“Primetime”

O primeiro filme narrativo do documentarista Lance Oppenheim é uma dramatização de To Catch a Predator, um programa pioneiro de reality TV estreado pela NBC em 2006, em que o jornalista Chris Hansen (Robert Pattinson), apoiado num grupo de vigilantes da Net, o Perverted-Justice, usava atores que fingiam ser menores online para apanhar pedófilos em flagrante, confrontados na altura por ele, pelas câmaras e mais tarde também pela polícia. Primetime é mais descritivo que analítico e fica pela superfície em quase todos os aspetos, das transgressões éticas, deontológicas e legais do programa, à reação dos espectadores ávidos de sensacionalismo, de humilhação dos predadores e de “justiça” instantânea, e até mesmo no que respeita à psicologia e às motivações de Hansen (ao contrário do que sucede com Andie, a sua ambiciosa e inescrupulosa produtora, vivida por Merritt Wever). Oppenheim dá ao filme a personalidade visual cromaticamente saturada e contrastante do vídeo televisivo da altura, e Pattinson faz de Chris Hansen um indivíduo com tanto de sinistro como de obsessivo. Pode ler a crítica aqui.

“De Gaulle: Resistência (Filme 1)”

Charles De Gaulle é biografado por Antonin Baudry em dois filmes de grande orçamento (cerca de 80 milhões de euros no total) baseados num livro do historiador inglês Julian T. Jackson (o segundo, De Gaulle: Liberdade (Filme 2), estreia no próximo dia 29). O realizador limita temporalmente a ação entre os anos de 1940 e 1944. Com Simon Abkarian no papel de De Gaulle, este primeiro filme começa em maio de 1940, com a Batalha de Montcornet, seguida, em julho, pela capitulação da França, a assinatura do armistício com a Alemanha e o estabelecimento do governo em Vichy. De Gaulle recusa aceitá-lo, bem como a derrota, e vai instalar-se em Londres, onde apesar de quase desconhecido e de dispor de poucos meios e apoios, faz um hoje lendário apelo radiofónico aos franceses, tenta organizar a Resistência ao invasor e cria um movimento político e militar, a França Livre. O filme conta ainda no elenco com Simon Russell Beale, Niels Schneider, Mathieu Kassovitz, Benoît Magimel, Campbell Scott ou Anamaria Vartolomei.

“O Veredito Social”

Depois de A Rede Social (2010), realizado por David Fincher com argumento de Aaron Sorkin, surge a continuação, O Veredito Social, agora escrita e filmada por Sorkin e que dramatiza o caso de uma ex-funcionária do Facebook que passou de devota desta rede a sua inimiga figadal, a engenheira Frances Haugen (Mikey Madison). Esta, em 2021, naquilo a que ficou conhecido como “The Facebook leak” passou dezenas de milhares de documentos internos da empresa a Jeff Horwitz (Jeremy Allen White), um jornalista do The Wall Street Journal. Estes revelavam como o Facebook estava mais interessado nos lucros do que em monitorizar e contrariar os efeitos deletérios dos seus mecanismos de funcionamento interno, nomeadamente dos algoritmos, bem como a vulnerabilidade da sua utilização por grupos e movimentos sociais e políticos radicais, ou por organizações criminosas. Pode ler a crítica aqui.