Portugal já bateu dois recordes relativos a ondas de calor em 2026 e ainda faltam mais de dois meses para o ano terminar. O primeiro: esteve 98 dias em ondas de calor, ultrapassando o anterior máximo, que era de 97 dias, registados em 2009 (o terceiro é 91, em 2017). É o valor mais alto de sempre desde que há registos, em 1942. O segundo: o país teve até agora nove ondas de calor, que aconteceram de fevereiro a outubro. Nunca tinham sido tantas, nem num período tão alargado, nem tinha existido nenhuma tão extensa e com tanto impacto com a que ocorreu de 29 de junho a 11 de julho. Os dados foram publicados pelo IPMA este domingo e reforçam a tendência do aumento da frequência e da persistência de temperaturas extremas nas últimas décadas.
Para além dos dois recordes, a outra conclusão que sobressai dos dados do IPMA é que as ondas de calor deixaram de estar concentradas no verão. Das nove, só duas aconteceram no verão (junho e julho). Das outras sete, uma teve lugar no inverno (fevereiro), logo depois do ‘comboio de tempestades’, três na primavera (março, abril e maio), sendo a de maio muito intensa e extemporânea, e três no outono (setembro e outubro) — sim, já este mês. Daí que um dos dados mais relevantes não seja apenas o número destes episódios de calor excessivo, mas a forma como já se distribuem ao longo do ano, nas diferentes estações.
Das nove ondas de calor, destaque de facto para a do final de junho e início de julho, pela sua magnitude e extensão pelo país. Segundo o IPMA, a onda de 29 de junho a 11 de julho foi a “segunda maior na extensão espacial” e a recordista na “magnitude total”. Daí o Instituto de Meteorologia a considerar “um dos episódios mais relevantes registados em Portugal continental desde 1981”. Esta onda de calor registou-se em quatro episódios, com a duração máxima de 13 dias.
Não muito diferente desta foi a de 20 de maio a 1 de junho que “apresentou um comportamento semelhante”. Teve o “maior valor de magnitude total do histórico das ondas de calor ocorridas no mês de maio”. No comunicado, ficou ainda confirmado oficialmente o grande período em onda de calor de setembro — de 18 a 27 — que “abrangeu grande parte do território” (cerca de 72% da rede de estações do IPMA). As de 21 a 26 de fevereiro, 15 a 28 de abril, 2 a 7 de setembro e 10 a 17 de outubro destacam-se por acontecer fora da principal época de verão. Este outono de 2026 já se destacou pela persistência de temperaturas anormalmente elevadas. Por isso o IPMA identificou as referidas três ondas de calor, incluindo já um episódio neste mês de outubro, no nordeste do país, e os dois de setembro, um deles muito abrangente.
Os números de 2026 inserem-se numa tendência de aumento do número de ondas de calor e de dias em onda de calor nas últimas décadas. Nos últimos 10 anos foram registadas, todos os anos, ondas de calor. Além deste ano de 2026, com nove ondas de calor, 2025 teve oito, 2015, 2017, 2020 e 2023 tiveram sete. Essa tendência inclui a extensão das ondas de calor à primavera e ao outono (este ano, até mesmo ao inverno). “A série histórica de Ondas de Calor em Portugal Continental permite-nos inferir que: o número de ondas de calor está a aumentar, tendo-se assistido a um aumento significativo destes fenómenos desde o final da década de 90; o número de ondas de calor aumentou não só no período estival, como também nas estações de transição – primavera e outono; este aumento foi acompanhado por um aumento do número de dias em onda de calor nas últimas décadas”, escreve o IPMA.
As ondas de calor não atingiram todas as regiões ao mesmo tempo. Mas muitas delas foram bastante extensas no território, como a onda de setembro, por exemplo, que afetou cerca de 72% das estações do IPMA. Ou seja, os 98 dias em onda de calor não significam que todo o país tenha estado em onda de calor durante 98 dias. O critério exige pelo menos seis dias consecutivos com temperaturas máximas superiores em mais de 5°C ao valor de referência da região. Temperaturas moderadas podem constituir uma onda de calor em fevereiro. Uma onda de calor é um episódio de temperaturas anormalmente elevadas e persistentes para a época do ano, não sendo obrigatório atingir 35°C ou 40°C.
[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]