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Sofrer como resultado de ter a tal veia resultadista (a crónica do Alverca-Benfica)

Este artigo tem mais de 1 ano

Benfica concedeu mais chances do que é normal, Samu justificou de novo a titularidade e aquilo que podia ser mais um jogo tranquilo transformou-se numa luta em aberto após expulsão de Dedic (1-2).

Samuel Soares terminou o jogo com cinco defesas, evitando por várias ocasiões que a reação do Alverca trouxesse mais problemas ao Benfica
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▲Samuel Soares terminou o jogo com cinco defesas, evitando por várias ocasiões que a reação do Alverca trouxesse mais problemas ao Benfica

Carlos Rodrigues

▲Samuel Soares terminou o jogo com cinco defesas, evitando por várias ocasiões que a reação do Alverca trouxesse mais problemas ao Benfica

Carlos Rodrigues

A primeira parte voltou a ser melhor do que a segunda, o ataque voltou a ter traços perdulários que mais para a frente poderão ter peso, a defesa manteve a série de encontros consecutivos sem sofrer que levava um total de 630 minutos. O Benfica procura consolidar processos com reflexos na qualidade de jogo mas, nesta fase da época, não abdica de uma veia resultadista para cumprir os objetivos. De forma pragmática, a ideia mantinha a equipa onde queria: ganhou a Supertaça frente ao Sporting, garantiu a qualificação para a Liga dos Campeões batendo Nice e Fenerbahçe, somou por triunfos os dois encontros no Campeonato. Agora, na antecâmara da paragem para as seleções, surgia uma deslocação ao regressado Alverca sem triunfos.

Alverca-Benfica. Encarnados procuram oitava vitória seguida da época antes da paragem

“A equipa está a recuperar bem, o mais importante é recuperar mentalmente e ter a noção da importância dos jogos. A importância de vencer este tipo de jogos, a importância de jogar este tipo de jogos fora de casa depois da Champions… Queremos os três pontos para o nosso objetivo maior. O Alverca é uma equipa interessante, estamos à espera de linha de cinco, com um ataque muito forte à profundidade. Até foi com curiosidade que vi os movimentos do ponta de lança adversário, que é muito forte, as oportunidades que criou são situações que temos de controlar. Fica o desafio para a equipa apresentar-se com uma postura de campeão porque temos de vencer este jogo”, resumira Bruno Lage no lançamento da partida.

Todos os olhos estavam em Alverca, todas as atenções estavam um pouco por todo o lado. Depois de ter feito essa conferência de imprensa, o técnico recebeu mais um reforço com características como não tinha no atual plantel (Sudakov, médio ofensivo ucraniano que se tornou na contratação mais cara de sempre do clube a par de Richard Ríos), viu confirmada a saída de Tiago Gouveia para o Nice, já não contava com Aktürkoglu que rumou ao Fenerbahçe após ter sido decisivo na qualificação para a Champions, ia perder também o médio Florentino Luís e procurava as últimas oportunidades de mercado para reforçar as alas. Dois “jogos” quase em simultâneo que Bruno Lage tentava a tudo custo separar para que nenhum atrapalhasse o outro.

“Terei todo o gosto em responder a tudo sobre isso quando falarmos de mercado no final da janela. Este mercado teve em consideração vários pontos, com duas lesões graves que acabaram por ser quatro com o Manu, o Bah, o Bruma e o Nuno Félix. Tivemos de ter em consideração jogadores que terminaram contrato, em final de empréstimo e o reforço da equipa. Depois terei todo o gosto em aprofundar mais mas apenas no final do mercado. Se o fecho afeta? Não vai afetar nem pode condicionar. Vou dar o exemplo do Aktürkoglu: tivemos a capacidade de manter toda a gente focada, os jogadores alinhados para fazer pelo melhor. Estamos nesse caminho, de uma equipa que quer apresentar-se na sua melhor versão, disponível para ajudar e conquistar os três pontos”, garantia o treinador dos encarnados a propósito desse tema.

Florentino Luís entrou para fazer mesmo uma despedida assumida no final do encontro, mais jogadores podem chegar ainda à Luz no último dia do mercado mas a paragem para as seleções chegou com mais uma vitória apenas “manchada” pelo golo sofrido que quebrou uma série de 715 minutos sem golos sofridos. No entanto, e no balanço geral de um encontro onde Amar Dedic foi o melhor até ser expulso com o segundo amarelo, a ideia que fica é a de um Benfica que faz por estar na frente, tentar controlar os jogos em vez de acabar em definitivo com as dúvidas no resultado e corre riscos de acabar encostado sem capacidade de saída para defender o triunfo – um sofrimento que chega como reflexo da veia resultadista assumida nesta fase. E é esse o upgrade que Bruno Lage terá agora de trabalhar após cumprir a 100% todas as metas que tinham sido definidas em termos internos para os oito encontros oficiais até à paragem para seleções.

