O Governo vai iniciar durante a época de caça de outubro um projeto-piloto para controlar a população de javalis em zonas consideradas mais problemáticas, anunciou esta sexta-feira o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira.
“Vai começar durante esta época de caça de outubro”, disse Rui Ladeira à Lusa, à margem da cerimónia de entrega de tratores a seis municípios do Médio Tejo, em Vila Nova da Barquinha, no distrito de Santarém, adiantando que a estratégia e o plano de intervenção serão anunciados em breve.
A medida procura responder a problemas registados em diferentes regiões do país, desde prejuízos na agricultura e aproximação dos animais às povoações ao risco de acidentes rodoviários. No Médio Tejo, os 11 municípios manifestaram ao Governo disponibilidade para integrar o projeto-piloto, considerando o problema transversal à região.
“Há concelhos que têm uma situação mais grave do que outros, no entanto, é uma preocupação geral no âmbito do Médio Tejo”, disse à Lusa, em 14 de setembro, o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM), Manuel Jorge Valamatos, ao dar conta da posição conjunta das 11 autarquias.
Rui Ladeira disse esta sexta-feira que o Governo pretende atuar em regiões já identificadas pelas autoridades como mais preocupantes, utilizando o projeto-piloto para avaliar a eficácia das medidas e recolher informação que permita posteriormente definir uma resposta mais abrangente.
“O que o Governo está a fazer […] é pegar naquilo que é a inquietação social, os problemas que estão a acontecer na perturbação e destruição da agricultura, os acidentes rodoviários”, afirmou.
Segundo o secretário de Estado, o projeto permitirá “perceber os dados e os resultados” e, posteriormente, “criar e constituir uma estratégia mais forte para poder atuar”.
O projeto tinha sido anunciado pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, que avançou com a intenção de criar um mecanismo de incentivo ao abate de javalis nas zonas onde seja identificada sobrepopulação, procurando reforçar o controlo da espécie.
Questionado sobre a articulação das iniciativas municipais com o projeto nacional, Rui Ladeira considerou “positivas” as ações locais e destacou o papel das autarquias, do ICNF e dos agentes ligados à atividade cinegética.
“O ICNF está a chamar […] todos os parceiros que têm um papel ativo na caça e são determinantes para aquilo que é a ação, como os municípios, para poder agir e atuar”, afirmou, salientando estarem em causa a segurança e a sustentabilidade das espécies.
Em Mação, estava prevista para o final da tarde desta sexta-feira uma segunda reunião entre o município, representantes do ICNF e associações de caçadores para definir estratégias e procedimentos de resposta ao problema, não sendo ainda conhecidas eventuais conclusões do encontro.
O concelho tem registado danos em culturas e propriedades e situações de aproximação dos animais às povoações, num problema que tem igualmente motivado iniciativas noutros municípios da região.
No Sardoal está agendada para terça-feira, dia 29, uma reunião promovida pelo município para debater a presença de javalis e possíveis respostas, enquanto outros concelhos do Médio Tejo têm igualmente sinalizado prejuízos e riscos associados à espécie.
Rui Ladeira destacou os efeitos sobre a agricultura, defendendo a necessidade de evitar que fileiras como a do milho continuem a sofrer a «destruição significativa» registada nos últimos anos, e apontou também a segurança rodoviária como uma das preocupações que justificam a intervenção.
O controlo da densidade de javalis tem ainda sido enquadrado pelo ICNF na prevenção da peste suína africana e na redução dos prejuízos em culturas agrícolas e florestais e do risco de acidentes rodoviários.
Rui Ladeira não indicou esta sexta-feira quais os territórios que integrarão a fase inicial do projeto-piloto, remetendo para o anúncio da estratégia e do plano de intervenção antes do arranque da iniciativa em outubro.