O músico João Gil, um dos fundadores dos Trovante, celebra 50 anos de carreira com a edição de um álbum duplo Inteiro, que inclui temas inéditos, como A Serra da Adiça, a sair no próximo dia 30.
“Decidi chamar a este álbum [duplo], constituído por 25 canções, o nome de Inteiro porque sintetiza e junta quase todas as franjas do meu tecido. Originais a solo, originais em duo, originais noutras vozes e alguns clássicos do meu cancioneiro”, afirma o músico nascido há 70 anos na Covilhã.
O músico aponta a data de 1976 como início da carreira com a banda Trovante, aventura musical de sucesso que terminou em 1991, tendo prosseguido o seu percurso como guitarrista e compositor.
João Gil fundou a Ala dos Namorados e os Moby Dick, e fez parte de vários outros projetos, como Rio Grande e Cabeças no Ar.
Neste duplo álbum, Gil gravou poemas de Maria do Rosário Pedreira, Regresso à Infância, Fernando Pessoa, Mar Português, Nathalie Marchetti, Mon Père, e de Manuel Maria Barbosa du Bocage, Soneto do Prazer Maior, entre outros, quase todos musicados por si.
Dos 25 temas que constituem o alinhamento dos dois CD, todas as músicas são de sua autoria excetuando, Lisboa (Eugénio de Andrade/Trovante).
O músico recupera Perdidamente (Florbela Espanca/João Gil), tema icónico da banda que formou com Luís Represas, Manuel Faria e João Nuno Represas, e Loucos de Lisboa (João Monge/João Gil), que fez êxito pela Ala dos Namorados, e que Rui Veloso também gravou.
Além de se acompanhar à guitarra, e também na harmónica, João Gil conta com um conjunto de músicos neste projeto, como Ruben Alves, ao piano, Alexandre Frazão, na bateria, Rui Pedro Pity, no baixo, Mário Delgado, no bandolim e dobro (guitarra ressonadora), Nelson Cascais, no contrabaixo, Luís Cunha, no trompete, e Tomás Marques, no saxofone.
Catarina Távora, no violoncelo, Helena Pereira e Malú Garcia, nos violinos, Sara Ramalho, na viola d’arco, e Sofia David, nos coros, também fazem parte dos músicos do duplo álbum.
Inteiro, segundo João Gil, “faz o ponto da situação” de uma “vida musical, [de] muitas experiências, e todas elas enriquecedoras”.
“Respiro fundo e vou em frente”, conclui o João Gil. “São muitas histórias para contar e quero partilhá-las com todos”.