Ficha de jogo

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Alverca-Benfica, 1-2

4.ª jornada da Primeira Liga

Complexo Desportivo de Alverca

Árbitro: José Bessa (AF Porto)

Alverca: Matheus Mendes; Steven Baseya (Gonçalo Esteves, 82′), Sergi Gómez, Julián Martínez; Nabil Touaizi (Lincoln, 68′), Sabit Abdulai (Davy Gui, 68′), Alex Amorim, Isaac James (Chissumba, 68′); Cédric Nuozzi, Chiquinho (Sandro Lima, 74′) e Marezi

Suplentes não utilizados: Mateus, Tomás, Tiago Leite e Menadjou

Treinador: Custódio Castro

Benfica: Samuel Soares; Dedic, Tomás Araújo, Otamendi, Dahl; Enzo Barrenechea, Richard Ríos (Florentino Luís, 64′); Aursnes, Leandro Barreiro (António Silva, 79′), Schjelderup (Prestianni, 64′) e Ivanovic (Pavlidis, 64′)

Suplentes não utilizados: Trubin, Obrador, Henrique Araújo, João Veloso e Leandro Santos

Treinador: Bruno Lage

Golos: Schjelderup (5′), Dedic (44′) e Davy Gui (85′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Dedic (18′ e 70′), Isaac James (29′), Richard Ríos (46′), Otamendi (59′), Sabit Abdulai (60′), Lincoln (81′), Nabil Touaizi (81′), Samuel Soares (85′) e Enzo Barrenechea (89′); cartão vermelho por acumulação a Dedic (70′)

O encontro começou com um sentido único assumido pelo Alverca e “forçado” pelo Benfica, que agarrou cedo no comando para assentar arraiais no meio-campo contrário e procurar chegar cedo a uma vantagem que ia mudar as características do jogo. A ansiedade que se via nas tentativas de saída dos ribatejanos era notória, os encarnados “arrumaram” com o resto: numa jogada de insistência no corredor central, Richard Ríos fez um balão para a área e Schjelderup apareceu vindo de trás nas costas do defesa visitada (que ficou a protestar o posicionamento de Ivanovic, que não teve interferência direta na jogada) para receber bem e bater Matheus Mendes (5′). Numa partida que se seguia a um duelo intenso pela Liga dos Campeões, melhor início para o Benfica era impossível. No entanto, ficou a ideia de que esse golo madrugador não fez bem à equipa.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Alverca-Benfica em vídeo]

Já em vantagem, o Benfica não sentiu necessidade de acelerar o encontro e deixou que o Alverca serenasse e fosse aos poucos reentrando na partida. Faltava velocidade, faltava intensidade, faltava agressividade, faltava sobretudo mais bola na frente apesar dos movimentos que Schjelderup desenhava pela ala e Ivanovic tentava procurar na frente. Nem mesmo a primeira oportunidade flagrante dos ribatejanos despertou a equipa, com o ala direito Nuozzi a ser lançado nas costas de Dahl para entrar na área e rematar cruzado para boa defesa de Samuel Soares (25′). Esse adormecimento condicionava todo o jogo dos encarnados, que precisavam de um novo estímulo para reentrar na partida em modo que não fosse de controlo. Richard Ríos, que todos os jogos testa a meia distância, tentou despertar a equipa ofensivamente mas o remate saiu ao lado (36′).

Apesar da desvantagem, o Alverca soltara-se em definitivo das amarras e teve mais dois lances de perigo, com Chiquinho a ficar perto do desvio na pequena área após cruzamento de James (40′) já depois de uma jogada de insistência de Nuozzi pela direita com Otamendi a facilitar que poderia ter criado outro tipo de sobressaltos se não fosse o corte atento de Tomás Araújo. O intervalo estava à porta, a história da primeira parte estava longe de encerrar: Amar Dedic, num lance individual fantástico pela direita da área onde deu um nó cego a James, aproveitou o pouco ângulo que tinha para rematar cruzado e rasteiro e bater Matheus Mendes para o 2-0 (44′). Alex Amorim, um craque em potência que dificilmente irá durar muito tempo em Alverca jogando a este nível, ainda teve mais uma oportunidade mas Samuel Soares brilhou na baliza (45+’1). O descanso chegava com dois golos de avanço e uma tarde “tranquila” sem ter de acelerar.

A segunda parte começou sem alterações mas de uma forma bem mais movimentada, com Chiquinho a ter um livre muito perto da área descaído sobre a direita após falta de Richard Ríos (com os jogadores da casa a pedirem segundo amarelo para o colombiano) para grande intervenção de Samuel Soares a desviar a bola para canto (50′) e com Schjelderup, na sequência de um lance individual após corte incompleto da defesa do Alverca, a atirar de pé esquerdo com estrondo ao poste (53′). Numa ou noutra baliza o golo parecia ser uma questão de tempo mas as oportunidades ficaram depois “arrumadas” nos minutos seguintes, neste caso com o Benfica a ter um controlo da vantagem bem mais afirmativo e a não deixar de visar todas as hipóteses para chegar ao terceiro golo que arrumasse em definitivo com a questão. Foi por isso que, a 25 minutos do final, Bruno Lage não perdeu tempo e lançou em campo Florentino Luís, Prestianni e Pavlidis.

O impacto que as trocas poderiam ter ou não ficou condicionado com o fator que iria marcar os últimos 20 minutos do encontro: Dedic agarrou Chiquinho quando o ala partia para mais um ataque, viu o segundo amarelo do jogo e foi expulso, com Bruno Lage à beira de um ataque de nervos na zona técnica dizendo que o lateral fizera apenas uma falta desde que ficou “tapado” (70′). Depois de perceber aquilo que o jogo podia dar ou não, o Benfica avançou mesmo para a entrada de António Silva, passando Tomás Aráujo para a direita de uma linha de três centrais com Aursnes e Dahl a fazerem as alas, com o Alverca a subir linhas em campo com Lincoln a juntar-se a um Alex Amorim inesgotável quando tinha a bola nos pés. Davy Gui ainda conseguiu mesmo reduzir, aproveitando uma segunda bola que Otamendi não chegou para o corte (85′), o Benfica conseguiu segurar depois a vantagem até ao final mas terminou o jogo a sofrer… sem necessidade.

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