria dos quais com produção espanhola e foco na “complexidade das relações humanas”.
A análise é do diretor do certame cuja atividade principal decorre no referido concelho do distrito de Aveiro, mas também inclui iniciativas em São João da Madeira e no Porto, como é o caso de duas palestras com o espanhol Miquel Salom, especialista em fotografia artesanal com recurso a placas de colódio.
“O cinema espanhol marca as secções competitivas desta edição porque, nos 40 filmes que vão disputar os prémios FOX, 18 obras são desse país”, adianta João Rita.
Selecionados entre mais de 500 candidaturas submetidas sob inscrição gratuita, os títulos a apresentar ao público em 2026, sempre em sessões também com entrada livre, incluem produções oriundas de Portugal, Brasil, Reino Unido, Alemanha, México, Irão e Rússia, no que o diretor do festival diz notar uma presença significativa de “jovens talentos”.
“É uma mostra ampla de filmes vindo de todo o mundo, feita por realizadores conceituados e jovens promessas”, afirma João Rita. “É também evidente a inovação técnica das abordagens internacionais, que contrastam com o cinema português e mostram novas formas de filmar e narrar”, defende.
Disso resulta uma significativa “diversidade cultural, com olhares distintos que enriquecem o diálogo entre os criadores e os seus públicos”.
Das várias obras que disputam as categorias de ficção, documentário, animação, videoclipe e cinema experimental, o diretor do Arouca Film Festival destaca, na seleção portuguesa, a curta-metragem de 10 minutos “Sophie’s Bakes”, de Hugo Coelho. “É um filme intenso e está bem realizado, com grande cuidado técnico. Constitui um exemplo para o novo cinema português”, declara.
Quanto à amostra estrangeira, realça o “cinema suave” de “Lighthouse”, uma produção germano-iraniana de 18 minutos dirigida por Sahar Nouhi. “Fala sobre a falta de liberdade no Irão, sobre a distância e a saudade de alguém que teve de abandonar o seu país, a família e toda a sua história. É uma construção fílmica cuidada, num misto de cinema iraniano e europeu”, conclui.