A Universidade de Leiria e Oeste (ULO) lança esta quinta-feira o projeto Leitura Inclusiva Acessível, iniciativa que visa facilitar o acesso à literatura por pessoas com diferentes necessidades, através da disponibilização de obras em formatos acessíveis.
O projeto, disponível no sítio na internet, é do Centro de Recursos para a Inclusão Digital (CRID), sediado na Escola de Educação e Ciências Sociais da ULO.
À agência Lusa, a coordenadora do CRID, Célia Sousa, afirmou que o LIA surge do ADN deste centro, que se tem dedicado a construir “um livro acessível para todas as pessoas”.
“Esse é um projeto que nos levou à conceção do conceito de livro multiformato”, disse Célia Sousa, referindo que o CRID já editou cerca de uma vintena de livros para o país e fora dele.
Segundo a coordenadora, ao longo de duas décadas, que o centro assinala este ano, o CRID é “também um laboratório onde os alunos” de diferentes cursos e escolas da ULO “têm muitas vezes aulas e workshops”, sendo que “muitos dos alunos dos mestrados foram construindo eles próprios materiais, ou seja, adaptando livros”.
A investigadora adiantou que o CRID tinha “armários cheios de livros, que são material adaptado no âmbito do design universal”, mas sem utilidade, pois as escolas e as famílias não tinham acesso.
Assim nasceu o LIA, para permitir às famílias e escolas requisitarem material.
Por outro lado, o projeto levou também à criação, no próprio CRID, de “um espaço em que é permitida a leitura” por famílias ou escolas, possibilitando, por exemplo, a interação com máquinas de braille e perceber “como é que se constrói um livro acessível”, destacou Célia Sousa.
Desta forma, o LIA permite a partilha do conhecimento, que o CRID tem vindo a desenvolver “acerca da literatura acessível e que está reconhecido a nível internacional em vários países”, com a comunidade e o país.
No site, as pessoas podem conhecer os títulos dos livros disponíveis e fazer a sua requisição, funcionando “basicamente como uma biblioteca”, sendo que “também aí podem fazer as marcações” para se deslocarem até ao CRID.
A esmagadora maioria dos títulos – são mais de 200 mas nem todos estão ainda digitalizados – destina-se ao público infantil, havendo livros com origem noutros países de expressão de língua portuguesa.
“O nosso grande foco são as crianças e estamos a falar em livros que estão em diferentes formatos (…), impressos em braille, em áudio que depois podem aceder através do ‘QR Code’, em pictogramas, em escrita fácil”, exemplificou, acrescentando que são livros pensados para crianças cegas, surdas, com problemas intelectuais, “no espetro do autismo, na dislexia, na hiperatividade”.
A iniciativa foi também idealizada para o público migrante.
“Ao termos os livros em pictogramas, mesmo que não dominem a língua portuguesa, [as crianças] vão conseguir aceder e conseguir entender uma história”, observou a coordenadora do CRID.
De acordo com Célia Sousa, este projeto também é “uma homenagem aos alunos” que passaram pela ULO.
“São livros construídos por eles, que deixam neste repositório, que vai sempre engrandecendo”, acrescentou Célia Sousa, assegurando que o objetivo do LIA é ter cada vez mais livros.
Numa informação enviada à Lusa, a Universidade de Leiria e Oeste salientou que a iniciativa Leitura Inclusiva Acessível tem na sua génese a ideia de que “o acesso à leitura e à literatura deve ser o mais abrangente possível”, pretendendo “contribuir para a redução de barreiras no acesso à leitura, promovendo maior autonomia, participação e acesso à cultura e ao conhecimento”.
O projeto recusa uma perspetiva centrada na deficiência, assumindo, antes, que “a existência de diferentes formas de acesso aos conteúdos pode também beneficiar pessoas com diferentes níveis de literacia, crianças, profissionais de educação, famílias, instituições e outros públicos que procurem recursos adaptados”.