O festival de cinema Doclisboa, em outubro, vai ter 32 filmes portugueses, entre os quais “Guerrilha no Asfalto”, de Edgar Pêra, na abertura, e 13 Alfinetes, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, na competição internacional.
A programação completa foi esta segunda-feira desvendada, em Lisboa, com a direção a sublinhar a presença de obras de nomes como Denis Côté, Avi Mograbi, Jia Zhangke, Mariano Llinás e do cineasta francês Alain Cavalier, este com o filme Thanks for Coming, uma espécie de despedida aos 95 anos, no encerramento do festival.
De 15 a 25 de outubro, serão 198 filmes de 51 países, entre os quais 32 filmes portugueses, “atravessando geografias, gerações e diferentes formas de fazer e pensar o cinema”.
Na competição internacional está 13 Alfinetes, filme que João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata fizeram sob encomenda da BoCA – Bienal de Artes Contemporâneas, convocando o mito de Santo António e a pintura de Goya. Foi rodado em Lisboa e em Madrid, em formato IMAX com direção de fotografia de Rui Poças.
A competição portuguesa inclui 11 filmes, curtas e longas-metragens, todos eles em estreia mundial, como Povo e Poder, de Ico Costa, que retrata Moçambique nas eleições presidenciais de 2024, o filme-ensaio A casa é a ruína de uma casa, de Inês Sapeta Dias, e A voz de todos – Jornal do Fundão, de Manuel Mozos.
Segundo o festival, a secção competitiva apresenta “uma seleção de extraordinária sofisticação e diversidade estética e agudeza política”.
Já exibido em Locarno, Guerrilha no Asfalto, de Edgar Pêra, que parte do livro homónimo de Manuel Ricardo Sousa sobre as FP-25 e mistura as memórias do realizador sobre os anos 1980, abrirá o Doclisboa.
A direção do festival destaca ainda, entre outros, Life of Jorge Luis Borges, de Mariano Llinás, sobre o universo literário do escritor argentino, a ficção Nobody’s Violence, de Denis Côté, e a coprodução luso-francesa Wild Asparagus, do israelita Avi Mograbi, que vive em Portugal.
Em Lisboa vão estar a cineasta alemã Monica Maurer e a francesa Aude Fourel, tendo como foco a Palestina. A primeira “dedicou grande parte da sua vida a documentar a luta palestiniana”, enquanto a segunda “filmou-a a trabalhar com os seus arquivos”.
O festival já tinha anunciado previamente parte substancial da programação, como os filmes Knife: The attempted murder of Salman Rushdie, de Alex Gibney, Elza, de Eryk Rocha, sobre a cantora brasileira Elza Soares, e o primeiro filme da atriz Juliette Binoche enquanto realizadora, In-I in Motion, sobre a sua colaboração com o bailarino e coreógrafo Akram Khan.
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Também vão estar no Doclisboa Neste Quarto, em que Ana Rocha de Sousa segue a fadista Carminho em digressão pelo Japão, Esta Vida de Marinheiro, de Paulo Miguel Antunes, que relembra o percurso do músico João Aguardela, e Carta a uma jovem escritora, de Marta Pessoa, sobre as autoras Olga Gonçalves, Graça Pina de Morais, Maria Cecília Correia, Alice Sampaio e Maria Amélia Neto.
O cineasta chileno Patricio Guzmán, que era considerado pelos seus pares um mestre do cinema documental e que morreu na semana passada em Paris, aos 85 anos, vai ser lembrado pelo Doclisboa com o último filme, Mi país imaginário, inédito em Portugal.
O 24.º Doclisboa está marcado de 15 a 25 de outubro na Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa e Cinema Ideal e Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, onde é esperada uma performance, no âmbito da retrospetiva dedicada ao cineasta filipino Lino Brocka (1939–1991).
Apresentada em parceria com a Cinemateca Portuguesa, esta retrospetiva, dedicada a uma “figura maior do cinema filipino e um dos realizadores mais influentes da história do cinema asiático”, tem curadoria do artista e cineasta Khavn de la Cruz, com as equipas de programação do festival e da Cinemateca.
Anunciada em junho, a retrospetiva Lino Brocka – Matem o Artista Nacional é, segundo os organizadores, uma das mais extensas mostras dedicadas ao realizador de filmes como Jaguar, This Is My Country e Insiang (“O Lírio de Manila”), primeiro do cineasta selecionado para Cannes e, durante décadas, o único estreado no circuito comercial português.
O Festival Internacional de Cinema DocLisboa é organizado pela Apordoc – Associação pelo Documentário.